Por Marcelo ViegasAo invés de postar uma reflexão pós-eleição, preferi resgatar um textinho que fiz em Julho desse ano. Não escapo da euforia generalizada por ver o primeiro presidente negro dos EUA, nem tampouco por ver o mundo livre de Bush, mas mesmo assim... Bom, eis o que escrevi, poucos meses atrás:
Levando em consideração tudo o que li até agora sobre Barack Obama (não que eu tenha lido um mundaréu de coisas, mas li algumas), creio que não é errado dizer que ele é o melhor candidato para o mundo, e o pior para o Brasil.
Absurdo? Em termos gerais sim, mas não em termos específicos. Obama é defensor da manutenção das tarifas sobre o etanol brasileiro, de modo a fomentar a produção e o mercado do etanol americano. Dizem até que é favorável a sobretaxas. Bush, por sua vez, queria deixar o etanol brasileiro entrar nos EUA.
Assim, nesse recorte específico e egoísta, a afirmação se justifica: Obama – melhor pro mundo, pior pro Brasil.
Curioso, não?
Tão curioso que conversei sobre isso com algumas pessoas. Fernando Steler, amigo e aprendiz, discorda. Pra ele, o que é bom pro mundo, é bom pro Brasil. Douglas Prieto, colega de trabalho e articulista do skate, tem suas dúvidas, mas afirma: “se eu fosse americano, votaria no Obama”. Lauro Larsen, ex-cunhado e colecionador, concorda. Ele não entende como o mundo todo pode achá-lo tão legal.
Eu também não entendo. Por não entender, suspeito. Sabe como é, criado em Marx, filosofia da suspeita, algumas coisas estão inseridas no nosso DNA. Melhor suspeitar, sempre.