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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

PRODUÇÃO COLETIVA

por Edu Zambetti

Esta confraria tem dois anos de resistência peculiar, de denuncia(mesmo que implícita) à configuração cultural aclamada pela grande mídia atual, cada vez mais embrutecida e paradoxalmente cada vez mais tecnológica. Fico feliz pela evolução tecnológica e angustiado pela irrazão disfarçada de neutralidade.

Muitos afirmam que não existe mais diferença entre o universo das grandes corporações culturais e o universo alternativo, que há espaço para todos e ainda que todos os pontos de vista são válidos, que todos estão certos...

Isto é tão belo de se ler que nos ilude a ponto de parecer uma premissa correta, e ainda, se pensarmos na velocidade, no fluxo de informações e nos ilimitados canais disponíveis na internet para todos os gostos e postos, quase que entenderemos esta miragem como algo real. Efetivamente não há esta democratização dos canais midiáticos, não há esta equalização das diversas faces da cultura, ou melhor, não neste sentido acima posto por muitos, mas sim naquele sentido que desvendou bem a nossa sociedade, ou seja, tudo é equalizado a ponto de ser visto como, digamos, dinheiro. Quanto se está ganhando? Quanto foi gasto? Por quanto pode ser vendido? Por quanto foi comprado?Quanto? A afirmação de que há lugar para todos e que tudo é válido, com certeza, parte de algum desdobramento destes quantos...

Há sim o espaço, ilimitado talvez, para a busca incansável pelo reverso do padrão industrial imposto à cultura, e tanto o Zinismo quanto muitos outros blogs, fanzines, músicos, ilustradores, cineastas, fotógrafos, escritores, jornalistas, estão ai almejando um patamar digno de outra face...Neste caso a preocupação é a de descobrir a qualidade das coisas e, ao descobrir, gritar (musicar, filmar, poetizar, postar, panfletar), o mais rápido e claro possível para que todos ponham sua atenção e também opinem...Mesmo que não pareça, é uma ligação conflituosa e não neutra em relação à midia padrão.

Qualquer um deste grupo sabe que, criar um blog pode ser fácil, mas trazer leitores e gerar uma tradição coerente é algo bem mais complexo, principalmente tratando de elementos fora do eixo imbecilizado da mídia óbvia. No caso do Zinismo, percebo que é neste sentido que entra a questão da resistência, não por uma maneira retrógrada de se compreender e expor a realidade (afinal fazemos isto num blog não é mesmo?), não simplesmente por uma postura vintage, não por pura nostalgia, não por mero saudosismo. Estes últimos elementos podem estar presentes, mas não formam a base desta confraria, aqui se busca uma emancipação para além da possibilidade de se ter um blog ou uma música no myspace, para além da quantidade de acessos, para além da passividade informacional...Aqui, mesmo aprisionado sob a lógica da equalização pelo quanto, se forma uma pequena partícula geradora de ação, mobilização e questionamento ou ainda, como o Viegas bem enfatizou, esta interação entre os escritores e leitores, transmissores e receptores fortalece, valoriza e engrandece as discussões e informações propostas indiretamente pelas postagens.

Como eu disse na comemoração de um ano de Zinismo:

Zinismo é papel virtual, xerox pixelizado e colagem digital, é transmissor e receptáculo das mentes que ocupam as cabeças que brilham diante do monitor enquanto seus donos escrevem, postam e disseminam as idéias mais diversas e com as abordagens necessárias ou, no mínimo, diferenciadas do comum. Zinismo é nosso Fanzine (...) Virtual sim, mas não difere da realidade dos seus colaboradores. Gostos, anseios, buscas e descobertas são compartilhadas tanto na roda de amigos quanto nas páginas da blogosfera zínica de maneira equivalente. Equivalente também é o ‘“zinismo.blogspot.com” se comparado a outros fanzines de papel confeccionados por qualquer um desta confraria; recursos e mecanismos diferenciados, mas idéias e convicções críticas e pulsantes como sempre. As músicas, os filmes, os escritores, os contos, os argumentos, os apontamentos, os elogios, as ilustrações seguem a mesma trilha em busca da distinção das coisas como sempre seguiram, tudo acrescido dos conhecimentos teóricos e práticos adquiridos por tais mentes diante de sua realidade...


Neste dois anos, o Zinismo se tornou um laboratório de todos. Dos autores, dos leitores presentes e futuros, dos colaboradores, dos críticos, dos que são foco das discussões, dos que já foram da confraria, dos que passaram por aqui sem muita atenção, dos que valorizam este trabalho, dos que ainda não o entenderam e dos que apenas sabem de sua existência...

...Para todos, fico feliz em também anunciar que o Zinismo está com sua edição comemorativa IMPRESSA quase pronta...

Zinai-vos.