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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO?

zico
Ok! O ZINISMO não costuma se meter no assunto futebol (pelo menos não fora da época de copa), mas vamos combinar que quando se trata de personagens como o "Galinho de Quintino", Zico, não estamos falando exatamente de futebol, mas sim de patrimônio nacional! (porra, tem até estátua do cara no Japão! Enquanto o Pelé tem uma estátua em... Três Corações!!!). E, levando em conta que o Flamengo é realmente o time das massas (desculpem o curintianos, mas não dá nem pra competir), colocaremos então o clube carioca como um patrimônio também, mesmo que isso torne toda a realidade atual do clube em algo ainda mais deprimente.

A balbúrdia começou ainda no começo de 2010 quando a presidente Patrícia Amorim, destituiu a diretoria e a alta cúpula de dirigentes do clube, até o Vice Presidente rodou, embora não arrede o pé de lá até hoje. Para piorar, briguinhas internas fizeram que muita merda voasse para todos os lados quando, ainda nesse episódio, que deveria ser a renovação administrativa do clube, deixaram vazar para imprensa muito do que estava acontecendo dentro da diretoria, porém, quase sempre de forma muito parcial (imagino que a diretoria de um clube como esse no Rio, que tem um futebol cada vez mais decadente há tempos, deve ser o equivalente a pertencer a algum ministério nacional!).

Mas daí veio a pausa para a Copa da Africa do Sul, e a calmaria chegou na Gávea. A esperança foi renovada quando foi divulgado que Zico assumiria a Coordenação de Futebol do Mengo até 2012. Era a luz no fim do túnel, mas, na madrugada de 01 de outubro, Zico anunciou sua renúncia ao cargo em uma longa carta escrita pelo próprio em seu site oficial.
E lá se foi a luz no fim do túnel e toda a esperança.
"Eu podia estar matando! Eu podia estar estuprando! Eu podia ser goleiro do Flamengo! ..."
Acho que o Zico ainda não tinha nem colocado retratos dos seus filhos em sua mesa de trabalho na sede do clube quando o caso de polícia envolvendo o goleiro Bruno estourou, e com isso, um monte de detalhes sórdidos, dignos de histórias bíblicas estilo "Sodoma e Gomorra", como festas com muitas garotas de programa, cocaína, alcool, etc, etc, chegaram aos noticiários. Não que eu desaprove tais festinhas, mas eu não sou atleta, muito menos, profissional.

E lá vai o Zico fazer seu papel de apaziguador e porta-vóz da massa tentando limpar a barra do clube que, quer queira, quer não, teve sua imagem (há muito não tão imaculada) destruída perante a opinião pública, principalmente internacional. Pior ainda se lembrarmos que tudo isso aconteceu pouquíssimo tempo depois dos noticiários de televisão mostrarem para quem quisesse ver o relacionamento pra lá de amigável entre os jogadores Adriano e Wagner Love com os chefes do tráfico de algumas facções criminosas.

Isso pra não falar na situação do Mengo no Brasileirão, onde mais uma vez luta para não ser rebaixado, e do contrato entre o Flamengo e CFZ, clube de Zico, que resultou nessa renúncia.

Sem dúvida, há algo de muito errado acontecendo dentro do clube da Gávea. E nem mesmo o maior ídolo do Flamengo seria capaz de contornar essa situação.

Mais triste ainda, é constatar definitivamente que o futebol carioca, em geral, não terá salvação à curto prazo. Do jeito que está, na verdade, é mais fácil que apareçam notícias sobre milícias* patrocinadas por jogadores cariocas do que encontrar solução para toda essa zona.

*se você pesquisar a palavra "milícia" na Wikipédia, aparecem duas definições: Na primeira, apenas a palavra "milícia" e na segunda "milícia - Rio de Janeiro" !
"Muito triste!", diria o poeta dominical Gugu Liberato!

O Lixão - É assim que Google Street View chama o estado do Rio de Janeiro

E pelo jeito, não é só o futebol carioca que anda mal das pernas. Apesar da longa estiagem que acabou nas últimas semanas, acho que ninguém esqueceu a quantidade de tragédias que aconteceram no Rio no final do último verão. A mais notável foi sem dúvida o enorme desabamento de terra que aconteceu na comunidade (pode ser bairrismo de paulista, mas eu odeio a palavra "comunidade"! Favela é bem mais legal, e nada pejorativo nem politicamente incorreto) do Morro do Bumba em Niterói.

Assim como no caso do goleiro Bruno, detalhes não tão "legais" vieram à tona. A terra que desceu o morro, não apenas destruiu lares e famílias, mas revelou uma verdade que estava escondida embaixo da lama: o Morro tinha como "fundação" do terreno um (teóricamente, apenas) extinto Lixão.lixãoO serviço "Google Street View" começou a funcionar nessa última quinta feira, 30 de setembro, aqui em Terra Brasilis e, pra variar, em menos de 24 horas (nem Jack Bauer é tão eficaz!) já deu merda!
Qualquer endereço, de qualquer cidade do estado do Rio de Janeiro que você procure no Google Street View, terá na descrição "nome do estado" a palavra LANDFILL ao invés de Rio de Janeiro. Beleza, você não é obrigado a falar inglês, então a gente te ajuda:

Landfill = Aterro Sanitário, lixão, pequena área preenchida com dejetos orgânicos ou não
Landfill(2) = Nome de dois personagens do "Universo Transformers"

Bom, acho que não é ao Universo Transformers que o Google está se referindo, sobrando, portanto, a opção: Lixão.
Alguns dizem que o erro é do Google, porém, eu desconfio de algum ataque ao Banco de Dados do programa.
O Google já está resolvendo a bagunça, mas de boa, essa sexta feira, 01 de Outubro de 2010, não foi exatamente um dia para ser lembrado pelo caloroso povo carioca.

E agora Gil? O Rio de Janeiro continua lindo?

**--

ps: Para os cariocas, fica a dica: A gente só pode é torcer por dias melhores, e noites boêmias na Lapa! E por fim, implorar a benção do Redentor, mesmo que você seja ateu, porque sinceramente.... tá díficil!
Salve-se!
cristo redentor

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH # 3 e 4

Dando continuidade a publicação das "memórias fanzinísticas" feita por Márcio Sno, seguimos com os fanzines AAAH # 3 e 4.
A rede de contatos aumentaram consideravelmente e culminaram em um fanzine de 120 páginas! Além da incrível história do poster, feito de modo coletivo através do correio - Do-it-yourself puro, velhos!


Aaah!! - n° 3 - 1994



Esqueci de falar que as duas primeiras edições saíram em formato ofício (uma folha de sulfite inteira) e a partir dessa edição passei a usar o formato meio ofício, pois era mais bonitinho...
Eu perdi os originais desse zine, que foi feito todo em formato ofício e depois eu reduzi até que ficasse no tamanho para caber nas páginas.
Nessa época eu já tinha contato com uma das pessoas mais bacanas e misteriosas do universo dos fanzines: Bruno Furnari, que editou o revolucionário Drowned (talvez o primeiro feito inteiramente por computador). Furnari era muito divertido e desenhava muito, mas curiosamente ninguém conheceu o cara pessoalmente. Nem eu.
Nas cartas dele, sempre vinha um bocado de desenhos que fui utilizando nos meus zines a partir daí. Na capa desse zine, os dois guitarristas saíram dessas cartas. A caveirinha lá na batera eu surrupiei do fanzine Rock n'Roll que era distribuído na Galeria do Rock. O carinha gritando abaixo eu peguei em um jornal.
Ah, e o Furnari também era um dos poucos no país que desfrutavam de computador e impressora a laser. E foi ele quem fez o logotipo dessa vez.
Aos poucos, fui deixando de publicar releases em minhas publicações e adotando mais entrevistas, embora, as perguntas feitas eram praticamente idênticas umas das outras.
Entre a galera entrevistada estavam: Pinheads, Cortina de Ferro (quem não se lembra da clássica "into the fire, oh, memories..."?), Prime Mover, Soutien Xiita, Rotten Flies, Lethal Charge, The Power of the Bira, João Gordo (na época ele havia produzido a clássica coletânea Fun, Milk & destroy), Poindexter, Uterus Masticator, KOV, Hell Noise, GDE, Rot, Reforma Protestante, Desecration, Purulence...
Nessa edição eu inaugurei a sessão "Poetando" e também as cruzadinhas.
Essa edição também marca a primeira participação de Henry Jaepelt em meus zines. Uma parceria que dura até hoje!
Curiosidades mais: O editorial completo dessa edição foi publicado no "Almanaque de Fanzines" de Bia Albernaz e Maurício Peltier. E a HQ que fiz na contracapa, chamada "Use your head" saiu no caderno Zap! do jornal O Estado de S. Paulo (um caderno jovem que sempre saía coisas minhas - eu era apenas um leitor, diga-se de passagem) e, curiosamente descobri isso quando um amigo disse que esse caderno foi distribuído durante o Hollywood Rock.
Nessa edição meu zine contava com o selinho da Tilt Corp., que era uma cooperativa de zines idealizada pelo Furnari.


Aaah!! - n° 4 - 1994


Não via a hora de chegar nessa edição...

Em menos de um ano, graças aos outros zines e nos bilhões de flyers que distribuí nos envelopes pelo Brasil afora, já acumulava uma quantidade incontável de contatos e isso ficava claro quando eu recebia todos os dias um pacote de cartas recheadas de fitas demo e fanzines dos mais variados tipos, estilos, tamanhos, ideologias e locais.
O resultado disso, foi um zine de 120 páginas e mais um pôster, do qual falarei no próximo capítulo.
Muitos podem pensar que fiz um zine desse tamanho para me exibir ou coisa parecida. Mas quem viveu aquela época, sabe bem que quando de lançava um zine, não se tinha ideia quando sairia a edição seguinte e eu, com essa coisa filantrópica nata, tinha receio de deixar material recebido sem previsão de ser divulgado.
Era muito complicado tirar cópia e mandar pelo correio esse zine, pois com o volume aumentava os custos em todos os sentidos.
Essa edição a capa ficou a cargo de Bruno Furnari, mas dessa vez o desenho foi proposital para ser a capa dessa edição. Coloquei de fundo um papel pardo (daqueles que sempre tem no final dos blocos de papel timbrados, saca?) pra dar um aspecto mais sujo na hora da xerox. O miolo, usei como "margens" páginas do extinto Notícias Populares, o sangrento jornal paulista.
Nessa edição quase já não tinha mais os releases de bandas, foram muitas entrevistas. Inclusive foi a primeira vez que fiz uma entrevista ao vivo, com a banda de death metal Golem, junto com o Hugo Leta.
Entrevistas com: Safari Hamburgers, Alpha Asian Malaria, Primal Therapy, Face to Face zine, Decibéis D'Bilöid's, Blessed, Homicide (ótima banda italiana, quem souber o paradeiro, me avise!),Tumulto, Siecrist, Cash for Chaos, Alternative System, Hinfamy, Necrorrosion, BSB-H, Kangaroos in Tilt, Câmbio Negro HC, No Violence, Gaby Benedyct, Discarga Violenta, Anthares e outros mais.
Colaboraram com desenhos: o casal Maria e Henry Jaepelt, Hugo Leta, Joacy Jamys, Furnari, Alessandro Yogui, Tunão, Laerte, Gerson Mendes e os meus desenhinhos também!
Sem falar as inúmeras resenhas de demos, zines e colaborações de Júnior (do White Frogs, com o texto sobre Straight Edge - na época em que começou a aparecer no Brasil. Causou polêmica esse texto pois ele não era SxE e os hardline acharam isso um absurdo), Paulo Marcos (Thelema).
Além do selinho da Tilt, esso zine agora era apoiado pela SZA (sociedade dos zineiros anônimos), criado pelo Paulo Thelema.
Foi um divisor de águas pra mim, e provou que realmente eu tinha algum problema na cabeça...


Aaah!! - n° 4 - 1994 (pôster)



Como se não bastasse ter lançado um zine de 120 páginas, optei em botar um pôster como brinde dessa edição.
Essa inspiração de colocar esse tipo de brinde veio do Escarro Napalm do velho de guerra Adelvan Kenobi.
Porém, ao invés de montagem de fotos, optei em fazer uma obra de arte por várias mãos.
Qual era a minha ideia? Peguei uma folha de A3 (tamanho de dois sulfites A4 juntos), fiz uma borda e um desenhinho logo abaixo. Botei num envelope e fiz uma relação de nomes de pessoas que eu gostaria que rabiscassem o papel. Cada um que recebesse a folha, teria que fazer uma ilustração que tivesse a ver com o nome do zines, mas que meio que se emendasse um no outro. Aí, o cara que desenhasse, teria que mandar via correio a folha para o próximo da lista. E assim foi...
Não me lembro exatamente quem desenhou primeiro, mas sei que quem desenhou por último foi o Paulo Gomes (do fanzine Putrid e baterista do Necrorrosion). Antes dele, rabiscaram o papel: Hugo Leta, Bruno Furnari, Henry e Maria Jaepelt, Oscar F. (fanzine Sonic - Goiânia), Márcio Jr (vocalista do Mechanics - Goiânia), Tunão (da banda The Still - Araraquara), Kevin (do fanzine Glunx - não me lembro a cidade), Celso Moraes (idem) e Sylvio Ayala (não lembro o nome do zine).
O resultado é esse. Ficou lindão e eu guardo com muito carinho!