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sexta-feira, 6 de julho de 2012

93 FOUNDATION - EP #2


Segundo ato do 93 FOUNDATION. Um ano e oito meses depois da empreitada inaugural, aqui está mais um EPzinho virtual que, seguindo a receita do EP #1, traz dois covers. Sim, há planos de composições próprias no futuro, mas por enquanto vamos nos divertindo e testando com músicas dos outros...

Especulamos (eu, Marcelo Viegas, e meu comparsa Edu Zambetti) um bocadinho antes de definirmos os dois sons. Falou-se em Smiths, em Morrissey, em Lee Ranaldo, etc. Mas a primeira escolha foi Lemonheads. “Tenderfoot”, que faz parte do clássico Car Button Cloth (1996). Na verdade-verdadeira, esse som não é exatamente do Lemonheads, mas sim de uma obscura banda chamada Smudge. Até onde sei, um dos membros dessa banda, um tal de Tom Morgan, compôs algumas músicas para a banda de Evan Dando (como por exemplo “The Outdoor Type”, do mesmo disco), e também é co-autor de algumas letras, como “It’s A Shame About Ray”. Apesar da não-autoria, “Tenderfoot” ficou conhecida mesmo graças ao Lemonheads. Grande canção, sempre curti a sua melodia, e foi muito legal a sensação de gravá-la.

Contando com o bom gosto dos ouvintes/amigos, o Lado B não foi uma escolha do 93 FOUNDATION, mas sim sugestão de um brother, Daniel Justi. Foi ele que me disse uma vez: “Cara, por que vocês não gravam a ‘Why Do We’ do Samiam? Ela tem a cara do 93...” Apesar de gostarmos muito de Samiam, creio que nunca nos ocorreria de gravar esse som em especial. Por isso é bom confiar na opinião de quem está de fora: apesar da dificuldade pra cantar a parte gritada, foi uma experiência bem interessante e o Zambetti mostrou a categoria costumeira pra deixar o som lindão, tanto na parte mais “suave” quanto na intensidade do refrão. “Why Do We” é a faixa que encerra o álbum Astray (2000), na minha opinião o melhor disco da banda de Berkeley, Califórnia.

Pra fechar, os tradicionais agradecimentos: a foto de divulgação do EP #2 foi clicada por Elaine Kuntz, no dia (e na sala) em que apertamos o rec para registrar as vozes. Apesar das limitações, optamos por utilizar softwares livres (studio one free e krystal) e plugins vintage free para esta segunda gravação do 93F. O desenho da capa é uma cortesia cabulosa do nosso amigo Flávio Grão, que deixou essa ilustração comigo na época do primeiro lançamento. O Logo e a direção de arte levam assinatura do Guilherme Theodoro, que trabalha comigo na CemporcentoSKATE. Agradecemos à essas pessoas por contribuírem com seu tempo e talento, enriquecendo esse projeto. Thanx!

BAIXE AQUI O EP #2 DO 93 FOUNDATION!






SOBRE O 93 FOUNDATION


O 93 FOUNDATION não é exatamente uma banda, mas pode ser também - eventualmente e se quisermos - uma banda. É um projeto entre dois amigos que se conhecem há 17 anos, que possuem muitas afinidades musicais e cresceram impregnados pelo espírito do faça você mesmo. Ou seja, o negócio é realizar. Mão na massa.

Além disso, o 93 FOUNDATION é também um post musical. Explico: um post não precisa ser necessariamente um texto, um vídeo, um desenho ou uma resenha. Quem disse que precisa ser “só isso”? Tal regra não existe. Então, vamos explorar, abrir o leque. Aceite esse pacote zipado como um post do Zinismo, com a diferença de tratar-se de um post musical, um post tocado.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

CHUCK TREECE NO LEMONHEADS

Notícia particularmente importante para os skatistas, mas que interessa também os fãs de boa música: Chuck Treece, da banda clássica de skate rock McRad, é o novo baterista do Lemonheads. Vi um vídeo circulando pelo Facebook, e resolvi ir direto a fonte: perguntei pro Chuck e ele confirmou a história. O novo baixista é Fred Mascherino, da banda Taking Back Sunday.

Apesar de não existir nenhum (repito: NENHUM) rumor de show por esses lados, a presença do Treece na banda é um bom "começo", afinal ele já esteve três vezes no país nos últimos dois anos: uma com o Ray Barbee, e duas com o McRad, que inclusive conta com dois brasileiros na sua mais recente formação, o Juninho do RDP e o Mauricio Takara.

No vídeo logo abaixo, dá pra ver o ensaio, com Fred passando "it's a shame about ray" para Treece.



E aqui o trio completo, com áudio ruim, filmado pelo próprio Treece:



Clique aqui para ver todas as datas da tour 2012 do Lemonheads.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

THE LEMONHEADS & THE FUTUREHEADS

Por Marcelo Viegas

É um privilégio ver um show em Paris. Um privilégio ainda maior assistir um show do Lemonheads. Para abrir, nada menos que The Futureheads, uma banda inglesa das mais interessantes. Um clube pequeno, La Maroquinerie, foi o palco dessas apresentações, no dia 18 de setembro de 2008.

Com casa cheia o Futureheads subiu no palco. Um esporro do começo ao fim, sem trégua. Competentes ao extremo, os ingleses desfilaram um set baseado – majoritariamente – no seu disco novo, “This is not the World”. Mas também tocaram coisas do antecessor, “News and Tributes”, como “fallout” e a ótima “skip to the end”, acompanhada com palmas e cantoria pelo público. Quem já era fã da banda saiu rindo à toa, e quem não era foi visto comprando o disco no final do show. Agora era esperar pelo Lemonheads...

Sem firulas ou ego, Evan Dando entrou no palco como quem entra na sala de casa. Foi tão anti-star que muitos acharam que era um roadie. Apenas uns poucos quilinhos acima do peso, Evan é o mesmo relaxado de sempre, a começar pelo cabelo, idêntico aos áureos tempos da banda. Camiseta do Iron Maiden, calça jeans rasgada e um All Star branco, velho e surrado, completavam o visual do ex (ex?) símbolo sexual do rock alternativo.


Com uma nova formação (uma pena, daquelas bem lastimáveis, o fato de Karl Alvarez e Bill Stevenson, do Descendents/ALL, não estarem mais ao seu lado), o Lemonheads presenteou os fãs com um set list saudosista. Abriram com “rockin stroll” e tocaram o clássico álbum “It´s a Shame About Ray” na ordem e inteiro. Isso mesmo, na ordem do disco e de ponta a ponta, com exceção do cover de “mrs robinson”, que ficou de fora. Ainda bem.

A platéia, mezzo atônita (“cadê as músicas novas?”), mezzo realizada, entrava num túnel do tempo surreal, de volta a 1992. Evan estava doidão? Claro que estava, mas esse é o seu modus operandi há vinte anos. Talvez por isso, reflexo dos abusos, sua voz não seja mais a mesma. Aliás, na primeira metade do show estava sofrível. Ele colocou a culpa no ar condicionado do avião (“desculpem pela minha voz de avião”), e de fato sua voz foi esquentando e melhorando no decorrer do show.


Outras pérolas do set: “it´s about time”, “hospital”, “if I could talk i´d tell you” e “the great big no”. Por duas vezes a banda saiu do palco, e Evan encarou os parisienses sozinho. Por sorte, sua voz já estava recuperada nessa altura do campeonato. “Into your arms” foi apresentada assim, acústica e linda. De arrepiar. A única música do álbum mais recente (auto-intitulado) foi justamente a última do set, no bis, fechando esse show histórico: a fantástica “no backbone”, cantada em coro por um brasileiro que assistia o show bem em frente ao palco.

Evan sorriu. Talvez tenha pensado: “Ufa, alguém conhece as novas”. Disse adeus, virou as costas e deixou o palco, com a mesma simplicidade com que havia entrado. Ele sabe que não precisa provar mais nada pra ninguém. Ele já fez história, e às vezes pode brincar de visitá-la, como nesse show, numa fria noite em Paris.





Fotos: Oliver Peel e Anjali Knebworth