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sábado, 3 de janeiro de 2009

PAÍS SEM MEMÓRIA

Por Marcelo Viegas

O governo brasileiro tem um site oficial, e nele há uma galeria dos presidentes da república. No texto “oficial” sobre João Goulart, um trecho chama a atenção: “O Movimento Militar vitorioso de 31.03.1964, depôs o Presidente João Goulart, que deixou imediatamente o País. No dia 02 de abril de 1964 o Congresso Nacional declarou a vacância da Presidência da República, assumindo-a o Presidente da Câmara dos Deputados, senhor Ranieri Mazzilli.”

Mentira. Mentira! João Goulart não deixou o país imediatamente. Quando o desgraçado do Auro Moura Andrade (senador) declarou “vaga” a presidência da república, ele mentiu. Mentiu para um país inteiro. Fez todos nós de bobos. Jango estava em Porto Alegre, pois no Rio Grande do Sul (seu estado natal) ele sabia que tinha mais segurança, graças principalmente a fidelidade do III Exército ao seu cunhado Leonel Brizola, que “depusera o governador Ildo Meneguetti e, mais uma vez, tentava levantar o povo para resistir ao golpe de Estado.” (Moniz Bandeira, em “O Governo João Goulart – As lutas sociais no Brasil 1961-1964”, Ed. Civilização Brasileira)

Um site oficial da presidência deveria ser um instrumento de lembrança num país sem memória. Mas transmite informação equivocada. O que é pior? Um país sem memória ou um país com memória mentirosa?