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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

UMA CASA, FESTAS, VÍDEO DO MR. BUNGLE E GENERAL PATTON NO ATAQUE!

Eu não vou saber precisar o ano que isso tudo rolou. Foram tantas as festas na “Playstereo” que não tem como querer que meus pobres neurônios responsáveis por datas tivessem sobrevivido a tanta esbórnia!


A tal Playstereo era uma casa ali no bairro da Saúde em São Paulo (e também uma loja na Galeria do Rock, mas isso é outra história!). Na casa moravam oficialmente Rafael Crespo (Planet Hemp/Polara/Spicy Records), Fábio “Parteum” Luiz (Styllos!, mzuri sana, + uma marca com o Fabio Cristiano e o Roger Mancha que eu não lembro o nome!) e ainda Marcelo Fusco (Againe/Objeto Amarelo/Trezeta Distro) e depois sua esposa Cris, mas sempre tinha uns agregados como o Charlie Lorenzi desde Buenos Aires (Killer Dolls) e David Sinclair from Califórnia (Gardener). Além de goma oficial dos caras, a casa também servia de conglomerado empresarial e sediava o escritório dos selos Spicy, sHort e Playstereo, escritório da distro Trezeta, escritório da marca do Fábio, estúdio, e claro, pico para memoráveis festas!!!


Nessas festas, sempre que o grau etílico da galera chegava no ponto ápice tudo se resumia a assistir dois vídeos: o “Rock and Roll Circus” do Rolling Stones e um show do Mr. Bungle, a outra banda do general Patton tema dessa semana temática espontânea, que era algo surreal pra gente na época! É claro que a gente assistia uns 300 vídeos antes, mas sempre acabava nesses dois, e meio que nessa ordem porque o show do Mr. Bungle era TENSO!


O Mr. Bungle pra quem não conheceu era uma banda experimental que ia do jazz ao death metal em segundos e com uma classe inigualável! Agora, junte músicos excelentes e insanos, macacões, máscaras digamos, mezzo terror, mezzo sado-maso (o show é de 92 portanto o Slipknot devia estar na platéia e olha lá!!!) e coloque o General Patton com sua voz “eu-faço-o-que-eu-quiser-com-a-garganta” e sua fúria e loucura: o resultado é bombástico!


O show começa e conforme os climas das músicas vão ficando mais obtusos, mais a tensão entre Patton e seus fieis seguidores aumenta, a coisa vai esquentando e o que era o auge para os expectadores dos vídeos na festas da Playstereo acontecia: as vias de fato! Patton sobe nos PA’s. Um fã tenta subir e Patton o empurra. Um fã dá uma sapatada (?) em Patton, outro tenta subir e leva uns tapinhas. Os fãs começam então a tentar puxar Patton pra baixo, ele olha, e não tem dúvidas do que fazer!


O Viegas achou o vídeo semana passada, então, divirtam-se como a gente se divertia na Playstereo!



Como o Viegas também era um dos envolvidos com a Playstereo e principalmente com a história desse vídeo, eu até o convidei para escrevermos algo juntos aqui. Tanto pelo conhecimento de causa como pela minha admiração pelos textos dele, mas não deu, de qualquer forma, ele faz uma réplica nos comentários com certeza! Não é Viegas?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SEMANA TEMÁTICA ESPONTÂNEA: MIKE PATTON




Inspirados pelo post anterior, da antológica entrevista com Mike Patton em 1991, decidimos fazer um processo inverso dessa vez: ao invés de estabelecer um tema previamente, foi o tema que se autoestabeleceu. Agora cabe a cada um de nós fazer sua parte para contribuir com a sensacional SEMANA TEMÁTICA ESPONTÂNEA: MIKE PATTON.

É desnecessário, nessa altura do campeonato, listar os feitos do artista que o credenciam a tal reverência. Ele merece, e ponto final.

Esperamos que tenha gostado da entrevista e que aproveite um pouco das nossas opiniões, histórias, fatos, mentiras e boatos sobre o General Patton.

Bom apetite.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A ÚLTIMA PROMESSA


(por Edu Zambetti)

Não era viciado em jogo, mas Epaminondas Duran nutria grande admiração pela iconografia das cartas e pela surreal lógica típica das mesas de jogatina. Na verdade era admirador também de desafios absurdos, apostas sem fundamento e fezinhas no jogo do bicho.
Pensando melhor, Epaminondas era sim, um viciado em jogo. Mas disfarçava bem, pelo menos tentava. Dizia ele: Há coisas em nós que são mais fortes do que nós mesmos.

Fazia alguns meses, precisamente um ano, havia perdido para o velho Diego Figura ( Dom Figura ou Figurão como também era conhecido) toda a grana que ganhara como músico nos anos setenta e quase tudo o que herdara de seu pai, com exceção de um surrado, porém excelente violão, e da quase misteriosa mala de partituras raras. Foi deprimente, mas isto feriu mais seu íntimo do que o seu bolso, afinal, nunca teve uma vida cheia de ostentações materiais.

Dizem que até hoje ele é dono de um grande carisma, de um bom humor inabalável e da rara fobia que consiste em nunca cumprir o prometido. Aliás, todos os seus amigos, verdadeiros ou falsos, sempre caçoaram dele por esta característica, mais do que isto, sempre comentaram pelas suas costas, sempre o tiveram como um grande perdedor, um homem sem metas, gente boa, mas perdedor.

Faltava um dia para terminar o ano e Epaminondas procurou Diego Figura com uma aposta absurdamente ousada, se fosse para frente, ele poderia recuperar a grana perdida e curaria aquele buraco negro em seu íntimo.

Chegou decidido, despejando palavras para espanto de seu interlocutor:


- Dom Figura. Tenho uma aposta irrecusável para propor, mas será do meu jeito ou não faremos.


O Figurão deu um gole rápido no seu gim tonica e, com o olhar de uma cobra velha que aponta para sua presa fácil, respondeu utilizando só um lado dos lábios:



- Mas olha só quem veio me procurar! Não aprendeu ainda? Seu negócio é rock de bicho grilo, já não basta ter perdido toda sua grana no ano passado e você vem me propor outra aposta. Gosta de perder uma vez por ano? Bom...Como sou generoso, diga logo o que quer apostar...Vamos ver o que sua mente planejou desta vez. Vai tentar pular de pára-quedas ordenhando uma cabra novamente? Nesta eu lucrei bastante...e como lucrei.

- Não, eu estava completamente chapado quando propus esta doideira...Você me conhece né Figura? Todos dizem que, embora sempre honre minhas dívidas de jogo, nunca cumpro minhas promessas. Na verdade sinto pavor ao pensar em cumprir o prometido e é justamente aí que está minha aposta.

- Conheço você muito bem Epaminondas, desembucha logo!

- Farei quatro promessas neste final de ano. Escreverei as quatro, colocarei em envelopes separados e revelarei duas apenas. As outras duas nós guardaremos dentro daquele cofre em formato de pirâmide e será aberto um dia antes do final do ano que vem. Eu garanto que consigo cumprir pelo menos uma das quatro promessas e, se fizer isto, o senhor me devolve aqueles “um milhão e setecentos mil” que perdi no ano passado. Se eu não conseguir cumprir nenhuma delas, garanto lhe entregar os bens mais valiosos de minha vida. Eu, Epaminondas Duran, perderei o meu velho violão e a mala de partituras que o senhor sabe muito bem o valor.

Diego Figura sentiu o estômago ferver. Desde sempre cobiçou aquela mala de partituras como se fosse o elixir da longa vida. Fora isto, o tal violão, dizia a lenda local, teria passado pelas mãos dos maiores violinistas do mundo antes de chegar até o pai de Epaminondas. Antes de responder, deveria esconder sua emoção e manter o seu clássico olhar peçonhento.

- Olha aqui seu roqueiro aposentado. Eu sei que você tem esta tal fobia e sei que é um perdedor nato, mas cumprir uma promessinha de merda não vale esta grana toda. Terá que cumprir pelo menos duas das promessas, e não me venha com promessinhas do tipo “vou me matricular na academia” ou “vou estudar uma língua estrangeira”. Mesmo assim, só vou topar por causa do grande gênio da música que seu pai foi. Por você, talvez eu nunca fizesse esta generosidade.

- Dom Figura. Garanto que consigo cumprir duas das promessas escritas. O senhor está aceitando a aposta agora?

- Epaminondas. Garanto que você não consegue cumprir promessa alguma, nem que tivesse cem anos para tentar. Aceito a aposta. Já me sinto dedilhando aquele violão.

Na capa dos envelopes lia-se: Promessa Um. Promessa Dois. Promessa Três. Promessa Quatro.

Todas foram escritas ali mesmo, com letras trêmulas e caneta barata.
Duas foram reveladas e provocaram risos em Dom Figura.
Na primeira, Epaminondas cortaria por completo a barba cultivada desde junho de 1969, sua marca registrada na época de sucesso. Na segunda, tocaria, sem erro algum, uma música que tanto seu pai como Diego Figura admiravam muito. Sarabanda Variada de Haendel seria executada, dedilhada, servida com alma de maestro e sem falhas.

Conforme o combinado, as outras duas foram diretamente para o cofre piramidal e os envelopes ficariam intocáveis até o dia D. Só Epaminondas sabia seu conteúdo.


No decorrer do ano os calendários passaram de forma diferente para cada um deles. Lento demais para a ganância de Dom Figura e rápido demais para a fobia de Epaminondas Duran. De qualquer forma, independente das fases da Lua, crises econômicas, capítulos de novelas ou conflitos internacionais, o tal dia chegou. O olhar de perdedor encontraria o olhar venenoso, a aposta seria julgada e, naquela altura do campeonato, todos os viciados e admiradores da jogatina local estavam lá naquela sala escura da casa clandestina de apostas para presenciarem a derrota. A vitória seria notada também, mas só a derrota viraria história definitiva.

Epaminondas apareceu de banho tomado, expressão leve e barba feita, mas não totalmente.O Bigode descia pelas laterais do rosto dando um ar de cantor country ao roqueiro aposentado.
Sua fobia não permitiu, impediu assustadoramente que o bigode fosse raspado. Alguns chegaram a tremer de raiva ao ver tamanha fraqueza.


Sentou em um banquinho, sacou uma partitura amarrotada do bolso, pegou um violão fabricado em Taiwan e tocou os dois primeiros compassos da música combinada. Executou com toda a alma que a arte merece, mas antes do terceiro compasso, atirou longe o violão e cuspiu na parede enquanto todos gargalhavam, todos, inclusive ele próprio, que ria mais de sua fobia do que de si mesmo.


O Figurão teve que falar...


- Amigos. Como vocês podem ver, este perdedor não conseguiu nem fazer a barba direito, está parecendo o Leôncio dos desenhos animados. Epaminondas, porque você insiste em fazer as coisas pela metade? E a música? Eu lhe pagaria a aposta com prazer se você executasse Sarabanda Variada de Haendel na integra, e olha que você começou bem...As promessas não foram cumpridas!!!

- Dom Figura, ainda faltam aquelas promessas do cofre...Posso abrir?

Promessa número três: Prometo que não cumprirei a promessa número um, nem a promessa número dois, ou seja, as duas promessas reveladas.

Promessa número quatro: Prometo que ganharei, com louvor, um milhão e setecentos mil de Dom Figura.

Tanto Diego Figura quanto os falsos e verdadeiros amigos de Epaminondas Duran nunca haviam presenciado resultado tão peculiar. E, para um homem de olhar peçonhento como o do Figurão, até que ele aceitou bem a derrota. Pagou centavo por centavo, o que não lhe fez tanta falta, afinal, morreria três dias depois do ocorrido.

É claro que muitos tentaram anular a aposta e argumentar com esta ou aquela desculpa, mas o jogo é assim; não há espaço para meias verdades ou, no caso, meios resultados. Epaminondas cumpriu na integra duas das promessas e levou a grana conforme o combinado.


Em casa, afinou precisamente o surrado e cobiçado violão, respirou fundo, bebeu um gole de vinho tinto de mesa e executou Sarabanda Variada de Haendel de acordo com uma antiga partitura e quase com a inspiração mágica de seu pai.
Em seguida, tirou calmamente do bolso mais um envelope com letras trêmulas:

Promessa número cinco: Prometo driblar, enganar, ludibriar aquele idiota do Diego Figura.


Três dias depois, num ato de nobreza, pagou todas as despesas do funeral do peçonhento jogador.


(Epaminondas Duran fez muito sucesso nos anos 70 com seu grupo " Epoxydurê e as Hippies de Shangri-lá")

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

PROMESSAS DE ANO NOVO – A FRALDA GERIÁTRICA

Já faz uns três anos que esse é um pensamento recorrente. Toda vez que, no auge da cervejada (geralmente no melhor da conversa), pinta aquela vontade de ir ao banheiro dar uma mijada, eu sempre comento que na virada do ano minha promessa será usar fraldas geriátricas!
Acho um saco para de trocar idéia pra ir ao banheiro!
Pra aumentar ainda mais meu ímpeto nessa questão, logo depois das primeiras vezes que eu comentei isso com alguns amigos, vi em um desenho no “Adult Swin” que o cara bebia a noite inteira sem ir ao banheiro uma vez sequer, o segredo: Claro! Uma fralda geriátrica! Eu sinceramente acho que isso seria um facilitador da vida moderna!
Bom, algumas pessoas não gostam disso. Preferem sugerir que eu pare de beber. Talvez eles estejam certos, mas eu prefiro o fraldão!
Porém a bebida e o fraldão criaram um paradoxo em relação às promessas de ano novo. O fato é que pra mim, a promessa só vale se for feita ali na virada. O problema é que nos últimos réveillons, geralmente eu estava bêbado demais pra me lembrar da promessa e do fraldão, e não foi diferente nessa última virada!
Droga, mais um ano inteiro interrompendo as conversas para ir ao banheiro mijar! Que saco!

Fora isso, o de sempre: Eu vou continuar mentindo, eu prometo!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

PROMESSAS DE ANO NOVO - A JAQUETA BUDISTA



Quero uma jaqueta budista.
Confeccionada com tecidos sintetizados a partir de plantas do Tibet.
Com seu ziper hermeticamente isolo-me das intempéries mundanas da cidade.
E mantenho meu ego menor do que eu.
E poderei praticar no ano que começa:
A sabedoria, a benevolência, a justiça, a cortesia e a fé.
São minhas promessas para o ano novo.
( mas só se eu ganhar a jaqueta budista ).

domingo, 11 de janeiro de 2009

QUARTA SEMANA TEMÁTICA ZINISMO - PROMESSAS DE ANO NOVO



Muntazer al-Zaidi promete treinar sua pontaria para o ano de 2009...



E por incrível que pareça você pode ajudá-lo nessa missão.

QUARTA SEMANA TEMÁTICA ZINISMO -PROMESSAS DE ANO NOVO
DE 12 à 19 DE JANEIRO DE 2009

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

EM ÉPOCA DE RECESSÃO, PIRATARIA É A SOLUÇÃO!

Compras é uma palavra que vem sumindo do meu vocabulário, principalmente quando se trata de natal.
Eu sou do tipo que não é muito fã da data, mas no fundo acho legais os presentes! Por isso esse ano, minha lista de presentes, sejam os que eu me dei, como os que eu darei a alguns amigos e amigas, são todos provenientes da “pirataria digital”! É isso mesmo! Uma penca de álbuns, filmes, documentários, shows e até softwares, tudo direto do maravilhoso mundo dos downloads gratuitos e ilegais da internet! O que por sua vez está afetando diretamente a economia mundial, uma vez que tal prática tem gerado um aumento no desemprego entres os duendes e as renas lá no pólo norte! Mesmo assim, meu bolso agradece!

E como eu costumo dizer lá no “meu” MOSCAS, já que eu sou um cara bonzinho, legal e modesto, vou partilhar aqui com a geral muitos desses presentinhos!

Boas festas e bom 2009 pra todo mundo e divirtam-se com os meus presentinhos!
Espero que vocês gostem! Eu tentei ser até eclético!!!

DVD’s (torrent)

Justice - A Cross The Universe
Documentário - 2008
Dir. Romain Gavras, So Me and Justice
O documentário "A Cross The Universe" mostra a primeira tour do Justice, duo de música eletrônica formado por Xavier de Rosnay & Gaspard Auge pela América. Gravado em 20 dias, o filme vai desde festas malucas, shows insanos, casamentos com groupies em Las Vegas e muita confusão por conta do fascínio do tour manager por armas e por conta de uma briga entre Xavier e um bêbado no último show (momento ápice do doc!) que acaba rendendo algumas prisões pros caras!

"JUSTICE - A Cross The Universe" - Docto. - DVD - Torrent - DOWNLOAD

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The Mars Volta - Nissan Live Sets - DVD
Show - 2008
Apresentação bombástica de uma das mais chapadas banda desse planeta rock. O The Mars Volta re-visita toda a carreira de forma acústica (nas duas primeiras músicas) e plugada. O vídeo ainda conta com uma entrevista feita por fãs e cheia de bom humor. Videoteca básica para fãs de boa música e pra quem gosta de experimentalismo e muito improviso no rock!

The Mars Volta - Nissan Live Sets - DVD - Torrent _ DOWNLOAD



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We Jam Econo - The Story of Minutemen
Documentário - 2005
Dir. Tim Irwin
Porra!!!! Minutemen! D. Boom! Mike Watt! George Hurley! SST! Nem precisa falar muito desse documentário!!! Ele já nasceu clássico só pelo fato de falar da mais insana banda do hardcore americano. Mais precisamente do começo oficial do hardcore americano já que é bom lembrar que se o "Nervous Breakdown" do Black Flag é o SST 01, o SST 02 é "Paranoid Time" de D. Boom e Cia.
Coisa linda di jisuis!!!

We Jam Econo - The Story of Minutemen - DVD - Torrent - DOWNLOAD

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Minor Threat - Live at DC Space - Buff Hall - 9:30 Club
Shows - 1980/82/83
Uma das mais cultuadas bandas do hardcore americano! O registro histórico de três shows em diferentes épocas e ainda uma entrevista com Ian Mackaye.
Fala sério! Eu não preciso explicar muito pra vocês que lêem o Zinismo sobre a importância deste vídeo, muito menos do Minor Threat. O trabalho nesse caso, é só baixar e assistir inúmeras vezes!!!
Minor Threat - Live at DC Space-Buff Hall-9:30 Club - DVD - Torrent - DOWNLOAD


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Álbuns (MP3)



























The Mars Volta - The Bedlam in Goliath UK Bônus

Seis covers gravados pela banda que foram inclusos como bônus na versão inglesa do último trabalho dos caras. De The Sugarcubes até Circle Jerks. O negócio é feroz!

Tracklist:
Pulled To Bits (Siouxie & The Banshees)
Things Behind the Sun (Nick Drake)
Back Up Against The Wall (Circle Jerks)
Memories (Soft Machine)
Birthday (The Sugarcubes)
Candy and A Currant Bun (Pink Floyd)


The Mars Volta - The Bedlam in Goliath UK Bônus - DOWNLOAD

E pra continuar no clima, um bônus pessoal. "Beneath the Eyelids" deve ser o nome do novo trabalho do The Mars Volta que deve sair agora em 2009. Aqui pra geral a faixa homônima registrada em versão acústica durante a apresentação da banda no Bill Grahan Civic Auditorium em 31 de dezembro de 2007.

The Mars Volta - Beneath The Eyelids live at Bill Grahan Civic Auditorium - DOWNLOAD

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Justice - A Cross The Universe - Álbum - MP3
Eu não seria justo se disponibilizasse aqui o DVD com o docto. da turnê do Justice e não fizesse o mesmo com o álbum.
Então aqui está! Pra você ter tudo completinho!!!











Tracklist:
Intro
Genesis
Phantom Part 1
Phantom Part 1.5
D.A.N.C.E
D.A.N.C.E Part 2
DVNO
Waters of Nazareth (Prelude)
One Minute to Midnight
Tthhee Ppaarrttyy
Let There Be Light
Stress
We Are Your Friends
Waters of Nazareth
Phantom Part 2
Encore We Are Your Friends
NY Excuse (Soulwax)
Masters of Puppets (Metallica)


Justice - A Cross The Universe - Álbum - MP3 - DOWNLOAD



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Filme (RMVB)



E pra finalizar (porque eu não aguento mais digitar, editar link, e subir fotos hoje!!!) um "crássico" do cinema surrealista. Na verdade o filme que deu origem ao surrealismo no cinema.

Um Cão Andaluz(1929)
Dir. Luis Buñuel
Com roteiro do pintor Salvador Dalí e do diretor Luis Buñuel, “Um Cão Andaluz” é o marco inicial do surrealismo no cinema.
Com clara influência da psicanálise, Buñuel e Dalí exploram o inconsciente humano, numa seqüência de cenas oníricas, incluindo o célebre momento em que um homem (interpretado pelo próprio Buñuel), corta, com uma navalha, o olho de uma mulher.
"Um Cão Andaluz" é considerado um dos filmes mais chocantes, surpreendentes e revolucionários da história do cinema. O filme foi realizado na França, em 1928 e fez parte da eclosão do movimento surrealista, cujos princípios fundamentais eram a contestação dos valores burgueses, a abolição da lógica cartesiana na produção artística e a denúncia do absurdo das instituições (Estado, Igreja, etc.) que exprimiam preocupações com a moral e as convenções e, ao mesmo tempo, consentiam com o envio de milhares de homens para a morte nos campos de batalha. Esse filme é constituído de uma série de seqüências de cenas absurdas e sem ligação aparente, como em um sonho a se fundir com a realidade. "Un Chien Andalou" é realmente um filme chocante, em que espaço, tempo e acontecimentos confundem-se formando idéias anti-conservadoras e que falam sobretudo de desejo e culpa.

Um Cão Andaluz - RMVB - Leg. PT-BR - DOWNLOAD


Acho que já dá pra vocês brincarem!!! Divirtam-se!!! E mais uma vez, boas festas!!!

sábado, 13 de dezembro de 2008

PAPAI MARX E O CONTO DE NATAL



Já estava chegando naquela época do ano em que George perdia o sossego. Seu cabelo e barba já estavam grandes e esbranquiçados como mandava a tradição. Era quase natal e mais uma vez ele seria o Papai Marx no vilarejo do Preá Atropelado, em Balneário Fantasma.

Papai Marx era a versão “balneariofantasmiana” de Papai Noel. Adotada em decreto municipal há mais de três décadas como “oposição e resposta à figura capitalista, individualista, neoliberal, consumista e esteticamente escrava da Coca-cola” representada pelo Papai Noel.

Papai Marx fora apenas uma parte do pacote de decretos natalinos. Outra medida determinava o fechamento de lojas e proibia as compras de natal no mês de dezembro para evitar o consumismo desenfreado. Nesta época só era permitida a troca de presentes manufaturados pelas próprias pessoas (por trabalho não alienado) em clima de camaradagem fraternal.

Era isso que perturbava o velho George. Sem dúvida era uma honra ser o Papai Marx há mais de uma década, mas cabia-lhe também o fardo de fabricar presentes para toda a vila (cerca de 317 pessoas). Nos últimos anos vinha improvisando brinquedos feitos com parafusos retirados das caçambas das fábricas falidas, mas isso já tinha virado até motivo de chacota.

Além dessa preocupação, a pequena empresa Chocolates Fantasma (que George abrira com a verba que recebeu quando foi demitido como cabeça de greve da Sanitários Baunilha) não ia bem das pernas devido à maldita crise. Tocava-a com obstinação que só era possível com a ajuda de seu velho amigo e sócio, o anão Cosme. Velho companheiro desde os púberes tempos dos cursos técnicos.

Era sexta-feira. Como de costume, depois de encerrarem a produção, George e Cosme ficavam papeando nas bancadas da fábrica, lembrando os bons tempos da greve dos trinta dias... Sonhando com o futuro e maldizendo seus desafetos.
Naquele dia específico George estava pensativo, olhando a fábrica em busca de uma solução para o problema dos presentes. Cosme sabia que nessas horas era sensato acompanhar sua quietude. Foi então que George gritou:
-As raspas!
-O quê?
-As raspas, Cosme! Farei algum presente com as raspas de Chocolate! Como não pensei nisso antes...

A noite inteira foi de intenso trabalho na Chocolates Fantasma. Cosme sabia que George era bom com idéias então o ajudou no que pode sem perguntar muito. Quando amanheceu os dois estavam exaustos mas haviam resolvido o problema do presente. George desenvolvera um licor com as raspas de chocolate que sobravam das máquinas misturando-as com cachaça e melado. Não gastaria nada na noite de natal e poderia distribuir o licor em pequenas garrafinhas para todos, que aliás se aqueceriam na densa neblina da noite na festa de natal da praça. Acabaram o serviço e despejaram todo o licor no maior tambor que encontraram (de diesel vazio) para curtir. Cosme foi para a sua casa e George ficou por ali mesmo onde morava, dormindo em cima de uma bancada, utilizando estopas como travesseiro.

Duas semanas depois (uma antes do natal) numa sexta feira, os dois amigos fariam a prova final da bebida curtida e maturada para a eventual correção de algum ingrediente. Fecharam a fábrica e sentaram-se na bancada cada um com um copinho cheio do licor de raspas de chocolate. Beberam.

Um alegre calor tomou conta de cada célula de George e Cosme e suas bochechas enrubesceram imediatamente. A conversa de sexta, que geralmente era mágoa arrastada, foi diferente. Longas elucubrações otimistas. Gargalhadas contagiantes ecoavam no velho galpão. O licor estava perfeito.

O que os dois mal podiam suspeitar é que aquela intoxicação peculiar que o licor propiciava era resultado não só da cachaça, mas principalmente do resto de diesel que se encontrava no tonel.

Noite de natal. Como de costume uma multidão esperava em frente à portinha do sindicato. Papai Marx desceria as escadas e cruzaria a praça até o coreto distribuindo com a ajuda de Cosme (travestido de duende operário) seus mimos manufaturados. Quando apareceram na porta, tinham um sorriso diferente.

Iniciaram então a tradicional marcha, distribuindo aos camaradas as garrafinhas com o licor de chocolate intoxicante. Subiram no coreto onde as crianças do colégio lhe esperavam para o coro com canções anarco-sindical-natalinas.

Cada cidadão presente na praça: fosse criança, velho ou mulher recebera uma garrafinha. Ao tomarem a bebida reproduziam a leve intoxicação já sentida por George e Cosme. E o torpor tomava seus corpos de assalto e era mágico. Toda a praça foi invadida por uma sensação de amor fraternal e leves alucinações faziam com que aquele coro fosse o mais maravilhoso, afinado e celestial. As luzes de natal brilhavam míopes em pequenas brumas coloridas contidas. Papai Marx fez um discurso acertado que tocou o coração de todos. Até o pequeno Cosme parecia-lhes simpático naquela ocasião. E fez muito sentido por um instante para todos morarem no vilarejo do Preá Atropelado. Eram companheiros e camaradas naquela jornada miserável, mas acima de tudo, eram irmãos. Nunca houve noite de natal como aquela...

FIM



EPÍLOGO
(Leitura opcional não recomendada para aqueles que gostam de finais felizes.)


Acabada a festa, todos voltaram para suas casas. Exceto George que só tinha a fábrica. Lá chegando, feliz com o sucesso da festa, bebeu todo o resto do licor. Seu corpo foi encontrado na hora do almoço de natal por Cosme. Foi enterrado com honrarias e muito choro. Existe no vilarejo uma rua com seu nome.

Cosme ficou louco. Depois da morte de George obstinou-se na reprodução do licor maravilhoso, nunca conseguindo reproduzi-lo perfeitamente. Faltava alguma coisa. Talvez se deixasse o licor maturar naquele velho tonel de diesel esquecido no canto da fábrica...

Benigno, um dos poucos capitalistas falidos que não fora banido de Balneário Fantasma, havia guardado um restinho do licor no dia da festa de natal. Após análises no espectro-fotômetro descobriu a fórmula secreta da bebida. E essa bebida, com o ingrediente secreto (óleo diesel) foi batizada ironicamente de Dieselina. E ela que entorpece os sentidos dos ex-operários sem sina de Balneário Fantasma, fornecendo breves consolos aos seus corações amargurados.

FIM


( Dedicado a dois Jorges reais, que ausentes retornam na lembrança nas épocas das festas de finais de ano.
)

COMPRAS DE NATAL



TERCEIRA SEMANA TEMÁTICA ZINISMO - DE 13 à 20 DE DEZEMBRO

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

FRUTAS FRESCAS E VEGETAIS PODRES



Por Ricardo Idéia

Confesso que tremi quando foi decidido o tema dessa semana. “Coincidência... ou não?” pode dar belos contos como os do Grão e do Zambetti, mas contos definitivamente não é o meu forte.
Pensei em algo mais parecido com a reflexão do Eterno, até porque aconteceram fatos, digamos, intrigantes desde que o tema foi decidido.
Primeiro o Zambetti postou por aqui um texto sobre softwares para produção musical caseira, exatamente no mesmo dia que meu “Vuze” (programinha similar ao SoulSeek, Kazaa, etc, mas destinado a baixar arquivos em torrents, geralmente gigantescos!) bufava com downloads de vários softwares para produção musical.
Dias depois disso enquanto eu e o Zambetti falávamos um monte sobre tais softwares, o Sapo Banjo banda do Zambetti fez um show aqui em Pira, bem perto de casa, mais que coincidência, nesse caso, conveniência!
Pra fechar o ciclo, mandei um rascunho da primeira brincadeirinha que fiz com os softwares que havia baixado no mesmo dia em que o Zambetti subiu um texto sobre o Subsapiens, projeto de Eden Silveira que também é voltado a música eletrônica assim como o meu.

Mas esse monte de acontecimentos envolvendo eu e o Zambetti não seria o suficiente para um post. Não aqui no Zinismo. Assim, apesar de maltratar meus neurônios durante anos a fio, foram eles que me socorreram nesse post.

Final da década de oitenta. No bairro do Ipiranga em São Paulo uma enorme molecada acompanhava a cena punk rock e metal e dividia tudo que podia (menos os punks xixi extremistas e os true metals de direita!). Dessa forma, discos eram emprestados e quase nunca devolvidos, mas no geral eles rodavam na mão de todos aqueles garotos afoitos por música.
Com um álbum específico criou-se até uma tradição. Aquele que uma vez teve o “Fresh Fruits for Rotting Vegetables” do Dead Kennedys, o adquiriu “surrupiando” seja na loja da velhinha ali no Sacomã, seja tomando o disco de outro “amigo” da galera.
Eu até tenho a teoria que existiam apenas três exemplares do vinilzão branco do DK no Ipiranga, mas esses três foram de umas quarenta pessoas!
É claro que eu mesmo tive um desses por um tempo. Numa das inúmeras festas que rolavam na minha casa, o vinil foi esquecido. Não marquei bobeira e logo fiz uns desenhos e escrevi “idéia” no rótulo com uma esperança ingênua de que com esses sinais ninguém iria roubá-lo mais de mim. Também não posso reclamar, o disco ficou um bom tempo em casa, e eu teria sido egoísta se “quebrasse a corrente”! Inevitavelmente o disco acabou sendo furtado de minha casa. Beleza! Havia cumprido minha parte na tradição do “Fresh Fruits...”
Alguns meses se passaram e de repente me bateu uma saudade daquele vinil, precisava arrumar um jeito (um trouxa) pra roubar o disco de novo. Fiquei sabendo que o Ratão, um playboy que morava duas ruas atrás da minha e que eu não ia muito com a cara, estava com um Fresh Fruits na mão. Passei umas três semanas amaciando o playboy na conversa. Foi difícil e quanto mais ele negava, mais decidido eu ficava que teria o disco de novo. Dei mole quando deixei roubar o meu. Porra! Tinha até identificação, meu nome no rótulo, que vacilo! A persistência foi grande e por fim o Ratão cedeu. Fiquei no portão da casa dele esperando enquanto o otário, quer dizer, o Ratão buscava o disco que eu nunca mais iria devolver. Catei o LP e nem dei muita idéia, já fui saindo, só queria saber de chegar em casa, fazer novos desenhos e escrever “idéia” no rótulo de novo. Corri na descida da Rua Bamboré pra chegar em casa, em frente a pracinha reparei que a capa estava toda danificada, rasgada, gasta e faltava uns pedaços, mas não tinha problema, o disco estava lá. Se não desse pra eu fazer uns desenhos no pouco espaço que sobrou da capa, o nome no rótulo já seria suficiente. Cheguei em casa, corri pro quarto, já estava com o canetão na mão, tirei o disco de dentro do resto da capa, aquele vinil branco, lindo, saindo do papelão estragado. Apreciei cada milímetro que aparecia até chegar o rótulo onde se via escrito “idéia”!
Foi roubando exatamente o mesmo “Fresh Fruits...” duas vezes que eu desenvolvi a teoria que no Ipiranga só existiram três cópias do Fresh Fruits for Rotting Vegetables!
E, só pra saber: Alguém aí tem o Fresh Fruits pra me emprestar?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

JÚLIO E O PARADOXO DO PASSADO



Por ter encontrado e se casado com Marília, Júlio se considerava um cara de sorte.
Ele: um simples segurança, bruto e rústico. Ela: professora de crianças, mulher bonita e inteligente. Mas a frase feita existe para ser usada: os opostos se atraem.

Era segunda feira, Júlio olhava Marília servindo a comida e lembrava-se da dura batalha para conquistá-la. Mais de um ano de gracejos, bombons e flores. Na época ela acabara de chegar da capital, lugar do qual não gostava nem de ouvir o nome:
-Detesto aquele lugar, detesto.
-Por que?
-Não interessa. Júlio, eu tenho um passado e se quiser ficar comigo tem que aceitar ele morto e enterrado.

Então que fosse, Júlio se condicionou a não se importar. O passado era tempo gasto e inútil. O presente era trabalho e o futuro deveria ser construído agora. O que importava realmente era no que as pessoas tinham se tornado e o passado – ferramenta que participou dessa construção- deveria ficar guardada em gavetas invioláveis. Aliás ele também tinha seu passado de pequenos delitos quando menino pobre e depois teve o tempo como segurança de boate.

Como sabemos, Balneário Fantasma era um lugar onde a consciência de classe se aprendia desde a educação infantil. E isso provocava situações no mínimo, dignas de análise. Uma dessas situações ocorreu quando as indústrias eletroeletrônicas quiseram modernizar os formatos midiáticos. A substituição de LPs por CDs foi difícil. E a de fitas VHS por DVDs nunca ocorreu a contento. Uma campanha que começou nos jornais e terminou na câmara dos vereadores baniu os DVDs como “estratégia capitalista de transformação mercadológica da arte em produto”. Assim, Balneário Fantasma até hoje utiliza os lendários videocassetes. Todos os dias caminhões chegam com suas caçambas abarrotadas das obsoletas fitas de VHS provindas de várias cidades do país. Essas fitas são disputadas avidamente pelos vendedores que as revendem em pequenas bancas no centro. Há também o fenômeno e o mercado de DVDs novos que são convertidos em VHS. Coisas de Balneário Fantasma.

A única mácula na pretensa honestidade de Júlio tinha a ver com isso.

Desde criança e durante a adolescência Júlio consumia regularmente pornografia. Era seu vício. Se antes ele escondia revistas mofadas e coladas embaixo do colchão, hoje ele colecionava fitas VHS pornográficas.

Comprava essas fitas ao menos uma vez por semana e as trancava no guarda-roupa, junto com suas ferramentas de trabalho “tem que manter trancado Marília, senão o Júnior pode pegar minhas armas e já viu”.
Para assistir as fitas Júlio desenvolveu uma técnica astuta. Como ainda não havia “tirado” o ensino médio prestava provas do governo todo final do ano para eliminar matérias. Deixava então exposta uma pequena coleção de fitas de “tele-curso” como pretexto para poder se trancar no quarto e exercer seu pequeno vício sem que fosse incomodado: “Estou estudando, preciso de concentração”.

Quem julga Júlio por este pequeno vício tem uma perspectiva simplória da história. Ele tinha consciência que essas fitas eram em parte responsáveis pela sua fidelidade à Marília e pela longevidade de seu casamento que iria completar 12 anos no próximo dia 20. Júlio utilizava um mecanismo de projeção mental e transferia o que assistia nas fitas para seus momentos de maior intimidade e isso mantinha acesa a “chama do amor”.

É claro que Marília desconfiava de seus momentos trancados no quarto, mas afinal, sabia que Júlio era um homem bom e principalmente: nunca questionara sobre seu passado.

Na terça feira ao voltar do trabalho (como de costume) Júlio parou em frente à banquinha de VHS do seu fornecedor de confiança:
-E aí David! Como estamos hoje? Alguma novidade?
-Tem sim patrão, tem uma que você vai gostar. Converti para fitinha uma raridade do cinema nacional... deixa ver...
E assim Júlio levou consigo a fita “Loucuras tropicais do Brasil volume 7”.

Chegou em casa, beijou a mulher, olhou o menino fazendo a lição e foi direto para o quarto.
-Marília, vou estudar! Peguei uma fita de matemática, você sabe que eu tenho uma dificuldade lascada com os números!
-Tá Júlio, ainda vou colocar o arroz no fogo...

Júlio adentrou o quarto e eufórico fechou a porta.
Tirou a fita da mochila e colocou no vídeo-cassete.

A fita começou com uma trama óbvia. Uma festa universitária que descambava para a orgia.
A princípio não reparou, não quis reparar. Mas algo lhe incomodava naquela fita, um olhar de uma personagem ao fundo das cenas, com um drinque na mão.
O incômodo passou a fazer sentido. Aquele olhar... Era Marília, sem dúvida! Mais jovem e loira, mas era Marília. Ficou tenso. Pensou em tirar a fita e pisar em cima. Mas será... Talvez ela fosse somente uma coadjuvante do filme. Não era.
E a festa universitária seguiu seu rumo com a participação ativa de Marília em poses, posses e tudo que seu cachê permitira. E era tudo o que o inconsciente de Júlio mais temia ver.

A fita acabou. Júlio ficou olhando pela janela do apartamento. Era um por do sol bonito. “Então era esse era o tal segredo de Marília...”
Ejetou a fita do vídeo-cassete. Abriu o armário e colocou ao lado do revólver. Olhou para cada um dos objetos poderosos como se estivessem cada um em prato de uma balança.
Não sabia qual dos dois escolher.

-Vem Júlio, a janta está servida, vai esfriar! Marília batia na porta.
Aquela janta foi dotada de um silêncio constrangedor rompido regularmente pelos incômodos barulhos dos talheres na porcelana dos pratos.
-Tudo bem Júlio?
-Problemas no trabalho - justificou cabisbaixo.

O silêncio acompanhou-os até o quarto. Mais tarde na cama uma cena da novela fez com que Júlio e Marília cruzassem seus olhares. Um beijo e o apetite sexual (temporariamente contido) de Júlio voltava à tona. O ato em si foi memorável para aquele casamento já desgastado. As cenas da festa universitária se repetiam com uma tortura na mente de Júlio que em contrapartida possuía sua esposa com um sentimento de não pertencimento que lhe era extremamente prazeroso.

Nesse dia Júlio aprendeu forçosamente a rimar (como na mais vulgar das músicas bregas) as palavras antíteses dor e amor.
Na quarta feira Júlio se desfez de toda sua coleção de fitas VHS pornôs e creiam: nunca mais precisou delas.

domingo, 23 de novembro de 2008

SOBRE A COINCIDÊNCIA...

Coincidência:
Tem gente que chama de afinidade, outros de aplicação da lei do karma, destino, fortuna...

De qualquer forma não é a primeira vez que assisto a uma propaganda na televisão e a trilha sonora me lembra outra música com características semelhantes.

Nesse caso outras palavras podem ser aplicadas: influência inconsciente, grande sacada, economia de verbas...

Assista aos videos e comece a pensar a respeito.



COINCIDÊNCIA... OU NÃO?






SEGUNDA SEMANA TEMÁTICA ZINISMO - DE 22 à 28 DE NOVEMBRO DE 2008