quarta-feira, 24 de novembro de 2010

DIÁRIO DE BORDO - TERRA FESTIVAL

Por Graciene Volcov.

Esta não é uma cobertura do Terra Festival!

De fato, é apenas um mero relato, um bilhete escrito com muita parcialidade e sem qualquer compromisso com a objetividade.

A tarde estava linda! O céu, digno de um verdadeiro Monet, com suas pinceladas oscilando entre um azul profundo e um rosa brilhante; e sob esse cenário, por volta das 18:00 horas, chegamos ao Playcenter.

No palco principal, uma banda que eu não conhecia, Of Montreal, entoava sons cheios dessa aura de modernidade que permeia grande parte das músicas da atualidade. Não faz muito meu gosto, mas é inegável que eles foram competentes durante o show! Muita dança e gritinhos efusivos... Divertido por umas horinhas, e só!

Em seguida, Mika entrou no palco, enchendo-o de uma sincera alegria!
O Mika certamente não é meu cantor preferido, contudo, sempre tive certa simpatia por sua música; sabe quando dizemos que uma pessoa é apenas nossa colega e não nossa amiga? Então, é essa sensação que eu tenho com o Mika... Ok! Ele é legal, mas não é meu amigo!

No entanto, mesmo sendo apenas meu “colega”, não posso deixar de admirá-lo! O rapaz tem uma voz excelente e o show dele é ótimo, teatral na medida certa!

E mais, durante o show, o Mika fazia questão de interagir com o público, tornando o show uma experiência muita próxima e amistosa, mesmo para quem, como eu não, não era muito versado na sua sonoridade.

Enfim, se o Mika era só um colega, um mero conhecido, depois do show, ele passou para quase um amigo, um amigo sem muita intimidade, porém, um bom amigo!



E por volta das 22:00 horas, sob uma linda lua cheia, o Phoenix inundou o palco com Lisztomania na platéia, um milésimo de segundo de silencio, que passado, deu lugar a uma histeria coletiva saudável, sincera e honesta.

Todos cantavam e pulavam juntos! Foi uma daquelas cenas memoráveis, despretensiosamente emocionantes e, justamente por isso, incrivelmente comoventes.

E assim transcorreram quase duas horas de show, recheadas de músicas que estavam na ponta da língua dos fãs e, também, alguns momentos memoráveis, dentre eles, a inexplicável e tocante performance de “Love like a sunset I” e “II”, de uma sutileza extrema, aguda e única.

Mas o ponto alto do show ficou mesmo para o final, quando Thomas Mars resolveu mergulhar sobre o público, composto de milhares de pessoas, fãs afoitos, que ficaram boquiabertos e extasiados com a atitude.

Sim, boquiabertos mesmo! Pois na hora do stage dive do Thomas tive a curiosidade de olhar para trás, o tempo parecia fluir em câmera lenta, alguns levavam as mãos a cabeça, outros cutucavam os amigos e outros tinham os olhos cheios de lágrimas... E nesse ínterim, Thomas Mars interagia com o público, por inteiro, sendo aclamado e ao mesmo tempo, aclamando aqueles que o aplaudiam.

Após esse percurso emocionante, finalmente Thomas chegou aonde queria, um poste no meio do Playcenter, no qual ele subiu, agradeceu ao público e finalmente iniciou seu regresso, sempre nos braços calorosos do público, que lhe devolveram são e salvo ao palco.

E assim, com essa despedida intensa e milhares extasiados, encerrou-se um show verdadeiro e, como já disse, intenso em sua sutileza.



A próxima atração do festival foi Pavement, banda que eu respeito muito, no entanto, não tenho afinidade... Em outras palavras, se tocar, eu escuto e aprecio, contudo, certamente não colocaria no meu iPod.

Assim, como precisava descansar para a apresentação do Smashing Pumpkins, optei por não assistir o show do Pavement, então, nada posso declarar, pois durante o mesmo fiquei sentada, descansando, ao lado do Evolution (aquele brinquedo que gira, de ponta cabeça, durante intermináveis minutos), que funcionava a toda.

Porém, por volta das 00:45 horas, sabia que era hora de voltar para o meu cantinho, situado estrategicamente ao lado direito do palco, pois, em minutos, veria uma das bandas mais criativas de sua geração.

E sem grandes atrasos, Billy Corgan entrou no palco, trazendo a tona o seu tradicional e querido estilo “lango-lango”.

Não, ele não entrou cantando 1979 ou Disarm, na verdade, optou por The Fellowship, música oriunda do projeto Teargarden by Kaleidoscope, boa música, mas, na minha humilde opinião, sem o brilho e o frescor de outrora.

Na seqüência, trouxe Lonely is the name que eu não conhecia, mas gostei bastante... É fato que até esse ponto o público não estava suficientemente empolgado.

Sim! O show estava ótimo, o som era perfeito, os músicos virtuosos, no entanto, faltava vida naquele show, faltava algo que fosse caro ao público e com o qual pudessem se identificar.

E então sobreveio uma linda versão de Today, um clássico de encher a alma e os ouvidos, que restaurou a emoção do público, todavia, após esse sopro de ar fresco, o show continuou instável, com muitas músicas novas, permeadas por um ou outro clássico.

Gostei, especialmente, da versão de Shame; nunca conhecei ninguém que gostasse dessa música, e sempre fui criticada por apreciá-la, assim, ouvi-la no show foi uma espécie de redenção.

É impossível dizer que a apresentação do Smashing foi ruim, contudo, ao contrário do que eu imaginava, após o show não me senti extasiada, estava feliz, mas não nas nuvens. E essa sensação não me contentou!

Tive a impressão que o Billy Corgan entrou em uma espiral curiosa, imergindo no próprio talento.

Que ele é um músico virtuoso e talentoso não há dúvida, contudo, a sensação que fica é que tanta virtuosidade afastou o público.

Tudo parecia demarcado demais, pensado demais, metódico demais e não me arrebatou, pois no meio de tanto método, faltou espaço para emoção, a antítese de todo aquele monte de razões externadas por meio intermináveis solos de guitarras e bateria.


Apesar disso, ainda sim, cada minuto valeu a pena!

Esperava mais, pois tinha minhas pretensões pessoais e meus sonhos de adolescente, cujas cores se assemelhavam, em muito, as cores do vídeo de 1979.

De fato, eu esperava ouvir Disarm e cantar juntinho “The killer in me is the killer in you/ Send this smile over to you”, mas não aconteceu, sem qualquer magoa ou sofrimento, simplesmente as coisas não saíram exatamente como eu esperava, mas nem por isso deixaram de ser interessantes.

E nem poderia ser diferente, pois da mesma forma que eu deixei de ser adolescente, o Smashing Pumpkins também cresceu, amadureceu e mudou.

E apesar das mudanças, o Smashing Pumpkins continuará sendo uma banda singular e, no que me diz respeito, estará sempre na minha lista de preferidas, afinal, nós nunca deixamos de amar os velhos amigos, estejam eles onde e como estiverem...

Um comentário:

  1. Valeu pela colaboração, Grá. E valeu, principalmente, por dividir seus sentimentos e palavras conosco.

    Assim como você, também achei decepcionante o Smashing. Na real, como já tinha visto a banda em 96 (e tb pelo fato da formacão nova só trazer o Billy), nem estava muito empolgado pra esse show.

    Fui para o Playcenter para ver o Pavement em primeiro lugar, e o Phoenix, logo abaixo na escala de prioridades. Mas, quis o destino que o Phoenix roubasse a cena. Ver uma banda no auge é sempre gratificante, e foi o que aconteceu. O Pavement é mais importante no rock e na minha vida, mas o auge do Pavement ficou lá atrás. Por isso o show não foi espetacular, mas sim nostálgico.

    A vida é assim. E o rock, as vezes, é como o clichê da seleção brasileira: "é momento".

    E o momento era - e é - do Phoenix.

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