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domingo, 18 de agosto de 2013

ZINES OU FANZINES?


 Zines ou Fanzines? Esse é o nome da roda de conversa que acontecerá no dia 24/08, às 11h, na Biblioteca Walter Wey (Estação Pinacoteca), em São Paulo/SP. O evento tem sobrenome - Um panorama da produção contemporânea de publicações independentes - e o bate-papo será conduzido por Bia Bittencourt (Feira Plana) e Douglas Utescher (Ugra Press). Inscrições antecipadas pelo telefone: 11 3335-5196.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CONVOCATÓRIA PARA O 3ADFZPA


Depois de duas edições do Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas, a Ugra Press acaba de lança a Convocatória para recebimentos de fanzines para a terceira edição!

A novidade da vez é que trata-se de uma edição Ibero-Americana, ou seja, para toda a América Latina e os países da União Ibérica (Portugal, Espanha e Andorra - sabia que existia esse país?).

Clique aqui para obter mais informações de como mandar sua publicação! Aproveite e baixe gratuitamente dos números anteriores do Anuário!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

LANÇAMENTO ANUÁRIO DE FANZINES E DVD FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO CAP. 2


Sábado agora, na Loja Hotel em São Paulo haverá um lançamento quádruplo (não é uma modalidade nova de esporte olímpico) para zineiro nenhum botar defeito.

O primeiro deles é o Segundo Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Independentes da UGRA PRESS.

Quem teve acesso ao primeiro sabe que se trata de uma publicação séria com resenhas, matérias, estatísticas e muito mais sobre o universo dos zines e afins durante o ano de 2011. A previsão inicial era de que o Anuário fosse lançado no UGRA FEST, mas como na época a correria para o festival estava vertiginosa, todos os esforços da UGRA se direcionaram para o evento. Um outro argumento para o lançamento posterior foi a garantia da qualidade e acabamento da publicação (lembremos que o artesão e editor Douglas Utescher gosta de coisas arcaicas como costuras manuais, recortes e impressões com métodos artesanais). Esta edição do Anuário conta com a ajuda de dois membros do Zinismo, eu e o Márcio Sno.

Douglas tem trabalhado madrugadas inteiras na produção dos Anuários.

Por falar em Márcio Sno, o segundo lançamento do dia diz respeito justamente a este cabra. Trata-se do lançamento do Segundo Capítulo do Fanzineiros do Século Passado que sairá desta vez com um DVD recheado de bônus e acompanhado de um fanzine caprichado. Se o primeiro capítulo teve um viés mais saudosista, neste segundo episódio Sno investiga um pouco da produção contemporânea, como o fanzine a serviço do rock, os fanzineiros deste século e os estímulos para a produção impressa.

O zinista Marcelo Viegas confere conteúdo obsceno do zine encartado ao DVD.

Fanzineiros do Século Passado - Cap. 2 - teaser from Márcio Sno on Vimeo.


Além disso, teremos a presença do ilustre ilustrador Rodrigo Okuyama que estará lançando alguns de seus novos zines incríveis. Como costumo enfatizar, sem exagero, os zines de Rodrigo estão entre os melhores feitos no mundo nos dias de hoje com suas impressões manuais (estencil), capas costuradas e materiais inusitados. Oportunidade rara de adquirir estas preciosidades.


O quarto lançamento é o ZINE TRALHA, feito pelo artista gráfico Daniel Hogrefe.
Trata-se de um zine que resgata e valoriza um pouco da arte perdida dos flyers e cartazes de shows, principalmente do punk e harcore. Além das imagens, entrevistas, como a do mestre Ete, lendário desenhista de caveiras, zumbis e outras criaturas do além. Um pouco do trabalho do Daniel pode ser acompanhado aqui.


E como não poderia faltar, um bom som. Marcelo Fusco e Maurício Rossi se apresentam com o Dub Cavera.

Demorou né?

Dia 14 de abril de 2012 - das 17:00 às 22:00 horas.
Entrada gratuita.

Hotel tee's
Rua Matias Aires, 78, São Paulo, Brasil
Próximo ao metrô Consolação.

terça-feira, 27 de março de 2012

ZINE STREET GROUND # 1 e 2

Street Ground é o novo zine feito por Rogério Alves (Last Call Zine) de Barueri – SP, que também toca o blog e os projetos do Art till Death. O autor além de fazer seus próprios trampos com “lambs” faz o zine para divulgar a cena baseando-se em três meios de expressão: o skate, a música independente e a arte urbana.


No primeiro número matéria com o ícone Raymond Pettibon, entrevista com a banda local The Push Mongos, muitas fotos de colagens nas ruas e uma entrevista exclusiva com o fotógrafo Eric Marechal, que fotografa e sai colando posters alheios nas ruas de todo mundo.


No segundo número matéria sobre a fanzinada no MASP, fotos de trabalhos nas ruas, release de bandas , CDs e Zines.


O fato do zine priorizar os trabalhos “colados” na rua, sejam stickers, lambs ou posters é um grande mérito, pois há poucos zines no Brasil que tenham como foco estes meios.

Visite também o blog do Art Till Death, Rogério sempre o mantém atualizado com eventos ou assuntos relacionados, sejam eles locais ou globais (como nos ensinaram os velhos mandamentos punks/hc).


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

OFICINAS II UGRA FEST



Uma das atrações oferecidas no II Ugra Fest que ocorrerá no dia 10 de março são as oficinas.

Quando começamos a pensar na programação do evento há uns bons meses atrás uma das primeiras certezas que tivemos é a de que neste ano também deveríamos oferecer oficinas, que foram sem dúvida, um dos pontos positivos do evento passado.
Na hora de escolhermos as oficinas levamos em conta alguns fatores que julgamos importantes. Os oficineiros tinham que ser pessoas do meio do fanzine, deveriam acrescentar algo em termos de técnica e experiência para os participantes das oficinas e principalmente, deveriam ter o espírito colaborativo e prático que tantos admiramos.

Dois nomes vieram de pronto e de forma unânime: Daniel Melim e Rodrigo Okuyama.

RODRIGO OKUYAMA

O Rodrigo é formado em arquitetura pela USP e atua como ilustrador de livros e fanzines. É editor de alguns dos zines mais incríveis que tenho visto nos últimos anos, como o La Permura e o Estensas Estrias del EstenSiñor.



Seus fanzines são uma feliz combinação de técnicas artesanais como o estêncil, costuras e encadernações manuais e utilização de materiais inusitados (como a capa de Tetrapack). Ultimamente vem fazendo experimentações que aliam dobraduras com narrativas através de desenhos.

Sinceramente não conheço ninguém que tenha pegado um dos zines do Rodrigo nas mãos e tenha conseguido ficado indiferente.



Neste ano, Rodrigo realizará a oficina de customização de fanzines, onde serão apresentadas diferentes técnicas de encadernação e impressão.



DANIEL MELIM

O Daniel Melim é do ABC paulista e é um dos nomes de referência quando falamos sobre arte urbana no Brasil.



Agenciado pela Choque Cultural, seus graffitis utilizam com técnica o estêncil (desenhos feitos através de moldes vazados) e são marcados pelo cunho social e político. Seus trabalhos são encontrados nos mais variados lugares, como em revistas, ruas do subúrbio, fábricas abandonadas, galerias no Brasil e no exterior e já passaram por museus como o MASP e o Afro Brasil. Recentemente fez um painel no centro de São Paulo que é considerado um dos maiores feitos em estêncil do mundo.



Nesta oficina o artista abordará algumas técnicas de estêncil voltadas para o papel, adquiridas na sua experiência na confecção de blackbooks (cadernos utilizados por pixadores) e fanzines (Melim é um dos editores do zine Subsolo – Ruas do ABC).

As oficinas custam apenas R$ 20,00 e tem número limitadíssimo de vagas. Aproveite!

Serviço:
Oficinas II UGRA FEST - DIA 10 DE MARÇO, SÁBADO, ÀS 14h
Casa do Fazer – Rua Humberto I, 201

14h: Oficina de Estêncil com Daniel Melim
Valor da oficina: R$20. Vagas limitadas.

15h30: Oficina de Customização de Fanzines com Rodrigo Okuyama
Valor da oficina: R$20. Vagas limitadas.
Inscrições antecipadas pelo e-mail ugra.press@gmail.com

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

CORTEX



O trabalho do ilustrador, artista plástico, educador e zinista Flávio Grão está quase que onipresente nos fanzines lançados nos últimos anos. Seus traços fortes, rústicos (quase se assemelhando a xilogravuras) viajam em um roteiro filosófico-poético, sempre passeando pelo inconsciente individual e coletivo.

Recentemente lançou duas edições do fanzine Manufatura, nas quais conta histórias sem utilizar textos: apenas o apelo visual com um pé no surrealismo, que transmitem muita informação. Mas, para isso, é necessária a observação atenciosa do leitor. Não basta apenas folhear, tem que explorar cada ilustração para entrar no universo do autor. Que, depois percebemos que também é o nosso universo.

Cortex traz a mesma proposta, porém de uma forma diferente: o autor se enveredou no universo da colagem para contar a história de um personagem que se assemelha com um cérebro, tendo como cenários imagens clássicas de cidades e de situações.

A prática de recortar e colar é algo fácil. Nem tanto. Saber harmonizar uma imagem sobreposta sobre outra e ainda ter o objetivo de contar uma história sequencial é para poucos. Grão começou Cortex em 2008 e finalizou na segunda metade de 2011. E o tempo talvez tenha sido fundamental para as ideias fluírem para alcançarem o resultado final.

Algo que é marca nos últimos trabalhos de Flávio Grão, é a experimentação em cima de papéis de gramaturas e texturas diferentes. Nesselançamento utiliza de papel vegetal para sobrepor a capa de colorset e o miolo de vergé. Mostrando, inconsciente ou não, que o fanzine impresso para ser atrativo e necessário, necessita ter um apelo muito além que textos e desenhos: precisa ter um “valor” de tato e visual, que já é tendência na Europa e Estados Unidos e que acredito ser o futuro dos zines impressos por aqui.

Cortex não é algo simples de se adentrar. Talvez facilite nas referências bibliográficas que cita ao final da publicação: o artista plástico surrealista alemão Max Ernst, o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky e o pintor e cineasta da pop art estadunidense Andrew Warhola. Você não entendeu ou não faz ideia de quem se trata? Dá uma pesquisada rapidinha e depois volte aqui nesse ponto.

Pronto. Agora é possível entender onde mais ou menos queremos chegar.

A história de Grão começa com uma simples dor de cabeça. Essa dor toma conta do paciente que consegue enxergá-la através do espelho. Aos poucos, esse diagnóstico começa a tomar dimensões gigantescas e até inacreditáveis. É o absurdo se mesclando com o real. O caos individual transformando-se no pop coletivo, sem percepção do monstro que foi criado. A desgraça em larga escala de produção. Quem sabe, com essa intenção, no verso de cada obra, o autor sugere um cartão postal, para conversar conceitualmente com a história.

O nome do zine sugere o termo “vortex”, que pode ser definido como movimentos espirais ao redor de um centro de rotação. Com isso, tudo que envolve essa publicação tem um porquê e uma razão de ser. Nada é gratuito.

Grão surpreende mais uma vez, fugindo do lugar-comum, das teorias absurdas, do egocentrismo, para que, de uma forma inteligente, denunciar e clarear a realidade consumista que está aí na nossa frente e que não temos olhos para enxergar. Ou não queremos.

MAIS GRÃO

Como se não bastasse ser "fugurinha carimbada" no mundo dos fanzines, Grão está se enveredando no universo dos livros. Recentemente foi convidado pela Ugra Press para ilustrar o primeiro livro de contos de Leandro Márcio Ramos, o Tudo que é grande se constrói sobre mágoa.

A publicação foi feita de forma totalmente manual, com uma montagem peculiar, feita uma a uma. Acompanhe aqui todo o processo de produção.




LANÇAMENTOS


O Cortex, e o Tudo que é grande se constrói sobre mágoa serão lançados no próximo sábado, 10 de dezembro, no Hotel Tee's, em São Paulo, conforme exibe o cartaz abaixo.
Na oportunidade, Grão também lançará um pôster e uma camiseta de tiragem limitada com suas ilustrações.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

II ANUÁRIO DE FANZINES - ÚLTIMA SEMANA PARA ENVIO DE ZINES



Esta é a última semana para enviar sua publicação para o II Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas da UGRA Press.

Essa publicação é uma referência para os fanzines nacionais, se você não conferiu a primeira, veja aqui.

Segue a convocatória da UGRA na íntegra:

Zineiros, faneditores e editores alternativos: é com grande prazer que a Ugra Press lança a convocatória para o II Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas. A meta, a exemplo da primeira edição, é mapear, catalogar, divulgar e estabelecer um espaço crítico para a imprensa alternativa. A novidade é que dessa vez estamos convocando editores de toda a América do Sul, o que certamente fará do próximo Anuário uma grande referência para todos aqueles que pretendem divulgar seus trabalhos, fazer contatos e conhecer a fundo a fanedição sul-americana..

QUEM PODE PARTICIPAR?

O Anuário pretende cobrir a produção de fanzines, zines e publicações alternativas impressas em toda sua abrangência: quadrinhos, música, cinema, literatura, arte urbana, espiritualidade, perzines, artzines, queerzines… vale tudo! Não existem restrições temáticas, mas boletins partidários ou religiosos (como órgãos informativos de igrejas, por exemplo) serão desconsiderados. Publicações experimentais e autorais, como sempre, são mais do que bem vindas.


COMO PARTICIPAR?
1 – Envie sua(s) publicação(ções) para o seguinte endereço:

c/o Douglas Junior Utescher Alves
Caixa Postal 777
São Paulo / SP
CEP: 01031-970

2 – Não esqueça de enviar também um e-mail para contato! Será imprescindível para confirmar sua presença no Anuário.

3 – Assim que recebermos o material, enviaremos por e-mail uma ficha de inclusão que o editor deverá preencher e devolver (também por e-mail). Essa ficha conterá as informações necessárias para a correta catalogação da sua publicação. Sem o preenchimento da ficha, a publicação NÃO entrará no Anuário.


Mas não é só isso!

Na edição anterior, além das resenhas dos zines, publicamos matérias sobre as Fanzinotecas brasileiras e sobre os fanzines como instrumento pedagógico. Para o próximo Anuário, gostaríamos de abordar o fanzine como objeto de estudo. Portanto, você, estudante que fez ou está fazendo monografia, dissertação, artigo ou documentário sobre o tema, entre em contato e conte-nos mais sobre sua pesquisa!


DEADLINE
As publicações devem ser enviadas até 10 de dezembro de 2011. Material enviado após essa data ficará arquivado para o Anuário seguinte. Portanto, não deixe para a última hora!

A publicação do anuário está prevista para março de 2012.


CONTAMOS COM SUA COLABORAÇÃO!


Se precisar de algum outro material, entre em contato pelo e-mail ugra.press@gmail.com

PERGUNTAS FREQUENTES

Participei do anuário do ano passado. Posso participar deste também?Pode e deve! Caso tenham sido lançadas novas edições da sua publicação neste meio tempo, não deixe de enviá-las.

Eu edito várias publicações diferentes. Posso mandar todas?Sim. Todos os títulos recebidos serão resenhados.

Minha publicação está na vigésima edição. Posso mandar todas?Sim, mas por questões práticas só serão resenhadas as 3 edições mais recentes.

Ao invés de mandar uma cópia física da minha publicação, posso enviar um arquivo PDF?Não. Um dos aspectos que nos interessam é justamente compreender como são impressas as publicações alternativas atuais.

Minha publicação circula apenas em versão virtual (um arquivo PDF, por exemplo). Posso enviá-la?Não. O foco do Anuário são as publicações impressas.

Se eu enviar minha publicação, eu receberei um Anuário em troca?Infelizmente, isso não é possível. O Anuário é volumoso e de produção relativamente cara para nós. Arcar com os custos de impressão e envio para todos que participarem está muito além das nossas possibilidades. O que fizemos na primeira edição e continuaremos fazendo na segunda é determinar um preço especial para os participantes. Haverá também a versão digital do Anuário no formato PDF, distribuída gratuitamente.

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Vai deixar seus fanzines fora dessa??

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

FANZINADA NO MASP



O MASP é o mais importante museu da cidade de São Paulo e um dos acervos mais milionários e respeitados no mundo. Com a sua exposição De Dentro e de Fora proporcionou, mais uma vez, a entrada do graffiti em museus e reforçar o seu reconhecimento como obra de arte. Justíssimo.

Caledonia Dance Curry, trouxe o seu “Acampamento Ercília” para o vão do MASP, um barraco aberto, onde artistas e “pessoas comuns”, podem fazer intervenções em toda a instalação, pemanentemente. E foi lá que a Fanzinada se instalou em 5 de novembro.

Boa parte da programação furou, mas foi uma grande oportunidade para rever fanzineiros das antigas e da atualidade e também conhecer muita gente que está produzindo fanzines impressos.

O poeta Glauco Mattoso escreveu um soneto especial mente para esse evento, o qual reproduzimos abaixo:

FESTIVO MOTIVO [soneto #5002]

Incrivel! O fanzine sobrevive,
em tempos de internet, e não ha nada
que o torne ultrapassado! A molecada
ainda tem aquelle gaz que eu tive!

Da rede virtual que elle se prive
nem é preciso, e é justo que elle a invada.
Mas, quando se organiza a "Fanzinada",
dum facto não ha foco que se esquive:

Seu charme é ser impresso, mais ou menos
o caso do chordel, esse folheto
tão practico em seus moldes tão pequenos...

Eu, hoje, a fanzinar não mais me metto,
mas gosto quando um zine berra, a plenos
pulmões, ter publicado o meu soneto...


Obs.: Os textos assinado por Glauco Mattoso estarão em desacordo com a ortografia oficial, pois o autor adotou o sistema etmológico vigente desde a época clássica até a década de 1940.

Abaixo, uma amostra do Jornal Dobrabil, feito por Glauco na década de 1980, todo feito em máquina de escrever:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

AMOR AOS PEDAÇOS


- Lembra daquelas caixas de zines que eu disse que ia te dar? Então, preciso desocupar o espaço da casa do meu pai. Pode ser domingo? Me liga.

Essa foi a intimação final de Carlos Rodrigues Costa no meu Facebook.

Uma vez, quando visitei a sua extinta loja Sensorial Discos, ele disse que as caixas eram minhas. Enrolei por uns bons meses até receber essa última ameaça.

Tinha que pensar rápido: como explicar a chegada de três caixas de zines velhos na minha minúscula casa, numa época em que a ordem é o desapego e a desocupação de espécimes? Já sei: não explicar. Pronto.

Alguns e-mails, SMS e telefonemas depois, me vejo em um domingo, sete da manhã (pra calhar, bem no dia que começou o horário de verão, ou seja, acordei às seis!), chovendo como um tradicional janeiro paulista. Rodovia Castelo Branco, com direito a passagem ida e volta.

Em menos de uma hora lá estava eu em Itapevi ao lado das cinco caixas de fanzines. Cinco caixas??? Sim, duas a mais!

Uma olhada por cima e por dentro das caixas, já via que teria em mãos muitas coisas raras do submundo (não vou citar o quê, pra não causar furor!).

- Tem certeza mesmo que quer me dar isso? – perguntei por mais de dez vezes e obtive um “sim” em todas elas. OK, eu levo.

Voltei feliz, mesmo com a chuva castigando e deixando toda a vista esbranquiçada.

Não houve reclamações em casa. Estranho. Até hoje não reclamaram. Mais estranho.

Demorei uma semana até abrir a primeira caixa. Passei a folhear. Não, isso não ia dar certo. Não ia render nada ficar procurando datas e nome do editor. Só dá mesmo, por enquanto, pra separar por tamanho!

De repente, me dei conta de algo: diversos fanzines estavam carimbados com meu nome e endereço. Eu tinha o hábito de marcar coisas de “minha propriedade”.

Em 1994 fui com o Carlos para Mariana/MG participar de um evento de cultura alternativa organizado pelos alunos de História da Universidade Federal de Ouro Preto. Levamos na bagagem bolsas e bolsas de zines para uma exposição (nunca me esqueço a sensação de estar com bolsas pesadíssimas no metrô em horário de pico!). Na volta, com certeza, um trouxe zines do outro. E o ditado piscando em luzes de neon: “o bom filho a casa torna”. Bons meninos.

Dias depois retorno à peregrinação. E descobri que aquelas caixas me preparavam mais surpresas: edições de fanzines que tive, mas que perdi em enchentes e empréstimos que nunca mais voltaram. E lá estavam em casa os irmãos gêmeos do Papakapika, O Cabrunco, Bizarre Inc., Maria Overdrive, Escarro Napalm e até um zine que participei – e nunca havia visto – sobre a banda Soutien Xiita. Sorrisão no rosto.

Já era tarde. Ainda tinha uma caixa. Minha rinite perturbando. Olhei para a caixa. Ameacei fuçar o que tinha. Decidi que não.

Vou deixar um pouco de felicidade para outro dia. Até lá, a rinite sossegou e haverá um motivo especial para sorrir feito um menino bobo que ganhou um boneco Falcon após inúmeros pedidos pro pai.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ZINE SUBSOLO # 2 - RUAS DO ABC



Saiu o fanzine Subsolo 2 – Ruas do ABC.

Editado pelo Studio 13 o Subsolo # 2 está mais “parrudo” e caprichado, com cerca de 100 páginas e ótima impressão (PB em papel couchê).

Folhear este zine possibilita um rolê pelas ruas, paredes e prédios do subúrbio ABC Paulista e as diversas manifestações (marginais) que ocorrem nestes espaços, principalmente a pixação, mas também o graffiti e o movimento punk.



Nesta edição, além das excelentes fotos (destaque para o trabalho de Mario Barbosa e Leonardo Duarte) o zine traz como novidade três matérias escritas: uma entrevista com o grafiteiro Chorão e o pixador Bio (Malditos) e um relato sobre a história do punk no ABC e dos Punk Anjos, escrito pelo Sociólogo Miro Zagrakalin.

Sem muito tempo para hipocrisia, demagogia ou polêmica, o Subsolo 2 traz à tona o grito e a caligrafia daqueles que insistem em se expressar nessa esmagadora e maldita sociedade em que imperam os valores do consumo, capitalismo e individualismo.

Ponto para o Studio 13.

E citando o editorial do zine “que cada um tire suas próprias conclusões”.



ZINISMO RECOMENDA

terça-feira, 5 de abril de 2011

PROGRAMA DE FORMAÇÃO EM HQ E ZINE -CENTRO CULTURAL DA JUVENTUDE - RUTH CARDOSO



O professor Gazy Andraus (autor e editor de hqs independentes, pesquisador do observatório de HQs da USP e Doutor em Ciências da comunicação pela ECA - USP) elaborou junto ao Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso uma extensa programação de eventos e oficinas sobre quadrinhos e fanzines, que ocorrerá durante todo o ano de 2011.

A programação é extensa, e o ZINISMO resolveu separar alguns destaques na área de quadrinhos e fanzines para o mês de abril:

Diálogos com Laerte.
Sim, uma conversa sobre quadrinhos com o mestre Laerte, imperdível.
dia 09 de abril - sábado - às 17:00 horas.

Mesa redonda - dos fanzines à fanzinoteca.
Participarei desta mesa ao lado do Douglas Utescher (UGRA PRESS - Anuário de Fanzines) e do Fábio Tatsubô (responsável pela Mostra Nacional de Fanzines de Santos)
dia 17 de abril - domingo - às 14:00 horas.

Exibição do documentário Fanzineiros do Século Passado - Márcio Sno.
e Fanzineiros - Projeto e continuidade - bate papo com Márcio Sno
Nosso colega e guerrilheiro dos fanzines, Márcio Sno, apresentará seu documentário, alémd e participar de uma troca de idéias a respeito dos fanzines.
Data: 21/04 (quinta- feira - feriado), às 14h (exibição do documentário) e às 16h (bate-papo).

Palestra - HQs, um potencial inexplorado.
Palestra com a Mestra em Vivências da Comunicação Alice Caputo sobre as HQs enquanto fonte de conhecimento e estímulo à leitura.
Dia 23 de abril - sábado - às 10:30 horas.

Além, destes eventos, o CCJ oferecerá outras oficinas e atividades, confira na programação abaixo e fique esperto nos modos de inscrição e participação. Detalhe importante - Tudo "de grátis"!



Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – São Paulo/SP
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte.
(ao lado do terminal Cachoeirinha)- Telefone: (11) 3984-2466
CEP: 02720-200

sábado, 2 de abril de 2011

1º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS - UGRA PRESS


Em julho de 2010, a UGRA PRESS lançou uma convocatória aos fanzineiros para a elaboração de um Anuário de fanzines.

Mesmo sem saber ao certo quem era e o que queria exatamente a UGRA, atendi à convocatória, e assim como outras dezenas de fanzineiros, enviei meus fanzines pelo correio. No início deste ano (fevereiro) recebi uma nova convocação, desta vez para o lançamento do Anuário. Novamente atendi à convocatória e, ansioso, compareci aos eventos de lançamento da publicação para finalmente tê-la em mãos.

A primeira impressão é a de que o anuário é uma edição feita com muito esmero. A capa em papel duro foi impressa individualmente com Estencil (feito e enviado pelo correio pelo lendário fanzineiro Law Tissot). Já na primeira página, através de uma fotonovela (nos moldes das feitas na saudosa revista Chiclete com Banana) os editores contam de modo bem humorado um pouco da história do anuário. E assim segue todo conteúdo da publicação: uma celebração aos fanzines e publicações independentes, com resenhas, entrevistas e matérias com quem de certo modo, colaborou com o mundo zineiro no ano de 2010.

Com uma leitura apurada, alguns temores que tinha com relação ao Anuário foram espantados. O primeiro era o temor de que o Anuário se tornasse apenas um guia frio de endereços e resenhas insossas e impessoais. Pelo contrário, as resenhas são bem feitas, bem humoradas e incentivam os leitores a conhecerem os fanzines.
Outro temor que foi por água, era o de que a editoração do Anuário fosse “tosca”, dificultando a leitura ou a busca de informações (definitivamente amigos, fanzine não precisa ser sinônimo de gambiarra). A UGRA teve o devido cuidado neste aspecto, e o anuário é uma publicação independente caprichada e bem editorada, com uma diagramação limpa, com algumas ilustrações bem selecionadas que permite uma leitura tranqüila e agradável.

Um ponto extra para o Anuário foi a capacidade de levar o discurso a respeito dos Fanzines além do banal e da nostalgia. O infográfico que mapeou as publicações recebidas dá boas informações a respeito dos fanzines nos dias atuais no Brasil: onde são produzidos, que temas têm, quais são suas tiragens e como foram impressos .

As matérias que finalizam o Anuário abordam também outras perspectivas importantes dos fanzines: as fanzinotecas existentes no Brasil; a utilização dos fanzines como recurso didático, do ensino fundamental à pós-graduação e; uma discussão filosófica a respeito do “Futuro Quântico dos paratópicos zines – feito pelo doutor Gazy Andraus - um dos maiores estudiosos dos fanzines na atualidade.

A leitura do Anuário deixa a agradável sensação de que os fanzines estão vivos, encontrando seu merecido e legitimo lugar na cultura contemporânea.

O anuário é uma publicação indispensável, e você pode adquirir tanto a versão física quanto a virtual gratuita. A UGRA provou que não está para brincadeira, parabéns aos editores Douglas e Leandro, esperamos ansiosos suas próximas conspirações e lançamentos.

ZINISMO RECOMENDA!

quinta-feira, 3 de março de 2011

ZINESCÓPIO - ACERVO DE FANZINES EM PDF + ENTREVISTA COM JAMER



Uma das boas novidades de 2011 com relação ao mundo dos fanzines é o blog ZINESCÓPIO feito pelo fanzineiro Jamer.
A proposta do fanzineiro é disponibilizar semanalmente fanzines de seu acervo pessoal para download no formato PDF .

O ZINISMO tinha a intenção de entrevistar Jamer, mas como nosso companheiro de guerrilha Law Tissot foi mais ágil e fez um ótimo trabalho, resolvemos no melhor dos espiritos fanzineiros e da ética "copy-left", reproduzir a entrevista que saiu publicada originalmente no blog da Fanzinoteca Mutação. ZINISMO recomenda!



Fanzinoteca Mutação: O que te motivou a criar o Zinescópio?
Jamer: Possuo uma grande coleção de fanzines impressos. Utilizei essa coleção na minha pesquisa no mestrado (mestrado em educação, defendido em agosto de 2010, na UFRGS), inclusive como referência bibliográfica. Utilizei também em algumas oficinas que ministrei. Hoje em dia com o acesso à informação online e cada vez mais rápido achei interessante disponibilizar essa coleção na internet, digitalizada. Comecei meio por acaso, digitalizei alguns zines em janeiro, e acabei colocando na rede. Na mesma semana tive a idéia de criar um blog, pra organizar e divulgar melhor. A aceitação foi imediata. 700 acessos no primeiro dia do blog, dezenas de e-mails elogiando a iniciativa. De lá pra cá, diversos contatos e colaborações. Muito bacana. O blog tem menos de um mês no ar, com uma média de 160 acessos diários. Tenho tentado postar 1 zine por dia, no mínimo.

Quais fanzines você editou e/ou participou?
Comecei a editar fanzines na escola, em 1994, no interior do Rio Grande do Sul, em Santa Maria. Fiz um "jornalzinho" da escola com a ajuda de alguns colegas, com quadrinhos e charges zoando os professores, e outros textos. Fui expulso do Diretório Estudantil na segunda edição do fanzine, devido ao material publicado, que foi taxado de inapropriado. Em 2000 comecei a escrever uma espécie de "coluna" chamada Inforégo, com crônicas, contos e resenhas de discos, filmes e livros. Enviava esses textos por e-mail e logo virou um site (e-zine) que ficou no ar em 2001 e 2002. Esse material se perdeu, e o site não existe mais. Depois editei um fanzine impresso chamado Badalhoca, sobre cultura pop em geral. Foram lançadas 3 edições, em 2004 e 2005. Na verdade o fanzine não morreu, e pretendo produzir mais números em breve. A segunda edição, inclusive, foi um projeto interessante, encartando o CD de uma banda de Santa Maria, chamada Pastor Alemão e a Murcilha da Graça. Os exemplares desta edição, na época, foram vendidas por um valor que custeasse a produção dos CDs e as cópias dos zines. Colaborei com o fanzine Dalí, de Santa Maria, e com um e-zine chamado Quimera, de Campinas/SP, entre outros sites, blogs e fanzines impressos.

Estaremos vivendo uma nova onda dos fanzines?
2011 está se mostrando um possível ano para um "revival" dos fanzines impressos, ou pelo menos um retorno da discussão sobre a linguagem e os mecanismos de ação dos fanzines. O documentário Fanzineiros do Século Passado, o Anuário de Fanzines do Ugra Press, o Ugra Zine Fest, a Fanzinoteca Mutação, o Zinescópio, a Tour de Zines que aconteceu na Bahia e em São Paulo acabaram dando uma mexida nessa cena um tanto adormecida dos fanzines. Sem esquecer dos estudos de pós-graduação do Gazy Andraus e a Editora Marca de Fantasia (Henrique Magalhães / Edgard Guimarães), que apesar de serem iniciativas de longa data incentivam e possibilitam essa movimentação e esse revival em pleno 2011. Acho que tem um charme no fanzine impresso que é imortal e parece que estas iniciativas que apesar de terem o mesmo tema como motor - o fanzine - são ações independentes umas das outras, que acabam coincidindo numa mesma época e evidenciando a potência dos fanzines em pleno 2011.

Tem acompanhado a atual cena nacional e do exterior?
Tenho me fixado mais nos estudos em educação, e utilizado a estética e a tática dos fanzines de uma forma mais pontual. Como a minha preocupação de estudo não é com a cena, com a distribuição, ou com a rede, e sim com o mecanismo articulador do “dizer” do fanzine, ou melhor, minha preocupação é com aspectos que dizem respeito à linguagem libertadora do fanzine em sala de aula, acabei me distanciando um pouco das cenas. Parei de trocar fanzines há algum tempo. O próprio Badalhoca, meu zine, em 2004 e 2005 teve pouca circulação via correio. A coisa ficou mais na mão, mesmo. Um resgate interessante dessa rede de troca e contato que se estabelece sobre o fanzine e principalmente os aspectos que levaram à sua formação é um dos aspectos mais positivos, pelo meu ponto de vista, de ações como a de Márcio Sno ao produzir o documentário Fanzineiros do Século Passado.



É possível existir zines impressos (no tradicional xerox) nesta realidade de redes sociais?
Esse é um ponto bastante interessante e atual. Outro dia eu estava pensando sobre os zines, sobre as trocas e principalmente sobre as informações. O que acontecia comigo e com muitos de meus amigos é que muita informação nos anos 90, sobre bandas principalmente, mas também sobre arte, sobre cinema e sobre quadrinhos precisava ser "garimpada". Naquela época as informações eram preciosas. Revistas como Bizz, General, as gringas, e a opinião e o conhecimento dos amigos eram a essência desse "garimpo" cuidadoso. Gravar em k7 um disco recém lançado era uma tarefa difícil, dependendo do disco e das condições. Uma banda lançava um disco lá fora e demorava meses pra chegar aqui no Brasil. Depois demorava meses pra você encontrar alguém que tivesse comprado o disco. Então você tinha um arsenal de fitas k7 virgens, levava na casa de um amigo e gravava (ouvindo) o disco todo. Agora basta um clique e uma conexão ADSL pra baixar o disco todo em poucos minutos. Os zines tinham um papel importantíssimo para a cena independente, em qualquer lugar do mundo. Era uma forma de mostrar e distribuir algo que poderia ficar restrito a poucas pessoas. O alcance do zine era pequeno, ainda assim. Hoje em dia, competir com a internet, neste sentido, é um contrasenso. Essa função o fanzine não cumpre mais, e jamais conseguirá cumprir novamente. Acho que, hoje em dia, o fanzine em papel pode desempenhar outras funções. Uma delas, por um lado, é parecida com a do vinil. Uma questão estética, de beleza e de tato. Um charme do colecionador, para o colecionador. Outra característica, que é própria dos zines é a estética suja, borrada, da colagem, do amadorismo, do xerox. Isso a internet não tem.

Quais foram os momentos zineiros mais importantes da história dos fanzines brasileiros em sua opinião?
Os fanzines surgiram como suporte para divulgação e propagação de alguns tipos de manifestação que não conseguiam o alcance do grande público, pois não conseguiam espaço em publicações. Foi o caso dos contos de ficção científica, dos quadrinhos e do movimento punk. Aqui no Brasil não foi diferente, e o momento zineiro que considero mais importante historicamente diz respeito aos quadrinhos nos anos 60 e 70. Formou uma rede que possibilitou praticamente tudo que existiu em termos de publicações alternativas de norte a sul do país dos anos 60 até recentemente. Outro período importante foram os anos 90 com os fanzines sobre música (do indie ao hardcore) e cultura pop, onde os fanzines tinham papel fundamental na divulgação de bandas e selos da cena independente nacional.

Como é a sua coleção de fanzines?
Não cheguei a fazer uma contagem da coleção, mas creio que tenho cerca de 300 exemplares de fanzines de vários lugares do Brasil, de diversos gêneros (música, quadrinhos, literatura política) e formatos. Em maior número possuo zines de música e cultura pop, e dentre os mais conhecidos posso citar Imaginary Friends, Scream & Yell, Magazine, Tupanzine, Tom Zine, Meninas Viciadas e Tudo É. Quanto às raridades um dos fanzines mais legais da coleção é o Atum, de Santa Maria/RS, e a primeira edição do Tupanzine.

Você tem bibliografia especializada no assunto 'fanzine"?
Existe muito pouca coisa publicada em português sobre fanzines e/ou mail-art. Sobre o tema tenho o livro "O que é Fanzine" (Henrique Magalhães). Também tenho outros livros que me auxiliam, mas não tratam especificamente sobre fanzines. Posso citar "A revolução eletrônica" (William Burroughs), "Mix tape - The art of cassette culture" (Thurston Moore), "Mutações em educação segundo Mcluhan" (Lauro de Oliveira Lima), "O que é Punk" (Antonio Bivar), "Kafka, por uma literatura menor" (Gilles Deleuze e Félix Guattari), “Espaço N.O. - Nervo Óptico” (Ana Maria de Carvalho), livros e artigos de artistas como Paulo Bruscky, são alguns materiais que eu utilizo bastante. Artigos, dissertações e teses sobre fanzines e mail-art podem ser encontrados online e é uma boa ajuda pra quem pesquisa o assunto. O pessoal da Zinco, uma ONG de Fortaleza/CE que hoje em dia infelizmente não está mais em atividade, disponibilizava em seu site (que está fora do ar) material deste tipo. Um material bastante interessante são os textos do rizoma, um site com um acervo enorme de textos sobre micropolítica, filosofia, arte, cibercultura e ativismo. O rizoma também está fora do ar, infelizmente, mas seus arquivos em pdf estão disponíveis na rede. Existem alguns livros sobre fanzines que são interessantes, que conheço mas não possuo, da editora Marca de Fantasia e também alguns livros importados, em inglês, que podem ser encomendados via Amazon.

Qual a importância dos fanzines neste início de século?
O fanzine possui um mecanismo de sedução interessantíssimo. Este é, por exemplo, um dos trunfos da utilização dos fanzines como suporte de experimentação em sala de aula e outras situações pedagógicas, exercitando a criatividade, a arte, a escrita, o pensamento. Esta propriedade que eu chamei de "mecanismo de sedução" é particular da essência dos fanzines, é extremamente potente, e é aí que reside, a meu ver, um dos motivos que podem impulsionar alguém, hoje em dia, a produzir um fanzine. Porque é esta característica que os distinguem das redes sociais e dos blogs. Portanto acredito que um fanzine não pode mais ser produzido com o intuito de fazer circular uma informação, pois pra isso existe a internet, que cumpre esse papel de forma muito mais eficiente (e é por isso que estamos fazendo essa entrevista por e-mail e não por carta, por exemplo, por causa de uma eficiência comunicacional). Mas um fanzine pode ser produzido atualmente com outros intuitos. Esses outros intuitos, que são diversos, e dependem de cada um, de cada anseio, é que dão importância aos fanzines impressos nos dias de hoje.

Link da postagem original.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

VIDEO FANZINOTECA MUTAÇÃO



Fanzinoteca mutação - Rio Grande (RS) coordenada pelo guerrilheiro Law Tissot, saiba mais aqui.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FANZINES PARA ENSINAR



Grata surpresa! A Secretaria Municipal da Educação do Município de São Paulo disponibilizou no Caderno de apoio e aprendizagem de Lingua Portuguesa 2010 - sétimo ano- uma unidade que propõe como atividade final a produção de um fanzine.



A sequência didática é bem interessante e tem mais de quarenta páginas. A introdução apresenta definições contextualizadas sobre o que é o fanzine, acompanhada por explicações a respeito dos tipos existentes e temas abordados. Há também reproduções de trechos, capas e até uma entrevista com a zineira Selene Alge (do fanzine Astro Nuvem). O tipo de texto proposto para a produção é a resenha, e para tanto há exercícios de análise de livros, músicas e filmes.



O mais notável porém, é perceber o reconhecimento do potencial existente no fanzine enquanto gênero literário no sentido de possibilitar a capacidade de expressão e a visão crítica de seus produtores.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

LA PERMURA # 2



Recebi o segundo número do fanzine LA PERMURA que segue com as peripécias em quadrinhos da dupla de desenhistas Lobo e Pôneis.

Enquanto Lobo é mais cotidiano, escatológico e sarcástico, Pôneis faz quadrinhos mais introspectivos e melancólicos, algo entre o Mutarelli e Kafka. O LA PERMURA surge desta combinação e sempre vem "emoldurado" com uma capa (ou gravura) feita com técnicas de impressão experimentais. Coisa fina!



Obviamente, ZINISMO RECOMENDA!

Acompanhe os trabalhos de Pôneis e Lobo também pela internet!



Contatos: lapermurafanzine@gmail.com

sábado, 11 de setembro de 2010

ZINE FIENDS WORLD – TODOS OS ZINES E TODAS AS RESPOSTAS

ZINE FIENDS

Em momentos de melancolia, eu já declarei, conforme o senso comum, que “a ignorância é uma benção”, mas a verdade é justamente o oposto disso. Nada mais gratificante do que a curiosidade!

Espero que esses primeiros parágrafos não soem “egotrip”, mas acho interessante explicar o processo de um curioso, e assim, dar uma melhor ideia do valor da recompensa quando se descobre algo muito relevante, sobretudo, quando isso acontece por mero acaso! Ou melhor, por pura curiosidade!

Sofro de um mal comum à muitos “curiosos de carteirinha”, digo, sou programador. E foi justamente para tentar resolver um complexo quebra-cabeça no desenvolvimento de um aplicativo, que eu apelei para o bom e (nem tão) velho “Wonder How To”. Bom, se você saca de Inglês, explicar que o portal Wonder How To é um imenso apanhado de “worlds”, (é isso mesmo, mundos!) que funcionam como FAQ’s (Frequently Asked Questions) e Fóruns sobre os mais variados assuntos e tópicos, é pura redundância! Assim como é redundante dizer que qualquer curioso, digo, os “True Curiosos”(!), aqueles que adoram perguntas tipo: “Como assim?” “Como funciona?” “Como faz?”, tem uma relação quase maternal com alguns mundos dentro do Wonder How To.

Mas voltando ao tema do post, precisava resolver um problema, então entrei no WHT e fiz uma busca. Não me lembro quais as palavras-chaves que eu digitei, mas um dos primeiros resultados da busca era um “mundo” novo. Tinha quase cinco meses e já era bombado de participantes e principalmente de informação. O nome desse novo mundo era Zine Fiends. Para resumir minha história e falarmos do Zine Fiends, o App continua sem solução até agora, mas eu já fucei em tudo que existe dentro do Zine Fiends!

Zine Fiends é uma comunidade online dedicada a fanzineiros e leitores de fanzines de TODO O MUNDO!

Funciona de maneira muito dinâmica e interativa, anunciando lançamentos e novas edições de zines de qualquer ponto do mundo, além de compartilhar informação voltada a cultura do fanzinato, isso quer dizer, desde tutoriais sobre como montar um boneco para fazer seu zine xerocado, até como editar um livro (de verdade, com capa e tudo!) de forma caseira. As informações sobre “como fazer” para zineiros são disponibilizadas (na maioria) em vídeos e complementadas com amplas discussões nos fóruns do site.

É claro que os curiosos vão se amarrar mesmo nos fóruns! É incrível como você descobre que não sabe tudo sobre fanzinato como você imaginava que sabia. É saborosamente delicioso ver como pessoas diferentes ao redor do mundo solucionam os mesmo problemas na produção de zines de maneiras tão diferentes e absurdamente criativas. É incrível como as informações são abundantes e mais incrível ainda, perceber que em todo mundo existem muitas pessoas mantendo a cultura do fanzine tão acesa. E é obrigatório se lambuzar com tanta informação voltada ao resgate da era mais forte que o fanzinato mundial viveu, circa 80/90, mas não com um olhar local, e sim com muitos pontos de vistas de pessoas de todo canto do globo.

Enfim, Zine Fiends é um mega banco de dados onde podemos achar informações sobre publicações antigas ou contemporâneas, e também podemos pesquisar soluções variadas para a produção de zines.

Mais do que essencial a qualquer zineiro, é OBRIGATÓRIO! Primeiro, porque não achei muito material brasileiro por lá (tem alguma coisa da Argentina, mas a América do Sul precisa de mais espaço no Zine Fiends) e é essencial que nós deixemos registrado de forma definitiva a cena brasilis fanzineira – Isso é na verdade o grande charme desse mundo, ele vêm se tornando um registro definitivo dessa cultura – e segundo, porque isso é de certa forma, a motivação que faltava para que a produção de zines aqui no Brasil volte a ser não apenas abundante, mas abundante em qualidade.

Ficou curioso? Então corre lá!

http://zines.wonderhowto.com/

Zinismo Recomenda!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH # 5

Dando sequência às publicações (polêmicas, por incrível que pareça) das memórias fanzinísticas de Márcio Sno, segue o texto sobre o FANZINE AAAH # 5. Destaque para a capa foda, que uniu o saudoso Joacy Jamys com o lendário Lauro Roberto.

Aaah!! - n° 5 - 1996





Esse zine é um divisor de águas na minha trajetória, pois foi no período que descobri a obra do artista plástico suíço HR Giger e todos fundos de páginas foram com ilustrações dele. Mas o mais importante: nessa época em que ganhei um computador de meu pai e passei a digitar tudo nessa máquina que representou um passo à frente na produção de zines e o começo da sua decadência (pois com a popularização dos computadores veio de graça a internet aos pouquinhos...).
Voltei ao velho formato ofício, grandão! A capa ficou por conta de uma das maiores referências de fanzines e da HQ nacional: Joacy Jamys. Lembro que ele mandou o original pra mim que ficou um bom tempo comigo. Quando retomei contato com ele, via e-mail, ele pediu o original para um álbum que estava fazendo sobre sua carreira. Mandei. Um mês depois ele morreu. Não é apenas por isso, ou por ser no meu zine, mas essa é uma das capas mais fodas que já vi de fanzines. Inclusive eu fiz uma tela que estampou muitas camisetas pelo Brasil afora... Na capa, tem um desenho do Lauro Roberto, uns dos vários que ele fazia nas cartas que trocávamos.
Entrevistas com: No Opression, Penadas por la Ley, Komadreja, Pentacrostic, o grande poeta Élmantos, Terror Squad, Grupo Gay Dignidade, SDPP, Better Day Society, Petter Baiestorf, Alternative Action, Hugo Leta, Abuso Sonoro
Desenhos de: Henry Jaepelt, Fred, Hugo Leta, Angelo Ribeiro, Maria Jaepelt, Kevin, Ricardo Carvalho, Glauco Mingau, Márcio Jr, André Leal, Flávio Flock, Rogério Velasco.
A seção Poetando ficou lindona e ainda ganhou três páginas! Uma seção de demos tão gigante, que não sei como alguém conseguia ler aquilo tudo!
Um dos zines que mais gostei de fazer, o que achei mais bonito e num período em que estava mais maduro, fazendo perguntas mais elaboradas para os entrevistados e talvez o que mais gostei de fazer.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH # 3 e 4

Dando continuidade a publicação das "memórias fanzinísticas" feita por Márcio Sno, seguimos com os fanzines AAAH # 3 e 4.
A rede de contatos aumentaram consideravelmente e culminaram em um fanzine de 120 páginas! Além da incrível história do poster, feito de modo coletivo através do correio - Do-it-yourself puro, velhos!


Aaah!! - n° 3 - 1994



Esqueci de falar que as duas primeiras edições saíram em formato ofício (uma folha de sulfite inteira) e a partir dessa edição passei a usar o formato meio ofício, pois era mais bonitinho...
Eu perdi os originais desse zine, que foi feito todo em formato ofício e depois eu reduzi até que ficasse no tamanho para caber nas páginas.
Nessa época eu já tinha contato com uma das pessoas mais bacanas e misteriosas do universo dos fanzines: Bruno Furnari, que editou o revolucionário Drowned (talvez o primeiro feito inteiramente por computador). Furnari era muito divertido e desenhava muito, mas curiosamente ninguém conheceu o cara pessoalmente. Nem eu.
Nas cartas dele, sempre vinha um bocado de desenhos que fui utilizando nos meus zines a partir daí. Na capa desse zine, os dois guitarristas saíram dessas cartas. A caveirinha lá na batera eu surrupiei do fanzine Rock n'Roll que era distribuído na Galeria do Rock. O carinha gritando abaixo eu peguei em um jornal.
Ah, e o Furnari também era um dos poucos no país que desfrutavam de computador e impressora a laser. E foi ele quem fez o logotipo dessa vez.
Aos poucos, fui deixando de publicar releases em minhas publicações e adotando mais entrevistas, embora, as perguntas feitas eram praticamente idênticas umas das outras.
Entre a galera entrevistada estavam: Pinheads, Cortina de Ferro (quem não se lembra da clássica "into the fire, oh, memories..."?), Prime Mover, Soutien Xiita, Rotten Flies, Lethal Charge, The Power of the Bira, João Gordo (na época ele havia produzido a clássica coletânea Fun, Milk & destroy), Poindexter, Uterus Masticator, KOV, Hell Noise, GDE, Rot, Reforma Protestante, Desecration, Purulence...
Nessa edição eu inaugurei a sessão "Poetando" e também as cruzadinhas.
Essa edição também marca a primeira participação de Henry Jaepelt em meus zines. Uma parceria que dura até hoje!
Curiosidades mais: O editorial completo dessa edição foi publicado no "Almanaque de Fanzines" de Bia Albernaz e Maurício Peltier. E a HQ que fiz na contracapa, chamada "Use your head" saiu no caderno Zap! do jornal O Estado de S. Paulo (um caderno jovem que sempre saía coisas minhas - eu era apenas um leitor, diga-se de passagem) e, curiosamente descobri isso quando um amigo disse que esse caderno foi distribuído durante o Hollywood Rock.
Nessa edição meu zine contava com o selinho da Tilt Corp., que era uma cooperativa de zines idealizada pelo Furnari.


Aaah!! - n° 4 - 1994


Não via a hora de chegar nessa edição...

Em menos de um ano, graças aos outros zines e nos bilhões de flyers que distribuí nos envelopes pelo Brasil afora, já acumulava uma quantidade incontável de contatos e isso ficava claro quando eu recebia todos os dias um pacote de cartas recheadas de fitas demo e fanzines dos mais variados tipos, estilos, tamanhos, ideologias e locais.
O resultado disso, foi um zine de 120 páginas e mais um pôster, do qual falarei no próximo capítulo.
Muitos podem pensar que fiz um zine desse tamanho para me exibir ou coisa parecida. Mas quem viveu aquela época, sabe bem que quando de lançava um zine, não se tinha ideia quando sairia a edição seguinte e eu, com essa coisa filantrópica nata, tinha receio de deixar material recebido sem previsão de ser divulgado.
Era muito complicado tirar cópia e mandar pelo correio esse zine, pois com o volume aumentava os custos em todos os sentidos.
Essa edição a capa ficou a cargo de Bruno Furnari, mas dessa vez o desenho foi proposital para ser a capa dessa edição. Coloquei de fundo um papel pardo (daqueles que sempre tem no final dos blocos de papel timbrados, saca?) pra dar um aspecto mais sujo na hora da xerox. O miolo, usei como "margens" páginas do extinto Notícias Populares, o sangrento jornal paulista.
Nessa edição quase já não tinha mais os releases de bandas, foram muitas entrevistas. Inclusive foi a primeira vez que fiz uma entrevista ao vivo, com a banda de death metal Golem, junto com o Hugo Leta.
Entrevistas com: Safari Hamburgers, Alpha Asian Malaria, Primal Therapy, Face to Face zine, Decibéis D'Bilöid's, Blessed, Homicide (ótima banda italiana, quem souber o paradeiro, me avise!),Tumulto, Siecrist, Cash for Chaos, Alternative System, Hinfamy, Necrorrosion, BSB-H, Kangaroos in Tilt, Câmbio Negro HC, No Violence, Gaby Benedyct, Discarga Violenta, Anthares e outros mais.
Colaboraram com desenhos: o casal Maria e Henry Jaepelt, Hugo Leta, Joacy Jamys, Furnari, Alessandro Yogui, Tunão, Laerte, Gerson Mendes e os meus desenhinhos também!
Sem falar as inúmeras resenhas de demos, zines e colaborações de Júnior (do White Frogs, com o texto sobre Straight Edge - na época em que começou a aparecer no Brasil. Causou polêmica esse texto pois ele não era SxE e os hardline acharam isso um absurdo), Paulo Marcos (Thelema).
Além do selinho da Tilt, esso zine agora era apoiado pela SZA (sociedade dos zineiros anônimos), criado pelo Paulo Thelema.
Foi um divisor de águas pra mim, e provou que realmente eu tinha algum problema na cabeça...


Aaah!! - n° 4 - 1994 (pôster)



Como se não bastasse ter lançado um zine de 120 páginas, optei em botar um pôster como brinde dessa edição.
Essa inspiração de colocar esse tipo de brinde veio do Escarro Napalm do velho de guerra Adelvan Kenobi.
Porém, ao invés de montagem de fotos, optei em fazer uma obra de arte por várias mãos.
Qual era a minha ideia? Peguei uma folha de A3 (tamanho de dois sulfites A4 juntos), fiz uma borda e um desenhinho logo abaixo. Botei num envelope e fiz uma relação de nomes de pessoas que eu gostaria que rabiscassem o papel. Cada um que recebesse a folha, teria que fazer uma ilustração que tivesse a ver com o nome do zines, mas que meio que se emendasse um no outro. Aí, o cara que desenhasse, teria que mandar via correio a folha para o próximo da lista. E assim foi...
Não me lembro exatamente quem desenhou primeiro, mas sei que quem desenhou por último foi o Paulo Gomes (do fanzine Putrid e baterista do Necrorrosion). Antes dele, rabiscaram o papel: Hugo Leta, Bruno Furnari, Henry e Maria Jaepelt, Oscar F. (fanzine Sonic - Goiânia), Márcio Jr (vocalista do Mechanics - Goiânia), Tunão (da banda The Still - Araraquara), Kevin (do fanzine Glunx - não me lembro a cidade), Celso Moraes (idem) e Sylvio Ayala (não lembro o nome do zine).
O resultado é esse. Ficou lindão e eu guardo com muito carinho!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH - # 1 e 2

Costumo dizer que as redes sociais são como qualquer ferramenta, sua finalidade pode ser boa ou ruim, dependendo da intenção do usuário.

Estes dias me deparei no facebook com alguns textos interessantes do fanzineiro Márcio Sno. São reflexões ou memórias pessoais sobre sua experiência com os fanzines. Vale a pena a leitura, dá para sentir (ou relembrar) um pouco da época (anos 90) e também acompanhar a trajetória do zineiro, suas expectivas, desafios, resultados...

Percebi que era um documento interessante demais para ficar restrito ao facebook e cá está ele, compartilhado com os leitores do ZINISMO.

Neste primeiro capítulo, os zines AAAH # 1 e 2!

ZINISMO RECOMENDA!


Aaah!! n°1 - 1993


Lembro-me como se fosse hoje: estava eu no ônibus indo trabalhar, cochilando (estilo a MC Creide: eu cochilo, mas sempre de olho aberto!) e pensando no que fazer da minha vida. E veio uma ideia na minha cabeça que me fez abrir os olhos quando o ônibus, na 23 de Maio passava ao lado do Centro Cultural Vergueiro.
"Vou fazer um zine!" E essa ideia me perseguiu sem que eu pudesse evitar.
Na escola, à noite, passei a desenhar um rato pelado gritando. Pronto. O nome e a capa do meu primeiro fanzine estava esboçado na última página do meu caderno. Ainda tenho esse desenho original.
Essa capa, aliás, deu um trabalhão pra dar esse efeito de palha no fundo. Mas deu um certo prazer quando terminei. Mais tarde esse mesmo desenho virou estampa de uma camiseta única e exclusiva que só eu tive coragem de usar.
Nessa edição sairam bandas como Scum Noise, Intense Manner of Living, Anjo dos Becos, Ñrü, Flesh Temptation, entre outras. Claro, a maioria era releases, mas eu estava feliz em entrar com o pé direito nesse estranho e enigmático universo dos fanzines...


"Aaah!! - n° 2 - 1993"


Depois do lançamento do meu primogênito, passei a conhecer mais pessoas do meio dos zines. Muitos por carta e pouquinhos pessoalmente.
Uma vez teve uma feira de fanzines na Livraria Belas Artes, na Paulista quase esquina com a Consolação, que não pensava em acessibilidade universal, já que tinha uns degrauzões gigantes para entrar nela. Essa livraria era bastante conhecida pelos seus livros de arte e histórias em quadrinhos.

Um dos organizadores, Guto Galli, que era funcionário da livraria, me apresentou o grande ilustrador MZK (até então eu desconhecia a grandeza desse cara no meio das HQs). Conheci também, o Carneiro que na época era vocalista da badalada Mickey Junkies (que aliás saiu na primeira edição do Aaah!!). Mas a pessoa mais importante que conheci nesse dia, meio que "se ofereceu" a me conhecer, já que ele conhecia a banda que estava estampada na minha camiseta: Soutien Xiita (sim, aquela que tem o cachorro comendo um guarda - polêmica!). Hugo Leta é seu nome. Trocamos muitas ideias e fizemos juras de amor eterno. E nessa história toda, ele acabou me emprestrando alguns desenhos originais (veja só, tinha acabado de conhecer o cara e ele me emprestou todos os originais dele!). Xeroquei tudo e usei nesse zine e nos que vieram depois. Quando peguei esse que virou capa, eu já tinha certeza que o lugar dele seria ali mesmo: na frente de tudo, puxando a segunda edição do zine. Se olhar com certa atenção (na verdade, nem precisa muita!), onde está o logo do zine, eu fiz uma emenda, pois o desenho dele acabava ali mesmo.

Nessa edição saiu muuuuuuitos releases, entrevista com Penitence, Carnal Desire (numa das minhas idas ao Der Temple para um show com o Anarchy Solid Sound e Soutien Xiita, conheci o fantástico Tarso Carnal), Death Hate, a clássica Dezakato, Hirkania, A minha primeira grande entrevista com Ñrü, com o fanzineiro Danúbio Aguiar (nesse caso, ele havia respondido impresso em uma impressora matricial, e como eu só usava máquina de escrever, aproveitei a impressão, mesmo saindo quase transparente).

Tinha também entrevistas com o Flesh Temptation, uma banda death de Brasília, que era uma das únicas que tinha disco de vinil lançado, com o recém formado White Frogs, vejam vocês!

Ah, nessa edição, também contei com a colaboração de textos do grande amigo Alcir, que na época tocava na banda grind Hinfamy.

Sei lá. Só sei que depois desse zine meu círculo de amizades passou a aumentar a cada dia...