
MANUFATURA #2 | INTEMPÉRIE
por Juliana Sassi
Em meio ao vazio da chamada arte conceitual, o trabalho do artista Flávio Grão é sem dúvida um contraponto revigorante. Desenhando com nanquim sobre couchê, traços leves e marcantes,dá forma de arte à inquietação presente em seus pensamentos.
Grão trata da problemática do rebaixamento e da fragmentação dos indivíduos, causados pela divisão social do trabalho na sociedade industrial, e o homem em acentuado processo de desumanização.
Neste fanzine pictórico, mostra o homem que produz sua existência sem controle, seguindo o curso pretensamente natural da vida, que se perde na reprodução da existência cotidiana.
Por entre seus personagens surgem escadas, prédios, e outros objetos que se mesclam e se refazem. Objetos criados pelo homem, mas que se confundem com ele pela característica comum de ambos serem mercadorias. Criador e criatura em conflito em um mundo que aparece invertido.
Entretanto, a necessidade humana de reconfigurar o mundo e a si parece dar ânimo aos personagens de madeira, que rumam agora ao desconhecido. Em uma das imagens, o abismo com o qual se deparam ilustra o abismo que separa o homem do que ele é e o que pode vir a ser.
E essa é a razão que os fazem seguir para além das intempéries em direção a sua
auto efetivação.