Confesso, sou um noventacionário. Ou seja, um reacionário pró-anos noventa. Essa palavra, como você sabe, não existe. É apenas uma brincadeira, algo válida, algo sincera, com esse espírito de apego às coisas dos "dourados" anos noventa. Você também pode inventar a sua palavra adequada. Tinha pensado em "noventrógrado", tem quase o mesmo sentido.
O apego é inevitável. Não apenas o meu particular apego, mas o apego geral das pessoas referente aos seus respectivos anos dourados, normalmente associados aos anos da juventude. A "melhor época" é sempre a sua época, lição importante que aprendi com um amigo. Como jornalista, tento evitar esse favorecimento às coisas relativas à minha época. Mas como indivíduo, com gostos e desgostos, ou ainda como blogueiro, o que me permite certa liberdade, mando esse policiamento à merda.
É comum, previsível e até enfadonho ver um noventacionário escrevendo sobre bandas dos anos noventa, ou vídeos de skate dos anos noventa, ou seja lá qual for a manifestação estética-cultural-artística-comportamental desse período. Mas a gente continua fazendo isso, foda-se, é quase inconsciente, instintivo. Porém, percebe-se a importância de algo quando alguém desinteressado ou exterior aos fatos/época atribui valor à essas coisas. Um exemplo prático: uma banda de guris de vinte anos (quando muito) tocando um som datado, que remete imediata e incontestavelmente aos sons praticados numa época bem distante da sua. Nessa hora você pára e pensa: "não tem mais pra onde ir, tem que olhar pra trás mesmo".
Do prático ao específico: é o caso da banda DIIV. Pronuncia-se Dive. Quarteto de New York formado em 2011. O dono da banda é Zachary Cole Smith, que também toca guitarra no Beach Fossils. Eles lançaram um excelente debut esse ano, chamado Oshin. Quando você escuta DIIV, a impressão é que está ouvindo uma banda do começo dos anos noventa. Guitar band nos moldes antigos, ou como a Spin bem definiu, neo-shoegaze. Zachary não viveu os anos noventa, mas é tão noventacionário quanto eu. Ou quanto o Lê Almeida.
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domingo, 25 de novembro de 2012
O NOVENTACIONÁRIO
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
AZTRAK

AZTRAK é um projeto da dupla Emerson Pingarilho (guitar/bass) e Marcelo Mjp (drum machine/synth), que acaba de disponibilizar um EP para download. Eles mesmos situam o ouvinte para a sonoridade: "São 5 faixas com influência de 90's guitar, lo-fi, shoegaze". E o Zinismo concorda!
Baixe agora!
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Aproveitando a postagem, republico aqui no Zinismo duas resenhas que fiz dos outros trabalhos do Marcelo MJP:
MJP - passagens e interferências - ft. DJ A.S.M.A.
Você sabe o que é turntablism? Não? É um conjunto de habilidades que um DJ usa para extrair trechos e timbres de músicas apenas através dos toca-discos, recriando através desses trechos outras versões, desconstruindo sons para a sua criação posterior, geralmente ao vivo. Mjp não é DJ, mas pensou que seria uma boa idéia interferências de turntablism nas suas produções. Então chamou o DJ ASMA, que utilizou suas técnicas para enriquecer as composições de Mjp, feitas com samplers, teclado e softwares de computador. O resultado é música abstrata, experimental e instrumental de difícil definição, algo como o encontro de bases de hip hop com o pós-punk. Tem ainda participação de Marcos Gerez, do Hurtmold, acrescentando mais elementos para essa saborosa salada musical.
[resenha publicada originalmente na revista CemporcentoSKATE, edição 113, 2007]
MJP – decomposições
Novo trabalho do paulistano Marcelo MJP, muito bem intitulado decomposições. É o sucessor do álbum passagens e interferências, parceria de MJP com o DJ ASMA. Em decomposições MJP está sozinho, acompanhado apenas de sua criatividade, que ele coloca à serviço da experimentação e das batidas: uma constante no álbum é essa mistura de abstração e normalidade, como se ele sentisse tédio quando uma ou outra estivesse prevalecendo. MJP achou um ponto de equilíbrio. As músicas não têm nome. São 17 decomposições, e isso basta. Não é um nome que faz a música boa ou não. É a criatividade. E isso MJP tem de sobra.
[resenha publicada originalmente na revista CemporcentoSKATE, edição 120, 2008]
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