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terça-feira, 1 de junho de 2010

FANZINE O ROBÔ NUNCA FAZ GREVE - PROJETO OCUPAÇÃO



Depois do Subsolo – Ruas do ABC, chega o segundo lançamento do Studio 13, o fanzine O ROBÔ NUNCA FAZ GREVE. Trata-se de uma coletânea de tiras deste personagem, antigas e novas, feitas desde os anos 90 pelo recluso Silva (ou operário 35). O personagem chegou a ilustrar alguns panfletos de greves do ABC paulista, o que acabou quando tais aparições começaram a ser “utilizadas” por partidos políticos.
Punk rock, greve e gasolina adulterada são as palavras de ordem deste personagem proletário.

O fanzine O ROBÔ NUNCA FAZ GREVE terá seu lançamento sábado (dia 05 de junho) em um encontro de fanzineiros com várias atividades que ocorrerá no PROJETO OCUPAÇÃO em São Paulo.

O PROJETO OCUPAÇÃO (ou anexo - Choque )é um espaço transitório, uma casa que foi inteiramente pintada pelo artista urbano Daniel Melim. Aproveite para visitar este espaço, pois a casa sofrerá mais algumas intervenções e será demolida em breve para a construção de um condomínio residencial. Mas isso é história para outro post...



UM DETALHE IMPORTANTE: O EVENTO É GRATUITO!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O ABC UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO

Por Marcelo Viegas

Chico Buarque sabe das coisas. Ele não emprestaria sua voz e seu renome para algo ilegítimo, não-representativo. Sua presença no documentário “Linha de Montagem” (1983), de Renato Tapajós, quer dizer alguma coisa. Cantar em verso e prosa as cidades do ABC, quer dizer alguma coisa. 150 mil trabalhadores em greve em plena ditadura militar, quer dizer alguma coisa, ainda maior que a presença e a música de Chico, pois é efetivamente o alimento de sua arte. A arte imita a vida.

Restaurado digitalmente e remasterizado, o documentário que retrata o dia-a-dia das greves de 1979 e 1980 na região do ABC Paulista, foi relançado esse ano. Um registro de época valioso, para compreender melhor o papel de vanguarda da classe trabalhadora de São Bernardo do Campo e Diadema, bem como para que as novas gerações conheçam melhor o Lula que vale a pena. O Lula sindicalista, o Lula amado pelos metalúrgicos, o Lula carregado nos braços do povo, o Lula que fazia silenciar o Estádio da Vila Euclides, lotado, absolutamente lotado. O Lula que incitava as massas, o Lula que discursava com cigarrinho na mão, o Lula que desafiava os patrões, o Lula ovacionado. O Lula que deixou saudades. Ah, que saudades do companheiro Lula.

Impossível não se impressionar vendo o 1º de Maio de 79, no Paço Municipal de SBC. Elis Regina no palco, trabalhadores em greve. Era o primeiro grito de um país amordaçado pela Ditadura. Quando, já no fim do documentário, Lula aparece defendendo o início de uma luta política, uma certa tristeza paira no ar: ali morria um líder sindical exemplar, ao mesmo tempo em que nascia um partido meia-boca.

Para os moradores de São Bernardo é especialmente interessante assistir “Linha de Montagem”, para ver a Marechal Deodoro tomada pelos operários (e pelos milicos), a agitação na porta da Volks e o pau comendo na frente do Sindicato. Dá orgulho da história da cidade e daqueles que lutaram para que as coisas fossem um “bocadinho” melhores para todos nós. E dá pra rir bastante com as boas tiradas do perspicaz Djalma Bom, que em certo momento, vendo os seguranças revistando as bolsas dos trabalhadores saindo da Volks, dispara: “Olha lá, o cara pensando que o companheiro está saindo com um carro dentro da bolsa”.

É fundamental não esquecer esse período e essas lutas. É fundamental conhecer nossa história. É fundamental saber que, às vezes, cruzar os braços é necessário. Pois, como diria o finado Chasin, “as máquinas param, germina a democracia!”




Obs. Havia apenas cinco pessoas na sala de cinema. A sala ao lado, passando o importantíssimo “A Casa da Mãe Joana”, estava lotada. Que saudades da consciência de classe...