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sexta-feira, 7 de junho de 2013

FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO - CAPÍTULO 3

A saga chega ao fim: Márcio Sno completou sua trilogia Fanzineiros do Século Passado, lançou o DVD devidamente encartado num fanzine (e poderia ser diferente?), organizou algumas premiéres por aí e agora disponibiliza no Vimeo.

Sem mais delongas, zine-se:

Fanzineiros do Século Passado - Capítulo 3 (full) from Márcio Sno on Vimeo.

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

FAÇA VOCÊ MESMO SUA CAMISETA


A Microcosm Publishing é a minha editora favorita, simplesmente por lançar e distribuir diversos títulos em relação a zines, atividades independentes e cultura alternativa. Cada vez que entro no site, sempre acontece algum problema em minhas contas...

No último rombo orçamentário, entre outras coisas, adquiri Do-It-Yourself Screenprinting - How to turn your home into a t-shirt factory, de John Isaacson. Confesso que a essa publicação me apeteceu pelo título, pois essa coisa de DIY é mais forte do que se possa imaginar.

Nesse livro, o autor conta em formato de quadrinhos como produzir camisetas em casa, desde a concepção do desenho, passando pela revelação da tela de silk screem, o manuseio com as tintas, até o produto final. Como as histórias produzidas são baseadas em fatos reais, ele mesmo se coloca como protagonista da saga.

Antes de cair nessas páginas, as histórias foram lançadas em formato de zine, uma das outras ocupações do cartunista.

Na primera parte mostra como foi o começo de suas aventuras com o silk, quando sua arte tropeçava no cotidiano de sua família - e vice-versa - e a estratégias utilizadas com eletrodomésticos e ocupando todos os cômodos da casa para produzir sua arte. É lógico que ninguém leva a sério o seu trabalho, que nunca lhe traz dinheiro mas muita sujeira e "perca de tempo".

Para provar que seu trabalho é sério, resolve sair pra rua para vender seu material para "pessoas como ele". Nessa parte, conhece as burocracias (e taxas) para ser um camelô licenciado.

Aprende in loco os macetes, técnicas de venda, e as falcatruas para poder fazer seu produto circular (mesmo não vendendo uma camiseta sequer e colecionar dúzias de IBBL - I'll be back later). Tem seu primeiro choque com a realidade das ruas versus empreendedorismo.


Como percebe que não vai virar nada, resolve observar o perfil variado do público que frequenta a calçada onde está situada a sua banca.


O autor aparentemente desistiu de ser vendedor, pois não volta mais a essa situação no livro. Talvez seja uma dica de que não dá certo vender dessa forma. Ou talvez as "pessoas como ele" não circulem naquela região...


Na terceira parte, muda o título da saga para Do-It-Together Screenprinting, justamente para mostrar a sua nova fase como produtor de estampas.


Após a frustração como produtor e empresário, John, na maior cara de pau, liga para uma estamparia e se oferece para trabalhar no local, dizendo que tem vasta experiência na área e aquelas coisas que todos nós inventamos quando queremos muito um emprego. E acaba dando certo.


Lá conhece Candance que, antes da entrevista com o dono do estabelecimento, lhe dá algumas dicas de como proceder nos equipamentos e como se comportar na entrevista e, sem querer, deixa escapar que quando sua banda toca, faz "umas" camisetas lá mesmo. Depois sabemos que essa banda tem mais estampas de camiseta que músicas!


No dia seguinte, conversa com o Sr. Dave, o dono da loja e viciado em produtos químicos usados na confecção das telas de silk. É aceito e, a partir daí, com as explicações de Candence, o leitor acaba aprendendo junto cada passo da produção. Inclusive, quando explica como proceder no programa Illustrator, tem alguns atalhos para usuários de Windows e Mac. Tudo bem didático e sem forçar a barra.

Logo consegue a confiança do Sr. Dave, que lhe passa uma cópia da chave da estamparia. E o que ele faz? Adivinha...

Entre os capítulos, o autor realiza algumas entrevistas com pessoas que trabalham de forma independente e/ou profissional com a impressão de camisetas, o que ajuda a ter um panorama de como cada um trabalha e os materiais que usam como suporte, diagramação e impressão. O ruim é que seguiu bem a linha dos zines antigos de fazer as mesmas perguntas para cada entrevistado.


Também oferece canais de referências para pesquisas, compras e troca de informações.

Como a série foi produzida em momentos diferentes da vida de Isaacson, nota-se a evolução dos traços e roteiro do autor, que torna-se cada vez mais detalhista, sem perder o desenho leve e com um toque "desencanado" que lhe é peculiar.

Cheio de bom humor (capaz até de arracar algumas gargalhadas em situações atrapalhadas), essa publicação é capaz de te deixar cheio vontade de produzir algo agora, já, nesse momento! 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O QUANTO DE ARTE VOCÊ AGUENTA?


The Records não é uma loja de rock comum. Especializada em disco (em vinil) de punk rock, promove alguns eventos e promoções diferenciados, sempre capitaneados pelo showman Rogerinho Shop que sempre aparece em vídeos promocionais da loja.

Em 28 de abril promoverá a exposição O quanto de arte você aguenta? que exibirá releituras de capas de discos clássicos do punk rock mundial. Embora já tenha confirmadas obras de artistas consagrados, o espaço também está aberto para quem quiser participar com a sua colaboração. As orientações são simples: a capa tem que ter 30x30cm, ser uma releitura de uma capa que já existe(não uma capa totalmente nova para um disco velho) e entregar até o dia do evento na The Records, na Galeria Nova Barão (Rua Barão de Itapetininga 37, Rua alta, Loja 43). A vernisage acontecerá a partir das 14h.

Já estão confirmados os trabalhos de Alemão, Alex Vieira, André Mesquita, Carlos Dias, Carol Brandi, Chico Felix, Daggers, Daniel Levenhagen, Danielone, Eduardo Vaz, Ete, Flavio Bá, Kauê Garcia, Lixero, Lucas Cabu, Magoo, Mateus Mondini, Mila Leão, Murilo Pommer, Sesper e Victor Stephan.

Os zinistas Flávio Grão e Márcio Sno participarão com suas obras. Grão apresentará sua versão para "Steady Diet of Nothing" do Fugazi e Sno refez as capas de SUB e de "Crucificados Pelo Sistema" do Ratos de Porão.

Confira abaixo o reclame estrelado pelo impagável Rogerinho Shop:

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A DURA MISSÃO DE SER DIY


“Quem ta no rock tem que se foder”. Essa clássica frase que ecoa desde que o rock é rock, por esses dias insistiu em bater em minha porta. Um bocado de vezes.

Ainda quero ver alguém descobrir exatamente o que faz uma pessoa em dia com suas razões psicológicas a se meter em projetos que não lhe traz nenhum retorno financeiro – muito pelo contrário – e que ocupam todo o seu tempo livre.

Em dias seguidos ouvi que “quem se mete em uma atividade independente, nunca consegue fazer apenas uma coisa”. Como se não bastasse gastar seu tempo produzindo um fanzine, lá vai o cabra montar uma banda. Quando ele para pra pensar, já está organizando shows. Aí, ele também desenha. Faz um cartaz. Está articulando com diversas pessoas. Pronto. Não tem mais volta.

Para quem ainda não tem responsabilidades familiares, ou seja, é solteiro, fica bem mais fácil lidar com a infinidade de compromissos que a arte underground propicia.

Ao contrário do crescido e multiplicado ser casado que tem que arrumar os maiores argumentos do mundo para não almoçar domingo na casa da sogra, negar ir à cerimônia de casamento da amiga de serviço da mãe. E o que é mais difícil: justificar de forma detalhada o desvio no orçamento mensal e, às vezes, a quase não aparição em casa em alguns momentos.

Seria tudo mais fácil se o nosso guerreiro não tivesse que ficar oito horas em um emprego que pouco (ou nada) tem a ver com a sua atuação independente. Isso é um absurdo! Horas de criatividade e atividade perdidas em um... emprego! Mas... mas... vida alternativa não dá grana, lembre-se disso!

OK, vamos esquecer um pouco essa ideia. Mas valeu o desabafo!

Voltemos à realidade. O que resta então é utilizar as horinhas diárias que restaram para produzir e aproveitar cada segundo do disputadíssimo final de semana!

Segunda-feira. Lá vai o nosso herói se arrastando para o serviço, com a enorme sensação de que o final de semana foi curto e que precisava de uma folga no primeiro dia útil da semana – como se tudo que se faz aos finais de semana fosse inútil. E esse ciclo vai se repetindo no restante do mês. Do ano. Sempre com aquele discurso-padrão: não tenho tempo, ta corrido... Mas não para de produzir. Jamais.

Ora, mas pra resolver esse problema de tempo, é só deixar as coisas subversivas de lado e ficar de bobeira em casa. Facinho. Mas que nada!

Quando se opta em ser independente, não é mais possível pensar em uma vida normal. Aquela coisa de chegar em casa, tomar banho, jantar assistindo o Jornal Nacional e ir dormir. Isso não faz o menor sentido pra esse workaholic independente.

Abrir mão do normal way of life é mais do que uma opção, é uma missão. Missão que está incrustada no produtor independente, que parece nunca ter fim.

Produzir é uma obsessão incontrolável! E a impressão é que sempre falta alguma coisa a fazer.

Não adianta. Só ele e seus iguais que entendem. Mais ninguém.

Conclusão: o cara que tem essa missão estampada na testa não vai ficar buscando respostas para os porquês do do it yourself. Ele vai lá e faz.

Simples assim.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ASSISTA: FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO



Já haviamos dado a fita aqui há algum tempo. O fanzineiro Márcio Sno estava entrando em contatos com alguns colegas dos anos 90 e agilizando a produção de um documentário sobre os fanzines na época.

A idéia inicial era que fossem captados depoimentos em várias partes do Brasil (e por diversas pessoas) sobre a cena zineira. Estes depoimentos seriam posteriormente editados e transformados no documentário "Fanzineiros do século passado". Nem tudo porém ocorreu como previsto inicialmente e Márcio se viu (passada a empolgação inicial) praticamente sozinho para tocar a produção. Como Sno é brasileiro (e corinthiano) e não desiste nunca, reacendeu seu velho espirito fanzineiro do-it-yourself, emprestou uma câmera, convocou seu filho e começou a colher os depoimentos para o documentário, sem verbas ou apoios de qualquer tipo.

Imbuído de seu novo lema "Se ninguém faz, façamos", o fanzineiro incansável colheu entre abril e novembro de 2010 21 depoimentos (somado ao depoimento do fanzineiro carioca Pedro de Luna - feito por sua esposa Patrícia Amitrano).

Outra idéia inicial era lançar o documentário em um vídeo único abordando vários assuntos sobre o universo dos fanzines, mas a partir do convite para apresentar uma prévia do doc no lançamento do Primeiro Anuário de Fanzines(da UGRA PRESS), Márcio resolveu lançar o documentário em capítulos, sendo o primeiro - As dificuldades para botar o bloco na rua e a rede social analógica.

Um dos méritos dete documentário de 31 minutos é contar através destas diversas vozes algumas peculiaridades sobre os fanzines na década de 90: os modos como eram feitos, editados, xerocados, as trocas de cartas, a criação da rede social analógica etc. Destaque para as técnicas subversivas com as quais os fanzineiros da época flertavam como a camada de cola no selo, o xerox clandestino e o "desvirtuamento" da carta social.

Para aqueles que viveram a época será divertido recordar e para os mais novos é importante entender como se virava a cultura alternativa em tempos sem internet.

ZINISMO RECOMENDA! Assista na íntegra:

Fanzineiros do Século Passado - Capítulo 1 from Márcio Sno on Vimeo.

domingo, 9 de novembro de 2008

FANZINES DE PAPEL – MÁRCIO SNO

Por Flávio Grão




Para começar bem a semana que tal uma leitura agradável para te acompanhar em qualquer canto?


Em 2005, Márcio Sno (jornalista, educador e fanzineiro) foi convidado para dar uma oficina sobre Fanzines no SESC Barra Mansa e teve a idéia de montar uma cartilha para os participantes. Foi aí que surgiu o manual "Fanzines de papel – O estranho sentimento que movia os fanzineiros do século passado".

O autor publicou e participou de vários fanzines na década de 90 e tem propriedade no que escreve. O "Fanzine de papel" aborda de forma apaixonada vários aspectos deste veículo de comunicação - dos mais simples até análises complexas, passando pela sua origem, etapas de produção, distribuição, temas etc.

É um prato cheio que agradará e informará desde aqueles que nunca leram um fanzine até as pessoas que já publicaram ou participaram ativamente de algum deles.

A estética do "Fanzines de papel" lembra os fanzines antigos, com fonte do tipo datilografada e uma diagramação saudosista. Essa é uma opção intencional que só acrescenta valor ao material. Material caprichado, diga-se de passagem: traz notas de rodapé e possui um apêndice delicioso com referências de publicações e sites sobre o assunto.

O mais legal é que esse trabalho está disponível para download no blog do Márcio Sno em formato PDF.

Aproveite também e visite a divertida coleção de flyers que ele produziu e agora disponibiliza no seu blog.