
Amanhã, 18 de junho, o calendário marcará um ano da morte de José Saramago. Para o caso do esquecimento ou da impossibilidade, fica aqui, algumas horas antes, o nosso registro. Pilar del Río tem razão: é estranha essa ausência de alguém que continua tão presente - e principalmente tão necessário, demasiadamente necessário nesse mundo cada vez menos humano - em nossas vidas.
Enfim,
Recorro às palavras da viúva:
"O avião que transladaria o corpo de José Saramago chegou a Lanzarote perto da meia-noite do dia 18 para sair no dia seguinte de manhã, já com a sua carga singular, o caixão e os amigos mais próximos do escritor. Para se despedirem dele, a Fundação César Manrique convidou os ilhéus a que deixassem as suas casas e o trabalho, descessem à rua e lessem em voz alta fragmentos dos livros que Saramago escreveu em Lanzarote, de modo a que a última saída da ilha fosse acompanhada pelo eco da sua voz. Depois, quando o avião aterrou em Lisboa, outra surpresa aconteceu: pessoas erguendo livros, levantando-os do chão como Saramago havia levantado a vida de tantas pessoas humildes nas suas diversas ficções e, sobretudo, na sua escolha dilecta. Após a cerimónia na Câmara Municipal, o cortejo partiu para o cemitério. Ali foi o adeus definitivo, um grupo de pessoas dentro da sala do crematório celebrou o facto de ter partilhado a intimidade de um homem grande, enquanto lá fora havia um mar de livros e de cravos vermelhos, dois símbolos que engrandecem quem homenageia e quem é homenageado."
Leia o texto na íntegra aqui.
Amanhã as cinzas de José Saramago serão depositadas diante da Casa dos Bicos, em frente ao Rio Tejo, em Lisboa.
foto: caixão de José Saramago, na chegada a Lisboa, em junho de 2010.
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