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sexta-feira, 17 de junho de 2011

UM ANO SEM SARAMAGO


Amanhã, 18 de junho, o calendário marcará um ano da morte de José Saramago. Para o caso do esquecimento ou da impossibilidade, fica aqui, algumas horas antes, o nosso registro. Pilar del Río tem razão: é estranha essa ausência de alguém que continua tão presente - e principalmente tão necessário, demasiadamente necessário nesse mundo cada vez menos humano - em nossas vidas.

Enfim,

Recorro às palavras da viúva:

"O avião que transladaria o corpo de José Saramago chegou a Lanzarote perto da meia-noite do dia 18 para sair no dia seguinte de manhã, já com a sua carga singular, o caixão e os amigos mais próximos do escritor. Para se despedirem dele, a Fundação César Manrique convidou os ilhéus a que deixassem as suas casas e o trabalho, descessem à rua e lessem em voz alta fragmentos dos livros que Saramago escreveu em Lanzarote, de modo a que a última saída da ilha fosse acompanhada pelo eco da sua voz. Depois, quando o avião aterrou em Lisboa, outra surpresa aconteceu: pessoas erguendo livros, levantando-os do chão como Saramago havia levantado a vida de tantas pessoas humildes nas suas diversas ficções e, sobretudo, na sua escolha dilecta. Após a cerimónia na Câmara Municipal, o cortejo partiu para o cemitério. Ali foi o adeus definitivo, um grupo de pessoas dentro da sala do crematório celebrou o facto de ter partilhado a intimidade de um homem grande, enquanto lá fora havia um mar de livros e de cravos vermelhos, dois símbolos que engrandecem quem homenageia e quem é homenageado."

Leia o texto na íntegra aqui.

Amanhã as cinzas de José Saramago serão depositadas diante da Casa dos Bicos, em frente ao Rio Tejo, em Lisboa.

foto: caixão de José Saramago, na chegada a Lisboa, em junho de 2010.

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terça-feira, 22 de março de 2011

TODOS PARA LANZAROTE!



No dia 18 de março, foi aberta ao público "A Casa", complexo que integra a casa e a biblioteca de José Saramago, em Tías, Lanzarote (Espanha). Nove meses depois da morte do ilustre escritor português, a Fundação que leva seu nome (presidida pela viúva Pilar del Río) decidiu compartilhar com o público uma parte importante da intimidade de Saramago. Mais ainda, da intimidade do casal. Celebremos, portanto. E tratemos de economizar os trocados para visitar as Ilhas Canárias! "Porque nove meses depois continuamos a recordar quem não queremos esquecer. Nunca." (trecho entre aspas extraído do comunicado oficial da FJS)

Recomendo a leitura do texto de Pilar del Río, comovente e sincero, no qual explica um dos motivos da decisão de abrir "A Casa" ao público. Leia Nueve Meses Después aqui.



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sábado, 23 de outubro de 2010

SARAMAGO, GRAFFITTI, MÚSICA E MUITO MAIS


SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
America Latina: Bicentenário de uma Luta Inacabada

A Semana de Ciências Sociais 2010 acontece de 25 a 30 de outubro sob o tema “America Latina: Bicentenário de uma Luta Inacabada” e será um evento interinstitucional, evolvendo a Fundação Santo André, através do Colegiado de Ciências Sociais, PUC e Cásper Líbero. O evento mobilizará pesquisadores do Chile, Argentina, Colômbia e de diferentes universidades brasileiras, além da participação do professor Dr. Marco Vanzulli da Universidade de Milão, na Itália.

Dos diversos debates e oficinas, o Zinismo destaca:

A POÉTICA DE JOSÉ SARAMAGO

Coordenação:

Prof. Dr. ANTONIO RAGO FILHO

Convidada:

DALILA TELES VERAS

DATA: 25 a 29 de outubro de 2010 - 18:00h

LOCAL: FAFIL – Sala 37

TRAÇOS LATINOS - OFICINAS: GRAFFITTI - TEATRO DO OPRIMIDO

Coordenação:

Discentes LÍVIA XAVIER. LEONARDO CÓRIA e VALDIR SIQUEIRA JÚNIOR

Convidada:

Sarah Reimann

DATA: 26 E 27 de outubro de 2010 - 18:00h

LOCAL: FAFIL – Sala 36

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: A TRAGÉDIA DE ANNE FRANK

Coordenação:

Discentes JOÃO , LUÍS CLÁUDIO, RAFAEL COLAVITE

Convidados:

GRUPO DE TEATRO AMADOR

DATA: 28 de outubro de 2010 - 18:00h

LOCAL: FAFIL – Sala 35

CHILE – MÚSICA E RESISTÊNCIA

Coordenação:

Discente NATÁLIA ANDRADE DOS SANTOS

Convidados:

ORLANDO SEGÓVIA]

ANDRÉ OLIVEIRA

DATA: 28 de outubro de 2010 - 18:00

LOCAL: FAFIL – Sala 36

Mais informações: http://www.colegiadosociais.com
Mapa das Salas:
http://www.colegiadosociais.com/images/mapa_fafil.jpg
Data: De 25/10/2010 a 30/10/2010
Horário: Das 19:30h às 22:30h
Local: Fundação Santo André
Endereço: Av. Principe de Gales, 841 - Principe de Gales - Santo André - SP - Brasil
Realizador: Colegiado de Ciências Sociais

em tempo:

Além da Semana de Ciências Sociais, ainda dá tempo de ver alguns dos filmes no Ciclo de Filmes e Debates sobre a situação econômica dos EUA.

DIA 30/10 – “SICKO: SOS SAÚDE”. Uma análise sobre o decadente e excludente sistema de saúde dos EUA. Em uma comparação com os sistemas de saúde do Canadá, França, Inglaterra e Cuba, o filme mostra como custa caro ficar doente numa das principais potências do capitalismo contemporâneo.

DIA 06/11 – “CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR”. Uma crítica bem humorada ao sistema financeiro, à relação entre os governos e empresas/bancos, que mostra as contradições do desenvolvimento capitalista nos séculos XX e XXI.

TODOS OS FILMES SERÃO APRESENTADOS NO AUDITÓRIO DA FAECO,
SEMPRE AOS SÁBADOS, ÀS 10H00.

APÓS OS FILMES, DEBATE COM O PROF. MARCELO BUZETTO: doutorando em Ciências Sociais pela PUC/SP, coordenador do NELAM/CUFSA, professor nos cursos de Relações Internacionais e Administração de Empresas (CUFSA)

sábado, 16 de outubro de 2010

JOSÉ & PILAR: TRAILER

Estreia em novembro (pelo menos essa é a informação que circula) o filme "José & Pilar", que retrata a intimidade - com ressalvas, claro -, o amor e o cotidiano do casal José Saramago e Pilar Del Río. Já estava circulando um trailer com legendas em inglês, mas esperei que saísse esse com legendas em português para postar aqui.

Uma "pequena" amostra do amor de Saramago por Pilar: "Se eu tivesse morrido aos 63 anos antes de lhe ter conhecido, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora".

Zinismo recomenda e aguarda ansiosamente a estreia:



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segunda-feira, 21 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO - LEVANTADO DO CHÃO




Documentário de Alberto Serra, exibido pelo canal RTP em 2008.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

MORRE JOSÉ SARAMAGO


Morreu nessa sexta-feira o escritor José Saramago, aos 87 anos, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. Morreu em companhia da mulher Pilar, na sua casa em Lanzarote, onde morava desde 1993.

Perdemos, assim, o último gigante do pensamento humano.

Valeu, Zé. Por dar mais sentido às nossas vidas com suas palavras, por dar mais força à nossa luta com seu exemplo, enfim, por tornar nossa existência menos ordinária.

O mundo, que já não é dos melhores, fica ainda pior sem você.






ps. estive com o mestre uma vez, e contei essa história aqui.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

SARAMAGO BLOGUEIRO


Por Marcelo Viegas

Pois é, senhoras e senhores, quem pensava que blog é uma coisa fútil, um passatempo de adolescentes bobocas ou nerds sem vida social, vai ter que engolir a seco. José Saramago, o maior escritor de língua portuguesa vivo, também possui um blog. No ar desde setembro de 2008, O Caderno de Saramago nasceu como algo bem "despretencioso" (se é que podemos dar tal denominação para qualquer coisa que ele escreva), deixando claro inclusive que não assumiria o compromisso da periodicidade. Escreveria quando bem entendesse, avisando que não adotaria o mesmo tipo de comprometimento que teve com os "Cadernos de Lanzarote".

Mas o velhinho tomou gosto pela coisa. Os posts foram ficando cada vez mais frequentes, e o resultado disso é que acaba de ser lançado em Portugal (ainda sem notícias de uma edição brasileira) o livro "O Caderno", reunindo todos os textos publicados no blog desde sua estreia até março de 2009.

Claro está, como ele mesmo gosta de dizer, que nem preciso recomendar a leitura do blog, não é mesmo?

E pra fechar, eis o que sua esposa, Pilar del Río, disse sobre o novo livro:

"Sim, Saramago está numa boa maré e oferece-nos um novo livro. Não serei eu quem o perca. Não mo poderia perdoar nunca. E, a propósito, digo: Se Saramago o escreveu, vamos lê-lo. Ao fim e ao cabo escreve para nós, seus amigos, seus leitores, os que sabemos que somos singulares e donos do nosso pensamento e da nossa expressão. E Saramago é o porta-voz."

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

SINTONIA DE IDÉIAS


Por Marcelo Viegas

Prólogo

Coincidências existem. O que não existe é o destino. Acreditar que as coisas estão pré-determinadas é discurso de vagabundo: equivale a “largar mão”, afinal que diferença faz? Se há o destino, nada do que fazemos mudará o que está escrito. É cuspir em tudo que construímos até hoje, a tal da história da humanidade. As coisas são como são, é o que dizem. Óbvio, mas são como são porque nos mexemos para que assim seja e porque para algum lugar elas deveriam ir. O contrário é que seria assustador. Na pequenez do nosso dia-a-dia, nos pequenos atos que parecem desconectados da grandeza desse mundo, acrescentamos nossa sagrada contribuição para que as coisas continuem indo para algum lugar. Mesmo que nós não tenhamos a menor idéia pra onde seja.

Rumo a Lanzarote

Tenho o costume de ler antes de dormir. Bom, eu e outros milhões de pessoas no planeta, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que, em alguma noite de 2008 (e se minha memória não me engana deve ter sido em algum momento do primeiro semestre), peguei o Cadernos de Lanzarote, de José Saramago, e mergulhei naquela meia hora de leitura pré-sono. A leitura transcorria agradável, e lembro que pensei na importância do escritor português. Fixei-me na idéia de que ele é talvez o último gênio vivo da literatura. E que lê-lo em vida, portanto, é um privilégio. Recordei Jorge Amado, Paulo Freire, José Chasin, Darcy Ribeiro, Jacob Gorender e tantos outros, hoje finados, mas que tive o prazer de ler enquanto respiravam o mesmo ar que eu. Não digo que fossem gênios como Saramago, mas isso não tirava a satisfação de compartilhar de suas idéias com eles por aí, ainda a tê-las.

Naquele momento de divagação e com essas abobrinhas na telha, tive um insight: “Nesse exato momento em que estou lendo seu livro, o que será que passa pela cabeça de José Saramago?” Não obtive resposta. E decidi continuar a leitura.

Transcrevo exatamente o parágrafo seguinte com o qual me deparei:

Ray-Güde informa-me de que recebeu da Polônia resenhas acerca do Evangelho e que este se encontra na lista de obras de maior venda. Lamenta não ser capaz de me traduzir as opiniões da imprensa polaca, mas vai adiantando que o escritor Andrczej Sczcipiorski, o mais importante dos autores polacos publicados pela mesma editora, gostou muito do livro... Ouvindo isto, ponho-me a imaginar o que mais gostaria de fazer nesta altura da vida (sem ter de perder nada do que tenho, claro está), e simplesmente descubro que seria perfeito poder reunir em um só lugar, sem diferença de países, de raças, de credos e de línguas, todos quantos me lêem, e passar o resto dos meus dias a conversar com eles

Travei na hora. Uma sensação de plena felicidade chegou como uma onda, e deixei que ela me arrastasse. Fui pra bem longe do meu quarto, viajei pras Ilhas Canárias, mais exatamente pra mais oriental das ilhas desse arquipélago: Lanzarote. Parei na casa de muro branco - que possui curiosamente o nome de A Casa -, abri a porta, brinquei com os cães e dei a mão ao mestre Saramago.

O parágrafo acima é – claro está, como ele mesmo gosta de dizer – fruto da minha imaginação, mas todo o resto é verdadeiro. Esse humilde ateu aqui, e o ateu famoso autor do Memorial do Convento, juntos numa coincidência que muitos não perderiam a chance de classificar como “a prova irrefutável de que o destino existe”. Penso diferente: foi apenas uma grande e deliciosa coincidência. E tenho certeza que o Saramago diria o mesmo.

Epílogo

Acabei de chegar em casa. Estive com Saramago. Não, não fui a Lanzarote. Saramago é que veio até nós, para o lançamento mundial do seu novo livro, A Viagem do Elefante. Debilitado pela doença, mas lúcido, absolutamente lúcido. Feliz por estar vivo. Aproveitando cada momento, cada instante. E querendo mais. “Tempo”, disse ele. “Vida”. Desnecessário dizer que esse é o voto generalizado: que ele tenha muito tempo e vida pela frente, para continuar escrevendo e, dessa forma, dando mais sentido ao nosso tempo e a nossa vida. Essa é a coincidência que encerra. No dia do meu post, “coincidentemente” sobre o Saramago, tive a honra de encontrá-lo. Um brinde ao mestre! Um brinde ao imponderável!