Confesso, sou um noventacionário. Ou seja, um reacionário pró-anos noventa. Essa palavra, como você sabe, não existe. É apenas uma brincadeira, algo válida, algo sincera, com esse espírito de apego às coisas dos "dourados" anos noventa. Você também pode inventar a sua palavra adequada. Tinha pensado em "noventrógrado", tem quase o mesmo sentido.
O apego é inevitável. Não apenas o meu particular apego, mas o apego geral das pessoas referente aos seus respectivos anos dourados, normalmente associados aos anos da juventude. A "melhor época" é sempre a sua época, lição importante que aprendi com um amigo. Como jornalista, tento evitar esse favorecimento às coisas relativas à minha época. Mas como indivíduo, com gostos e desgostos, ou ainda como blogueiro, o que me permite certa liberdade, mando esse policiamento à merda.
É comum, previsível e até enfadonho ver um noventacionário escrevendo sobre bandas dos anos noventa, ou vídeos de skate dos anos noventa, ou seja lá qual for a manifestação estética-cultural-artística-comportamental desse período. Mas a gente continua fazendo isso, foda-se, é quase inconsciente, instintivo. Porém, percebe-se a importância de algo quando alguém desinteressado ou exterior aos fatos/época atribui valor à essas coisas. Um exemplo prático: uma banda de guris de vinte anos (quando muito) tocando um som datado, que remete imediata e incontestavelmente aos sons praticados numa época bem distante da sua. Nessa hora você pára e pensa: "não tem mais pra onde ir, tem que olhar pra trás mesmo".
Do prático ao específico: é o caso da banda DIIV. Pronuncia-se Dive. Quarteto de New York formado em 2011. O dono da banda é Zachary Cole Smith, que também toca guitarra no Beach Fossils. Eles lançaram um excelente debut esse ano, chamado Oshin. Quando você escuta DIIV, a impressão é que está ouvindo uma banda do começo dos anos noventa. Guitar band nos moldes antigos, ou como a Spin bem definiu, neo-shoegaze. Zachary não viveu os anos noventa, mas é tão noventacionário quanto eu. Ou quanto o Lê Almeida.
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domingo, 25 de novembro de 2012
O NOVENTACIONÁRIO
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
AZTRAK

AZTRAK é um projeto da dupla Emerson Pingarilho (guitar/bass) e Marcelo Mjp (drum machine/synth), que acaba de disponibilizar um EP para download. Eles mesmos situam o ouvinte para a sonoridade: "São 5 faixas com influência de 90's guitar, lo-fi, shoegaze". E o Zinismo concorda!
Baixe agora!
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Aproveitando a postagem, republico aqui no Zinismo duas resenhas que fiz dos outros trabalhos do Marcelo MJP:
MJP - passagens e interferências - ft. DJ A.S.M.A.
Você sabe o que é turntablism? Não? É um conjunto de habilidades que um DJ usa para extrair trechos e timbres de músicas apenas através dos toca-discos, recriando através desses trechos outras versões, desconstruindo sons para a sua criação posterior, geralmente ao vivo. Mjp não é DJ, mas pensou que seria uma boa idéia interferências de turntablism nas suas produções. Então chamou o DJ ASMA, que utilizou suas técnicas para enriquecer as composições de Mjp, feitas com samplers, teclado e softwares de computador. O resultado é música abstrata, experimental e instrumental de difícil definição, algo como o encontro de bases de hip hop com o pós-punk. Tem ainda participação de Marcos Gerez, do Hurtmold, acrescentando mais elementos para essa saborosa salada musical.
[resenha publicada originalmente na revista CemporcentoSKATE, edição 113, 2007]
MJP – decomposições
Novo trabalho do paulistano Marcelo MJP, muito bem intitulado decomposições. É o sucessor do álbum passagens e interferências, parceria de MJP com o DJ ASMA. Em decomposições MJP está sozinho, acompanhado apenas de sua criatividade, que ele coloca à serviço da experimentação e das batidas: uma constante no álbum é essa mistura de abstração e normalidade, como se ele sentisse tédio quando uma ou outra estivesse prevalecendo. MJP achou um ponto de equilíbrio. As músicas não têm nome. São 17 decomposições, e isso basta. Não é um nome que faz a música boa ou não. É a criatividade. E isso MJP tem de sobra.
[resenha publicada originalmente na revista CemporcentoSKATE, edição 120, 2008]
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
ESPORRO: NOVO LIVRO DE LEONARDO PANÇO
"Esporro" é o nome do próximo livro do carioca Leonardo Panço, no qual o autor vai discorrer sobre sua experiência no cenário underground do Rio de Janeiro nos anos 90. Esse será o terceiro livro do Panço (os outros são "Caras Dessa Idade Já Não Lêem Manuais" e “Jason 2001- Uma Odisséia na Europa”).
Com exclusividade para o Zinismo, o autor aproveita para adiantar alguns aspectos da obra: "Acho que meu livro é um livro de uma turma, de uma galera específica. Não exatamente da cena carioca toda dos anos 90. E é quase que todo sobre os anos de 92 e 93, então ele é bastante fechado em um tempo e espaço. Todo mundo que teve ou tem banda no Brasil vai se identificar com as histórias, as roubadas, as loucuras. Agora estamos pensando em um DVD, uma coisa mais complexa, mas tudo indica que vai sair".
Veja o teaser logo abaixo:
Esporro from Esporro on Vimeo.
Sobre o autor:
Leonardo Panço é uma das figuras mais ativas na cena independente brasileira, atuando nas mais diversas frentes: fanzineiro (Gnomo da Tasmânia e outros tantos), músico (Soutien Xiita e Jason), mídia (Rock Press e muitas outras publicações), selo (Tamborete), organizando shows, caindo na estrada (aqui e no exterior) e fazendo acontecer, sem esperar que as coisas caiam do céu. Do it yourself pra valer!
foto: Mauro Pimentel
Saiba mais sobre o projeto nos links abaixo:
youtube
vimeo
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
ENQUANTO ISSO, NOS ANOS 90...

As coisas estavam mudando, e rápido.
De repente, os vídeos de skate Hokus Pokus (H-Street) e Questionable Video (Plan B) haviam se tornado a bíblia de toda uma molecada. Matt Hensley personificou o que os fashionistas da época convencionaram como Street Wear. As baladas foram invadidas por skaters e na pista o som ia do Punk, passando pelo Guitar e finalizando no Rap, sem falar em Primus! Era exatamente assim no mundo todo.
Com o cenário pronto, faltava a "indústria" se aproveitar desse novo comportamento.
Em Hollywood, o filme "Judgment Night", protagonizado por Emilio Estevez estava em fase de finalização e prometia ser um novo "As Cores da Violência" (Colors), mas na verdade o filme não chegou nem aos pés do triller policial que contava com Ice T.
Em compensação a trilha sonora de Judgment Night se tornou disco obrigatório pra qualquer grunge, skater ou rapper da época. O motivo: O disco não apenas trazia bandas consagradas do rock e do rap alternativo, mas pela primeira vez trazia as bandas tocando juntas, em duetos como Mudhoney & Sir Mix A lot, Faith No More & Boo Ya T.R.I.B.E., Sonic Youth & Cypress Hill, Tool & Rage Against The Machine, Helmet & House Of Pain, Teenage Fanclub e De La Soul, entre outros.
Eu não sei como, mas eu estava procurando um vídeo do Seaweed no youtoba hoje quando me deparei com o vídeo que eu coloquei aqui embaixo!
Sem dúvida um achado!!!
Trata-se da faixa Missing Link, música da trilha do Judgment Night resultado da parceria entre Dinosaur Jr. & Del Tha Funkee Homosapien. Isso por sí só já valeria esse post, mas ainda tem muito mais nesse simples vídeo:
Pra começar é AO VIVO. Na verdade a única vez que essa música foi tocada fora do estúdio de gravação. Mas não ligue 1406 ainda, porque você ainda ganha Mike Watt (minutemen/fIREHOSE/The Stooges) no baixo, e mais, Mike D (Beastie Boys) na bateria!
BONUS!!!
Teenage Fanclub & De La Soul - Fallin'
Pearl Jam & Cypress Hill - Real Thing
Helmet & House of Pain - Just Another Victim
Faith No More & Boo Ya T.R.I.B.E. - Another Body Murdered
(alguém disse no Youtube: Tem coisa melhor que os gritos do Mike Patton? - Fala aí Viegas!)
Agora o primeiro paragráfo desse post deve fazer mais sentido!
E ai, vamos pro Armagedon da Augusta domingo?
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
ANOS GRUNGE
Ah, o grunge...
O que seria da década de noventa sem o grunge? Sem Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, e toda a banca de Seattle? Sem o Check your Head do Beastie Boys? Sem o Buffalo Tom? Sem Mtv?
Acho que vivemos alí a última revolução cultural de massa numa época pré Internet. O pior é que nós brasileiros, só não ficamos uns 30 anos atrasados nessa revolução graças ao Collor e ao Roberto Marinho, ou seja, pela primeira vez acompanhamos tudo simultaneamente graças à TV à cabo. Bem, pelo menos quem tinha acesso à TV paga nessa época, mas enfim, o papo aqui é outro mesmo!

A já citada Mtv, que acabara de se tornar parte da gigante Viacom, lançava mundialmente o canal Nickelodeon, destinado ao público infantil e adolescente. Depois o canal acabou ficando bem infantil, mas em tempos de grunge, a emissora irmã da Mtv dava espaço para programas mais voltados aos novos roqueiros de 15/16 anos e suas camisas de flanela xadrez!
Foi assim que surgiu "The Adventures of Pete and Pete". Uma série bem humorada e com uma narrativa surreal que contava a história de dois irmãos, Big Pete Wrigley (Mike Marronna) e Little Pete Wrigley (Danny Tamberelli). Era tipo uma mistura de Os Simpsons com Wonder Years (Anos Incriveis). Aliás, falando em Simpsons, "As Aventuras de Pete e Pete" eram situadas em uma cidade chamada Wellsville, mas o estado nunca foi revelado e o fato é que assim como existem umas vintes Springfields em diversos estados americanos, também exitem umas vinte Wellsville em diferente estados americanos, só pra deixar bem claro a influência de Matt Groening nos criadores de Pete e Pete, Will McRobb e Chris Viscardi.
Além dos Pete's, a série ainda tinha personagens geniais como Artie, o homem mais forte do mundo, Ellen a quase namorada do Grande Pete, a mãe que tem uma placa na cabeça que afeta as ondas de rádio, um pai maluco, Papercut, um garoto especialista em origami e arqui-inimigo do Pequeno Pete e a mais non sense personagem do seriado que tinha direito à crédito na abertura, Petúnia a bela dama tatuada no braço esquerdo do Pequeno Pete que volta e meia aparecia dançando nos episódios, como num strip bar for kids!
Pete e Pete era muito roqueiro! E nem dava pra não ser roqueiro entre 1993 e 96, período que durou a série, embora tenha sido reprisado até 99!
Na verdade, Pete e Pete era muito Grunge!!! E claro, usavam camisas de flanela xadrez! Mas isso não é nada, comparado ao fato deles serem vizinhos do Iggy Pop, ou melhor, Mr. James Pop MeckLenberg, o pai de Nona, a melhor amiga do Pequeno Pete!
E se o vovô Iggy não é suficiente para provar o roqueirismo dos Pete's, então saiba que durante os três anos da série, outros rockstars deram pinta nos episódios. Gente como Debbie Harry, Juliana Hetfield (na época em clima de romance com Evan Dando), LL Cool J, Lucious Jackson (tocando no baile da escola) e o melhor vendedor de sorvete da televisão: Michael Stipe!
Isso sem falar em Polaris, banda que Mark Mulcahy montou especialmente para a série e compôs um dos melhores temas de abertura de todos os tempos, a faixa Hey Sandy, essa do vídeo ai embaixo!
Bom, na gringa tem os dvd's das três temporadas, mas não sei dizer se tem aqui em terra brasilis. Numa busca rápida achei quase tudo no Youtoba, mas sem legêndas. De qualquer maneira, se você assistia e sentiu saudades, ou se você não conhece, não custa nada dar uma sapiada. Garantia de boas risadas, boa música e além disso, nostalgia é a melhor das drogas!
Agora eu vou assitir Kablam!
Ah! E antes que me perguntem... é melhor que Lost!
O que seria da década de noventa sem o grunge? Sem Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, e toda a banca de Seattle? Sem o Check your Head do Beastie Boys? Sem o Buffalo Tom? Sem Mtv?
Acho que vivemos alí a última revolução cultural de massa numa época pré Internet. O pior é que nós brasileiros, só não ficamos uns 30 anos atrasados nessa revolução graças ao Collor e ao Roberto Marinho, ou seja, pela primeira vez acompanhamos tudo simultaneamente graças à TV à cabo. Bem, pelo menos quem tinha acesso à TV paga nessa época, mas enfim, o papo aqui é outro mesmo!

A já citada Mtv, que acabara de se tornar parte da gigante Viacom, lançava mundialmente o canal Nickelodeon, destinado ao público infantil e adolescente. Depois o canal acabou ficando bem infantil, mas em tempos de grunge, a emissora irmã da Mtv dava espaço para programas mais voltados aos novos roqueiros de 15/16 anos e suas camisas de flanela xadrez!
Foi assim que surgiu "The Adventures of Pete and Pete". Uma série bem humorada e com uma narrativa surreal que contava a história de dois irmãos, Big Pete Wrigley (Mike Marronna) e Little Pete Wrigley (Danny Tamberelli). Era tipo uma mistura de Os Simpsons com Wonder Years (Anos Incriveis). Aliás, falando em Simpsons, "As Aventuras de Pete e Pete" eram situadas em uma cidade chamada Wellsville, mas o estado nunca foi revelado e o fato é que assim como existem umas vintes Springfields em diversos estados americanos, também exitem umas vinte Wellsville em diferente estados americanos, só pra deixar bem claro a influência de Matt Groening nos criadores de Pete e Pete, Will McRobb e Chris Viscardi.
Além dos Pete's, a série ainda tinha personagens geniais como Artie, o homem mais forte do mundo, Ellen a quase namorada do Grande Pete, a mãe que tem uma placa na cabeça que afeta as ondas de rádio, um pai maluco, Papercut, um garoto especialista em origami e arqui-inimigo do Pequeno Pete e a mais non sense personagem do seriado que tinha direito à crédito na abertura, Petúnia a bela dama tatuada no braço esquerdo do Pequeno Pete que volta e meia aparecia dançando nos episódios, como num strip bar for kids!
Pete e Pete era muito roqueiro! E nem dava pra não ser roqueiro entre 1993 e 96, período que durou a série, embora tenha sido reprisado até 99!
Na verdade, Pete e Pete era muito Grunge!!! E claro, usavam camisas de flanela xadrez! Mas isso não é nada, comparado ao fato deles serem vizinhos do Iggy Pop, ou melhor, Mr. James Pop MeckLenberg, o pai de Nona, a melhor amiga do Pequeno Pete!
E se o vovô Iggy não é suficiente para provar o roqueirismo dos Pete's, então saiba que durante os três anos da série, outros rockstars deram pinta nos episódios. Gente como Debbie Harry, Juliana Hetfield (na época em clima de romance com Evan Dando), LL Cool J, Lucious Jackson (tocando no baile da escola) e o melhor vendedor de sorvete da televisão: Michael Stipe!
Isso sem falar em Polaris, banda que Mark Mulcahy montou especialmente para a série e compôs um dos melhores temas de abertura de todos os tempos, a faixa Hey Sandy, essa do vídeo ai embaixo!
Bom, na gringa tem os dvd's das três temporadas, mas não sei dizer se tem aqui em terra brasilis. Numa busca rápida achei quase tudo no Youtoba, mas sem legêndas. De qualquer maneira, se você assistia e sentiu saudades, ou se você não conhece, não custa nada dar uma sapiada. Garantia de boas risadas, boa música e além disso, nostalgia é a melhor das drogas!
Agora eu vou assitir Kablam!
Ah! E antes que me perguntem... é melhor que Lost!
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
RECORDAR É VIVER
Para recordar uma das melhores bandas dos anos noventa, clipe da música "worlds", do primeiro disco do Farside, chamado "Rochambeau" (1992). Clássico do post-hardcore!
terça-feira, 14 de julho de 2009
A HISTÓRIA DO PINHEADS

Por Marcelo Viegas
O Pinheads foi uma das bandas mais importantes do cenário hardcore dos anos noventa. O power trio curitibano marcou uma geração com seu punk rock grudento e melódico. Tocou nos (poucos) palcos disponíveis na época, lançou demo(s), compacto, participou de coletâneas e foi presença obrigatória em todos os fanzines daqueles dias pré-internet e pós-vinil. Em 1996 decidiram encerrar atividades, deixando um séquito razoável de fãs e várias boas histórias para contar.
Mas alguém precisava contá-las... E o ex-baterista da banda, Eduardo Munhoz, assumiu a missão: o trabalho começou em 2008, tomou um bom pedaço de 2009 e agora começa a ser disponibilizado, através de um blog. Nas palavras do próprio Dudu: "7 anos de punk rock/hardcore, 24 capítulos, 19 mil palavras, 93 mil caracteres, 121 imagens e 86 músicas para download. O retrato de uma banda e de sua geração. Passagens comuns a todos os grupos independentes do início dos anos 90."
Para quem viveu aquela época ou para aqueles que desejam conhecer esse capítulo importante da história do punk/hardcore nacional, a leitura é mais do que recomendada. É fundamental, como a própria banda.

Fotos: a primeira é no Junta Tribo, 1994; e essa, logo acima, no Hitchcock, em Santa Bárbara d'Oeste (sp), 1995.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
MORRE FÁBIO L. (SECOND COME)

Notícia triste no Zinismo. Morreu ontem (11/05) Fábio Leopoldino, vocalista e guitarrista da banda carioca Second Come. Fábio tinha 46 anos, e estava morando na cidade de Valença, interior do Rio de Janeiro. O músico sofreu um infarto fulminante às 15:30h.
Na primeira metade dos anos noventa, o Second Come era uma das bandas mais importantes da cena guitar nacional. Deixou um legado importante e cravou seu nome na história, mesmo que seja uma história ignorada pela grande mídia. O selo Midsummer Madness disponibilizou a discografia da banda para download.
Veja o clipe de "Perfidiousness", música do disco "You", de 1993:
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domingo, 26 de abril de 2009
PIN UPS: UMA TARDE EM 1997...
Por Marcelo ViegasO que dizer sobre o Pin Ups que já não tenha sido dito? Uma das melhores bandas do Brasil? Pioneiros das guitar bands no país? A banda mais cult da cena indie? Ora, isso todo mundo já sabe, ou ao menos deveria saber... Da minha parte, gostaria de acrescentar apenas uma coisa: eles fazem uma falta danada!
Para matar um pouco a saudade, revirei minha gaveta, encontrei o velho gravador General Electric e transcrevi (finalmente) uma entrevista que fiz com a Alê Briganti (na época baixista e vocalista do Pin Ups) em 1997. É a primeira vez que essa entrevista é publicada na íntegra. Um trecho havia sido utilizado pela revista Rock Press, naquele mesmo ano, e outro trecho saiu no zine Lado[R], em 2008. Mas sempre tive a vontade de vê-la na íntegra, como segue logo abaixo.
Assim, fica aqui o registro, doze anos depois, para que as novas gerações conheçam um pouco mais dessa grande banda e da personalidade forte da Alê; e para que os velhos fãs recordem de histórias e pessoas fundamentais na construção da cena independente brasileira. Relaxe, coloque o “Lee Marvin” para rolar e boa viagem.
Certa vez vocês disseram que eram new wave. Você mantém isso?
Mantenho. Acho que a gente é muito new wave. Eu fui uma garota new wave. Aos onze anos descobri o Duran Duran. Porque eu gostava de rock, e vivia com uma amiga de descendência armênia, chamada Christianne, que tinha uns primos que amavam Queen... E eles tinham várias coisas: David Bowie, Queen, e tinham Duran Duran! Eles compravam uma revista chamada Sixteen, e aí eu descobri o Duran Duran e desde então virei uma fã fanática de Duran Duran, numa época em que não tinha informação nenhuma por aqui. E aí comecei a descobrir toda aquela cena new wave. Gostava de Police, Go-Go´s, Classic Noveau, Talking Heads... Gostava de todas essas coisas meio new wave. Esse foi um dos meus grandes backgrounds.
E o resto da banda?
É uma das grandes influências do Zé também, que é bem mais velho do que eu, tenho 25 anos e o Zé têm 32. Então ele seguiu também várias coisas do rock. Ele é total roqueiro, beatlemaníaco, e nada mais new wave do que Beatles.
Hoje em dia o Pin Ups tá mais pop, mais new wave do que antes?
Acho que o Pin Ups hoje em dia é bubblegum. Primeiro pelo meu vocal, talvez... Eu não sei gritar, não sou uma cantora tipo Courtney Love, eu sou uma pessoa que canta. Porque eu gosto de vocal feminino cantado (e também adoro vocal feminino berrado), mas não sei fazer bem o vocal gritado, então os meninos sempre gostaram de coisas mais "doces" e mais pop – Elastica, Weezer (que eu aaaaamo), Nada Surf –, que são as coisas que estamos ouvindo agora. Mas ao mesmo tempo, ouvimos um monte de coisas porrada e coisas estranhas.
Como está a recepção do público para essa nova fase do Pin Ups?
A recepção tá boa. Mas antes eu queria falar que acho que está rolando uma volta da cena guitar. O começo dos noventa era dominado pelo metal, o que pegava era Sepultura, Korzus, Dorsal, Ratos, Volkana, Viper, e o metal virou meio mainstream. A molecada que hoje em dia gosta de Bad Religion, na época gostava dessas bandas. Não tinha muito espaço para a cena alternativa e nem para o hardcore. As poucas bandas de hc que ainda sobreviviam (e eram poucas), ou as que estavam se formando, como o Garage Fuzz, Tube Screamers, Safari, estavam apenas começando, não tinha espaço. E tinha a cena guitar band – nós tínhamos lançado nosso disco em 1990 - que também estava começando. Era fim de 1990, começo de 1991, uma época em que a gente não tinha espaço, a não ser no Retrô e mais algumas casas. E aí de repente a cena começou a se fortalecer. As duas, né? Tanto a hardcore quanto a alternativa.

Você não acha que as duas coisas se misturam?
Fora de São Paulo elas se misturam. Em São Paulo elas não se misturam.
Você acha que muito da abertura que o hardcore tem hoje em dia deve-se ao estouro do Nirvana?
Eu acho que sim, mas muito mais pelo estouro do Green Day. Porque depois do Nirvana veio o Green Day, o punk e a Epitaph. E chegou uma época, de novo, que o guitar band tinha morrido. Se você não era hardcore, não tinha público. Era uma bosta, cara! A gente penou. Na época do "Scrabby?" não tinha público pro Pin Ups. Nós éramos muito metal pro guitar e muito pop pro punk. Só os metaleiros gostavam da gente na época do "Scrabby?", tinham vários metaleiros no show. Era "mó" pesadão e os metaleiros gostavam. O Luiz (Gustavo, ex-vocalista) era muito agressivo.
Todo mundo elogia o Luiz e, ao mesmo tempo, todo mundo diz que a banda melhorou com você no vocal. Que contradição louca é essa?
Eu acho que são duas bandas diferentes. Agora deu uma renovada. Com o Luiz a gente não ia poder sair muito daquilo. Na época do "Jodie Foster" ele já não estava gostando, não estava legal...
Qual motivo da saída dele?
Pessoal. Ele se casou e resolveu seguir carreira no meio publicitário.
Esse jeito do Luiz causou a fama de arrogância da banda?
No começo dos noventa o Pin Ups era uma banda grande no meio alternativo e adorada pela imprensa. Aí o Luiz, que é uma pessoa com senso de humor bem particular, começou a alardear sua opinião de que "o Pin Ups é a melhor banda do Brasil". Ele encarnou o Ian Brown do Stone Roses. Aí rolou e ficou pra sempre o comentário que o Pin Ups é um bando de gente metida e arrogante. E carregamos isso por muito tempo.

Que tal um balanço sobre a trajetória do Pin Ups? O que mudou? O espírito hoje é o mesmo?
Acho que ficamos mais velhos, sabe... O Pin Ups começou em 88, era um trio, era... Ah, a história do Pin Ups eu sei de cor e salteado, vamos então do começo... O Luiz e o Zé eram amigos e moravam no ABC (Santo André). Aí eles viram um cartaz de umas meninas, sei lá, "Lalá e Tatá – procura-se guitarrista e baterista". E pensaram: "pô, garotas, que legal, vamos fazer uma banda". Eles já gostavam muito de Primitives, e gostavam de muitas bandas femininas. Sempre ouviram muito som, são uns caras viciados em música. Foram atrás das meninas e quando chegaram pra ensaiar, elas não sabiam tocar nada! Eram péssimas, um desastre, só que o Luiz já tinha marcado um show. Eles convidaram o André Benevides e foram levando. A banda mudou de formação um milhão de vezes e, no final de 1990, eu entrei pra banda (antes tocava no MR-8). Em 1995 o Luiz saiu e, a partir daí, começou uma nova fase do Pin Ups.
Como fica o Pin Ups frente a nova configuração do rock brazuca? Uma cena que prestigia apenas as bandas que cantam em português e cuja grande onda é o retorno ao regionalismo... Como fica o Pin Ups em meio a tudo isso?
Ficamos na mesma. Continuamos sendo a mesma banda de sempre, nós não vamos cantar em português! Recebemos uma proposta indecorosa uma vez, de cantar em português e assinar com uma major. Uma coisa maluca! Só que não rola, entendeu? A gente tem que ser honesto com a gente mesmo em primeiro lugar. E em segundo lugar com o público. Desde 1988 a gente segue uma linha de trabalho, cantando em inglês...
Esse negócio de achar que "só é bom quem canta em português" é um grande absurdo...
Também acho isso péssimo, cara. Pra mim isso é um nazismo, é uma volta ao nacionalismo,. Eu odeio essa coisa de "você tem que cantar em português porque é a língua do nosso país"... Meu, não quero que você entenda o que eu falo. Quer entender? Vai ler a letra. Não quer entender? O som é legal... Se existe um público pro Oasis, por que não existe um público pro Pin Ups, ou pro Snooze? Se existe um público pro NOFX, por que não existe pro Garage Fuzz? Só porque somos brasileiros temos a obrigação de cantar na língua nacional? Meu, qual é o problema? Somos uma banda brasileira com potencial mundial!

E a história daquela crítica super ofensiva do "Gash" que saiu na Bizz?
Do Miranda? Eu não achei nada...
Mas gerou uma certa polêmica...
Fiquei chateada com ele, mas fazer o que?! Ele acha Maria do Relento a melhor banda do Brasil... E o pior é que o Miranda adora o Pin Ups...
Acho que hoje, mais do que nunca, a independência é o único caminho para o Pin Ups...
Lógico, sem dúvida!
Não por uma questão de postura, mas porque é o que a realidade permite para vocês.
Quero lançar por selos de guitar bands, quero me juntar as guitar bands... Eu nunca fui muito amiga dessa galera, porque eles sempre tiveram o maior preconceito com a gente, porque a gente sempre foi muito pesado pra eles... Eu não sei explicar direito isso...
É pelo fato deles gostarem de um som mais etéreo?
É, essa galera etérea é meio bichinha... (risos)
Mesmo o Brincando de Deus?
Não, o Brincando de Deus não é bichinha! O Messias é um cara legal e os caras da banda dele não são uns afetados idiotas olhando pro céu com carinha de "ai meu Deus, meu mundo caiu, quero ser igual o Pavement"... Eles (Brincando de Deus) não são assim, entendeu? São uns caras normais, tipo "ô meu irmão, beleza? Vamos fumar um, meu rei?". São tipo na moral, uns caras que gostam de som.
Mas e a galera do som etéreo?
Essa galera é muito sensível e a gente é tipo uns porraloucas, entendeu? Só que somos uns porraloucas que gostam de música sensível... Ai, como é que vou me exprimir sem ofender as pessoas? Têm uma galera que encarna uma coisa meio Joy Division, meio gótica, meio dark, e fica uma coisa meio "afetadinha". Eles nunca gostaram muito da gente porque sempre fomos escrachados... Aí as pessoas ficam com o pé atrás com a gente. Mas hoje em dia somos mais educados. Voltamos a nos corresponder com todas as guitar bands, com essas pessoas que a gente não tinha muito contato, principalmente com a galera do Rio. Eu na verdade estou falando basicamente dessa galera do Rio. Hoje em dia sou super amiga do Lariú e adoro as bandas: sempre gostei de Second Come, Cigarettes, Pelvs, sempre defendi essas bandas...
Mudando de assunto: o artista deve expressar apenas seu sentimento ou as "coisas do mundo"?
Acho que o artista deve exprimir os sentimentos dele. Isso é uma coisa da modernidade: somos muito egoístas, preocupados apenas com nós mesmos. Você não se preocupa mais com o "social", o "comum", o "comunitário". Eu acho que é uma tendência e acho que é uma coisa legal. Eu expresso com minhas letras coisas totalmente pessoais, não tenho mais a pretensão de descobrir o mundo. Entender o mundo com seus olhos é uma coisa; explicar o mundo para os outros é outra. Eu não quero explicar o mundo. Existe o que é comum, aquilo que todo mundo sabe que é bacana, as coisas corretas... Você entendeu onde eu quero chegar?
Mas isso não quer dizer que existam apenas as interpretações da realidade. Afinal, existem os fatos...
Existem alguns fatos, porque se ficar tudo muito subjetivo demais, peraí! Senão subverte demais...
Tem que ter um critério mínimo...
Um critério mínimo! Eu concordo com o critério mínimo. E tento ver os dois lados da coisa.
O mundo faz o indivíduo egoísta.
Exatamente. Lógico! É uma tendência. As coisas se encaminharam de tal forma que hoje em dia as coisas são assim. O mundo tomou um certo rumo e as pessoas hoje, nos anos noventa, são de um certo jeito... Geração X, né? Isso existe, cara! Isso existe, é verdade. Eu me sinto parte de uma Geração X de alguma forma: aquela galera jogada no meio de um monte de tendências... As pessoas hoje em dia não são civilizadas, elas não sabem mais viver em sociedade, não sabem mais dar um "bom dia", manter sua rua limpa, cuidar do que é do próximo como se fosse seu, cuidar da sua cidade como se fosse a sua casa. As pessoas perderam essas noções básicas de civilidade.
O homem se realiza no outro. Não é a estupidez da "minha liberdade termina onde começa a sua". É "a minha liberdade depende da sua"...
Mas ninguém vive bem junto, esse é um outro papo que a gente podia passar horas conversando: Por que a cena independente brasileira nunca vai pra frente? Porque as pessoas se odeiam. Se as pessoas convivessem em harmonia dentro de um mesmo recinto nós iríamos ter muito mais shows, muito mais zines, lojas de disco, muito mais tudo, cara! Mas você chega num lugar e vai encontrar com um cara que vai te dar um tiro pelas costas... Afe! Então foda-se: essa gente merece o que tem. Fica reclamando mas não faz nada para mudar, então fica aí. Foda-se, cansei.
Momento auto-biográfico: Alê por ela mesma.
Eu me vejo assim: uma mina chata e mala. Isso tudo desde que lí uma Melody Maker que tinha uma review da demo do Bikini Kill, e encarnei nessa viagem. E conheci também umas pessoas que fazem publicações de zines e tal, e me posicionei de uma forma anti-sexista. E isso tem mais ou menos quatro anos. Sempre vivi num mundo de homens, sempre, sempre, sempre... O mundo punk sempre foi muito machista! E muito sexista, por incrível que pareça. Mas a gente se acostuma, né? Porém, nunca fui zoada, nunca fui maltratada, sempre fui respeitada de alguma forma. E hoje em dia eu tento me posicionar muito mais. Porque cresci também, tenho 25 anos, não tenho mais paciência. Acho que trabalho pra caralho, sou tão inteligente quanto um monte de gente que está por aí, então acho que tenho que me posicionar sim. Hoje em dia a mulher não tem que engolir muita merda não! As pessoas são mais esclarecidas, o momento é de igualdade, então eu não admito. Não admito sexismo de forma alguma! E sou até meio chata com isso, boicoto algumas bandas, acho tudo uma bosta, vejo sexismo onde até de repente não tem. Eu sou chata demais.
Só para fechar com estilo, eis um depoimento atual da Alê, colhido poucos dias antes da edição final dessa entrevista...
Doze anos e duas filhas depois, posso dizer que sou uma pessoa feliz, tranquila e segura do meu espaço no mundo. Tenho a clara sensação de que meu dever foi cumprido na história do rock brasileiro e tenho certeza de que o Pin Ups foi responsável pelo surgimento de uma cena indie que existe até hoje. Como o Zé e eu trabalhamos na MTV, a gente tem a oportunidade de conhecer pessoas das novas bandas e é muito engraçado quando a gente descobre que grande parte delas conhece e tem admiração e respeito pelo Pin Ups. Dá aquela sensação de que realmente valeu a pena - pra gente eu sei que valeu e muuuuuuuuuuuuito - mas de que valeu pra mais gente também!
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domingo, 16 de novembro de 2008
SPAM ANOS NOVENTA


Um clássico do fanzinato nacional. Esse post vai para o Tibiu, Márcio Sno, Junior (White Frogs) e outros tantos obstinados batalhadores que viveram intensamente os anos noventa. Ah, e para o Fernando e o Mutz, é claro: fundadores da sHort Records.
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