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sábado, 29 de dezembro de 2012

METAMAUS




Ter um relacionamento próximo com o próprio pai, não é a coisa mais comum quando um homem chega à fase adulta. Por vários motivos. Um deles é termos maturidade e convivência suficientes para sacar que aquele espelho tem lá seus inúmeros defeitos e, quase sempre, não é mais possível engolir tudo que vem do velho. Aí surgem os conflitos e, consequentemente, o afastamento. Quando o pai já caminha para a “reta final” da vida, a necessidade da reaproximação por parte do filho é quase sempre latente. Nem sempre dá tempo de recuperar esse tempo. Mas às vezes dá.

Allan Sieber fez isso em Ninguém me convidou, no qual conta a história de seu pai, com o roteiro do filho e desenhado por Jouralbo Sieber. Duas décadas antes, Art Spiegelman contou a história de seu pai em Maus – A história de um sobrevivente.

A história de vida de Valdek se passou no holocausto e, com os relatos do protagonista, é possível observar a história de dentro dos campos de concentração, câmaras de gás e fornos onde eram queimados os judeus mortos. Além de mostrar o sofrimento do pai nesse período  vergonhoso da história da humanidade (entre eles, a perda de sua então esposa Anja), Art também opta em mostrar a figura parterna além de Auschwitz, explicitando o quanto era ranzinza, mesquinho e preconceituoso.

Como as entrevista que fez com o pai foram repletas de momentos tensos, Art aparece como personagem da história. Mas isso é muito pouco diante da audácia do autor para dar sua versão ao holocausto: retratou os judeus como ratos, os nazistas como gatos e os poloneses como porcos. É lógico que isso iria lhe trazer problemas (e de fato deu), mas independente de qualquer repercussão ou manifestação que se fez com o lançamento desse livro, Maus se tornou uma das mais importantes graphic novels de todos os tempos.


Décadas depois do lançamento, Spiegelman ainda tinha que responder a perguntas do tipo: “por que HQ?”, “por que rato?”, “por que o holocausto?”. Para dar um basta definitivo nisso, surge então em 2011, via Pantheon Books, o MetaMaus.

O livro é conduzido por uma entrevista (ou conversa) cedida a Hillary Chute,  dividida em capítulos que têm como títulos as mesmas perguntas sempre fitas ao autor.

É um material completo que, além de rascunhos, reproduções de anotações e estudos em sketch books, fotos, transcrição da entrevista com pai, entrevista com a esposa e filhos do autor, também vem um DVD com os dois volumes de Maus digitalizados do original, com recursos multimídia que mostram os estudos de cada quadro, áudio com comentários Art e trechos da entrevista com Vladek. Coisa fina.

Tem uma porção de curiosidades, como as dúzias de rascunho que fez de um único quadro, as cartas das editoras que recusaram publicar o livro, o relato dos três casamentos com a mesma mulher (sendo que no último contou com a banda de Robert Crumb), os conflitos com a imprensa e protestos que enfrentou em diversos lugares, as crises que teve (e tem) em relação a tudo isso.
Enfim, os próximos repórteres terão que se desdobrar para entrevistá-lo a partir de agora!



Essa publicação é algo bem além de um livro para fãs de Maus, é um documento muito interessante que ajuda a entender melhor as técnicas de desenho, as soluções para encaixar determinado quadro em tal lugar e para obter mais conhecimento sobre o holocausto.

Ainda não tem previsão de uma edição brasileira, mas vale a pena gastar uns dolarezinhos pra conferir esse material incrível. Também é possível achar em algumas livrarias nacionais a um preço "quase honesto", porém, vale cada centavo gasto.

Abaixo, um clipe para atiçar as suas lombrigas!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

DIOMEDES - A TRILOGIA DO ACIDENTE




A crise deve fazer parte da vida de 10 entre 10 cartunistas. Principalmente quando essa profissão se depara com resposabilidades de pai de família (pagamento de contas e criação de filhos). Tem também aquela eterna interrogação: “por quê, pra quem qual a razão que faço isso?” Jamais, em hipótese alguma, Lourenço Mutarelli estaria for a desse grupo.


E isso é muito fácil de perceber em suas publicações clássicas, como Natimorto, Eu te amo Lucimar, entre outros. Diomedes - A Trilogia do Acidente nasceu no meio de uma dessas crises: estava muito tempo sem fazer quadrinhos e sua produção estava direcionada para o mercado comercial, quando Douglas Quinta Reis, da Devir, sugeriu que produzisse suas histórias em momentos de folga, ou seja, encarar seus quadrinhos como hobby. Foi aí que passou noites em claro (depois de colocar o filho para dormir) produzindo essa trilogia (que, na verdade, saiu em quatro volumes originalmente pela Devir) que a Quadrinhos na Cia. acabou de relançar em um álbum único, luxuoso e definitivo.

O personagem foi inspirado em seu pai, um delegado de polícia, que levava parte do trabalho de perícia para casa, que o filho sempre dava uma espiada. Diomedes é um delegado aposentado que se aventura agora como detetive particular, porém, frustrado em nunca ter resolvido um caso sequer, acaba tendo uma vida meia-boca que faz com que sua mulher (e única paixão – embora nunca desperdiçasse uma profissional do sexo) o abandonasse. Além da desgraça profissional, a mulher desistiu do marido por nunca ter um sofá de três lugares.



Na primeira parte da história, o detetive é contratado para encontrar o mágico Enigmo. E é aí que começa as aventuras do nosso herói, que se dá mal na maioria das situações e apanha feito um saco de pancadas. Acaba se envolvendo com um sujeito que quer realizar um sonho e que roubou uma bolada de seu cunhado e, claro, estava sendo perseguido.

No segundo caso é convocado a descobrir o serial killer que tem o hábito de envenenar casais que topam um ménage a trois. O poeta Glauco Mattoso é envolvido na trama, tanto com seus sonetos, como dando conselhos ao detetive. Dessa vez ele se envolve com um policial pilantra que quer usá-lo para se promover. Porém, consegue conquistar um grande amigo que seria seu parceiro até o final da saga: o policial homossexual Waldir.

E na última parte é “promovido” a detetive intercontinental pelo advogado Dr. Gouveia (que tenho quase certeza que foi baseado no Gualberto Costa da Livraria HQ Mix - foto ao lado), que o indica para uma ricaça que não tem notícias de seu marido que foi para Lisboa e desapareceu. Lógico que ele se mete em um monte de roubadas, se envolvendo com uma seita que guarda um grandioso segredo, que Diomedes acaba decifrando com a ajuda de Zigmundo Muzzarella, que é, na verdade, o próprio Lourenço.

A aventura tem um ritmo muito bom, que segura o leitor de uma forma que dá aquela vontade louca de saber o desfecho dos casos e até, de alguma forma, ajudar a decifrar os mistérios. As mais de 430 páginas passam muito rápido.

 
O trabalho de Mutarelli é peculiar, pois é cheio de códigos, sutilezas e referências muito bem sacadas. Como colocar referências a lojas que já não existem, como Mappim, Casas Buri e fazer paródias com nomes de empresas que ainda existem como Editora Porvir (Devir). Nas falas do ex-adestrador de leões Lorenzo, a situação é tão tensa, que os balões com as falas saem de dentro da cabeça do personagem, dando uma dramaticidade muito perturbadora para a cena.

Também faz algumas homenagens, como na perseguição no primeiro capítulo quando os detetives Dupont e Dupont, junto com Tin Tin, aparecem na cena. Também nas pixações (Angeli, Adão Iturrusgarai) e quando o detetive vai a uma feira de histórias em quadrinhos na cidade de Amadora, onde ele esbanja as homenagens a inúmeros cartunistas que são listados no final do livro.


As piadinhas sarcásticas (também influência do pai de Mutarelli) são um destaque à parte, pois são de uma sutileza corrosiva que é capaz de arrancar gargalhadas, junto com as explicações que dá a Waldir quando tem que contar alguma história ao parceiro pouco paciente.

O bônus da publicação é a parte frustrante, principalmente pelo fato de ter uma chamada na capa com “Arquivo de esboços e tiras” que se resumem nada mais a 12 páginas de tiras e alguns esboços. Faltou mais. Muito mais, considerando a importância da publicação.



É um livro que tirar o fôlego e que mostra um Mutarelli completo, mostrando vários lados desse que é um dos mais importantes cartunistas brasileiro de todos os tempos.


domingo, 4 de março de 2012

PALESTRAS E DEBATES - II UGRA FEST



Um dos pontos especiais do II UGRA FEST ZINE são as palestras.

O critério para seleção dos temas e dos palestrantes do evento deste ano foi principalmente trazer discussões relevantes e que abordassem questões presentes no contexto atual de produção de fanzines no Brasil.

A primeira Palestra do dia é com Nenê Altro.

Muita gente quando ouve seu nome associa imediatamente às bandas das quais é vocalista, principalmente o Dance of Days.

Mas além da produção musical, Nenê se movimenta por outras produções independentes, como é o caso dos fanzines. Nenê é fanzineiro desde 1987 e é neste meio que propaga com alguns convidados selecionados, idéias políticas, pensamentos sobre a cena independente do punk e do hardcore e mil outras coisas.

Publicou durante muito tempo o jornal Antímidia e agora está na ativa com o PEST. Seus zines têm tiragem não inferior a 5000 cópias e são gratuitos, demonstrando uma habilidade notável de Nenê em tocar suas publicações, inclusive em um aspecto delicado e que aflige a maioria dos produtores de zines: seus custos.



A segunda palestra é com o Law Tissot.

Fanzineiro desde 1984, com o fanzine Mutação. Editor – desde então – de tantos zines que a memória não alcança mais. Colaborou em mais outros zines mundo afora, com textos, colagens, desenhos e quadrinhos. Tocou em bandas punk, gótica (dark?) e cyberpunk. Publicou no Cybercomix nos anos 90 a série “Tribos Urbanas do Século XXI” que posteriormente deu origem a série “Cidade Cyber” publicada na revista independente Areia Hostil, co-editada ao lado do Lorde Lobo entre 2001 e 2006. O Areia Hostil ganhou um HQ Mix em 2006, também. Formado em Artes Visuais licenciatura e na pós-graduação em Poéticas Visuais. Trabalha como diretor, produtor e editor de vídeos na Rede de Pontos de Cultura da Universidade Federal do Rio Grande e no Ponto de Cultura ArtEstação.

Lançou diversos documentários, curtametragens e clipes. Mantém a Fanzinoteca Mutação no Ponto de Cultura ArtEstação. Quase sempre fica isolado na sua aldeia, localizada na cidade do Rio Grande, extremo sul do Rio Grande do Sul. Mesmo assim, às vezes, arrisca algumas aventuras em outros territórios, em outros mapas, como é o caso de sua incursão pelas terras paulistanas no UGRA FEST.



A última palestra é com ilustre desenhista Marcatti.

Francisco Marcatti é o maior nome dos quadrinhos underground do Brasil.
Fundou a Editora Pro-C em 1980, quando comprou uma ordinária impressora offset de mesa e deu um verdadeiro olé no esquema tradicional das editoras, publicando suas próprias revistas e títulos de outros artistas. Nesta época publicou o primeiro livro do autor Lourenço Mutarelli.

Tornou-se nacionalmente conhecido ao desenhar a capa do disco “Brasil”, da banda Ratos de Porão, em 1989 e ao publicar na lendária Chiclete com Banana.
Ao longo de mais de 3 décadas de produção, abocanhou o prêmio Jayme Cortez de incentivo aos Quadrinhos e nada menos que 4 prêmios HQ Mix consecutivos na categoria Publicação Independente.

Já teve lançamentos pelas editoras Opera Graphica, Escala, Conrad e Devir.
Atualmente, entre diversos projetos pessoais autopublicados é também colaborador da revista MAD.



Após as palestras, teremos o Debate “Quadrinhos Independentes: Opção ou Condição?”, que contará com a participação do Marcatti, do Law Tissot e também do Thiago Spyked. A mediação fica por conta do quadrinista Will.
O tema debate surgiu mediante a realidade de que há um grande número de zines e publicações independentes voltadas para o segmento de histórias em quadrinhos.

Thiago Spyked é o mais novo dos participantes do debate. Nasceu e vive em São Paulo, começou a publicar seus quadrinhos em 2004 e continua até hoje. Formado em Design gráfico no Mackenzie, trabalha como designer gráfico e ilustrador em mercado editorial e publicitário, dá aulas de desenho e quadrinhos pelo projeto Zines nas zonas de Sampa desde 2010.

Fundou e coordena a editora Crás na qual trabalha publicando apenas obras em quadrinhos nacionais e já teve atuações em diversos eventos do segmento anime/mangá, Fest Comix, Virada Cultural, Semana Temática de Quadrinhos no CCJ, Mercado Mundo Mix, Centro Cultural Vergueiro, FIQ . Atualmente a editora além de publicar suas obras, ainda possui todo know-how de produção dos produtos derivados das publicações, e também presta serviços no segmento publicitário e institucional sempre procurando fazer diferença nos quadrinhos nacionais.

Thiago também publica alguns vídeos na internet onde faz discussões bem humoradas sobre questões interessantes do universo dos ilustradores e quadrinistas.



Will é ilustrador e quadrinista, um dos responsáveis pela criação do fanzine Subterrâneo (2004). Em 2007 ganhou dois Troféus HQMIX, e recebeu menção honrosa de Melhor Desenhista no 1º Troféu Alfaiataria de Fanzines. Em 2008 criou o personagem, Demetrius Dante. Em 2011 publicou Ciranda Coraci e O Senhor das Histórias, ambos em parceria com o roteirista Wellington Srbek e, de forma indepedente, O Louco, a Caixa e o Homem, com o roteirista Daniel Esteves. Participou da coletânea MSP+50 (2010), tem trabalhos publicados na revista Front e nas publicações independentes: JAM, Tempestade Cerebral, Garagem Hermética entre outras. Lançou duas revistas do Sideralman (2007 e 2009). Participa do Quarto Mundo e do Petisco.

Programação Completa:

DIA 9 DE MARÇO, SEXTA-FEIRA, ÀS 21h
Local: Sattva Bordô – Praça Roosevelt, Nº 82 – Centro – São Paulo / SP
Quanto: R$10

Festa de lançamento do 2º Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas.
Shows com Ajax Free, Noala e Hutt.


DIA 10 DE MARÇO, SÁBADO, ÀS 14h
Local: Casa do Fazer – Rua Humberto I, 201
Quanto: Colaboração espontânea (colabore com o que puder, se puder). Oficinas: R$20

14h: Oficina de Estêncil com Daniel Melim
Valor da oficina: R$20. Vagas limitadas.
Inscrições antecipadas pelo e-mail ugra.press@gmail.com

15h30: Oficina de Customização de Fanzines com Rodrigo Okuyama
Valor da oficina: R$20. Vagas limitadas.
Inscrições antecipadas pelo e-mail ugra.press@gil.com

17h: Palestra com Nenê Altro
Gratuito. Vagas limitadas. Retire senha no local 20 minutos antes do início da palestra.

17h: Início da mostra Doc.Zines (
Consulte programação aqui)
Gratuito. Vagas limitadas.

17h50: Palestra com Law Tissot
Gratuito. Vagas limitadas. Retire senha no local 20 minutos antes do início da palestra.

18h40: Palestra com Marcatti
Gratuito. Vagas limitadas. Retire senha no local 20 minutos antes do início da palestra.

19h30: Debate “Quadrinhos Independentes: Opção ou Condição?”, com Marcatti, Law Tissot e Thiago Spyked. Mediação: Will.
Gratuito e aberto a todos os presentes.

21h: Estréia dos documentários “Fanzineiros do Século Passado – Capítulo 2″, de Márcio Sno, e “Ugra, the Karma”, de Paulo Oliveira.
Gratuito e aberto a todos os presentes.

Durante todo o dia: Exposição de zines, feira de publicações alternativas, comes e bebes. Gratuito e aberto a todos os presentes.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

QUANDO MEU PAI SE ENCONTROU COM O ET FAZIA UM DIA QUENTE


Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente é o emblemático título do novo livro de Lourenço Mutarelli.

Quem acompanha o trabalho do autor certamente se surpreenderá com as cores, que neste álbum foram obtidas através da pintura com tinta acrílica em papel ou papelão.

A estrutura narrativa também é digna de nota, o livro é constituído de uma sequência de imagens (pranchas em páginas inteiras)com pequenas legendas que não correspondem exatamente às figuras em que estão inseridas. Esta distorção entre a imagem e a palavra foi um recurso experimental utilizado propositalmente pelo o autor e cria um jogo interessante com o leitor, que interage de forma não linear com as páginas do livro na busca de reconstruir a história para si.

A memória é o tema do livro.
A história é narrada por um personagem que conta a história de seu pai, que embora parta de um encontro inusitado deste com um ET, vai muito além disso, possibilitando ao leitor indagar sobre o próprio modo como construímos nossa história, através de recortes ou fragmentos de lembranças.



Em certo momento do livro, o pai mistura suas fotos pessoais com a de desconhecidos (que colecionava) e isto traz umas grandes questões livro: a constituição de nossa memória individual é racional e linear? ou é emocional, seletiva e coletiva? Este questionamento justifica a estrutura narrativa do livro.

Outra questão do livro é o esquecimento ou a deformação de nossas memórias com o passar do tempo, isto é representado pela repetição de imagens que se distorcem, pela lama do rio que não é mais rio, e pela internação do pai no asilo.
Lembramos do que queremos, da forma que escolhemos.

Embora a produção do livro tenha sido um tanto conturbada por interferências editoriais (vide o título do livro), trata-se de uma grande e indispensável obra de Mutarelli que proporciona aquela sensação familiar de vácuo nas nossas certezas após sua leitura.
Enfim, Mutarelli.




quarta-feira, 2 de novembro de 2011

NO MORE SHAVES



David Greenberger é um americano que um dia resolveu dedicar seu tempo livre visitando asilos masculinos. Lá, ele fazia o que os idosos mais gostam: ouvia a suas histórias. Percebeu, então, que poderia compartilhar essas diversas histórias para muito mais pessoas. Mas, de que forma? Hummm… Que tal um fanzine? Bingo! Foi assim que começou a publicar o Duplex Planet em 1979.

Mas o que publicava não era única e exclusivamente as histórias dos anciãos: ele fazia entrevistas fazendo perguntas como: “o que é felicidade?”, “o que é Marte?”, “o que é música?”. Pode parecer básico, bobo. Mas as respostas que recebia eram as mais variadas possíveis. E todas repletas de contextualizações etc. e tal. E isso que impressionou Greenberger e é o que torna essa coletânea de depoimentos tão enigmática e interessante.

Esse material acabou se transformando nos livros “Tell me if I’ve stopped”, “Duplex Planet: everybody’s asking who I was” e “Trees breathe out people breathe in” e, mais tarde em formato de CD, com o “The Duplex Planet Radio Hour”.

Como se não bastasse essa variedade de formatos, em 2003, lançou “No more shaves”, a versão em histórias em quadrinhos de algumas histórias que colheu em sua saga. Como não domina o desenho, chamou amigos para ilustrar. Em diversos casos, David aparece como personagem.

Os tipos de histórias são as mais variadas possíveis, como algumas lembranças do passado, teorias como a extinção dos dinossauros, as variadas espécies de cobras, as passagens pela guerra, o primeiro funeral, a origem das bruxas, a vida no espaço. Muitas parecem fora da realidade, que faz com que duvidemos da veracidade. Mas, acho que isso é que menos importa, o interessante é onde a imaginação e a criatividade dos narradores vão e como os ilustradores adaptam para os quadrinhos.

Esse trabalho acaba não apenas alimentando a fome de entretenimento do leitor, ele também faz pensar sobre como é curioso o universo cheio de bagagem e de muita imaginação da terceira idade. Dá até para refletir como será o “nosso universo” quando chegarmos lá.

Para ter um gostinho do trabalho de Greenberger, acesse o site: duplexplanet.com, onde tem diversas categorias, com perguntas sobre determinado tema, respondido das formas mais diversas pelos vovôs.

Boa viagem.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

DOMU ARIGATÔ XAVIER SAMMA

*Samma = maneira respeitosa de dizer mestre ou professor



É complicado escrever de algo que a gente goste muito sem soar propaganda, fanatismo ou algo que o valha, mas seja você um fã de animes, ou seja você um "Marvete" die hard da época das revistas da Abril Jovem e principalmente da fase que Chris Claremont assumiu o roteiro e reformulou os X-Men (exatamente quando os Mutantes da Escola do Prof. Charles Xavier ganharam sua própria revista aqui no Brasil - até então as histórias dos X-Men, X-Factor e o começinho dos Novos Mutantes apareciam no meio das revistas Herois da TV, Superaventuras Marvel e Capitão América), ou então, seja você um cara que tem saudade da série X-Men the animated series, que passou na Globo no fim dos anos 90, e, pior ainda, seja você como muitos dos Zínicos deste blog, fã de tudo isso descrito acima, tenha certeza que, se por acaso você ainda não se aventurou em "googlar" o desenho que deu origem à esse post aqui, agora, não tenha dúvidas que você será contaminado!

Faz uns três meses que eu havia visto o trailer de X-Men versão Anime (desenho de animação japonês, com aqueles traços caracteristicos de mangá, só que de conteúdo e estilo mais adulto! - Meu amigo Gustavo Az disse ontem sobre o velho Sawamu - aquele do Salto no Vácuo com Joelhada! - que a avó dele sempre o alertou que Animes não são para crianças!!! É a sabedoria dos mais experientes sempre se fazendo valer!!!). O fato é que eu estava (e ainda estou) tão cheio de compromissos de caracter estudantil que eu mesmo acabei esquecendo disso. Mas ontem, numa conversa de nerd via facebook, e o fato de eu precisar desligar meu cérebro por alguns instantes, me levou ao mundo mágico dos animes de novo! E enquanto assistia pela trocentésima vez o primeiro episódio de Blood + (ブラッドプラス - Buradu purasu), eu me lembrei dos X-men.
Aí o Google me tirou do sono suspenso (igual ao do Steve Rogers) e eu passei a madruga assistindo os 10 primeiros episódios de X-Men Anime (pois é eu demorei! Malz ai! Se você já tá assistindo, não julgue isso como notícia velha, é que o tempo urge e eu estou muito enrolado mesmo!!! sorry =[ ).

O resultado, mais que esse post, foi um vício imediato e uma crise de abstinência insuportável ao fim de cada episódio! Eu nem dormi ainda! Fiquei num esquema Rentton no começo do Trainspotting + música do Ministry = JUST ONE (more) FIX! E nessa, eu tô aqui assistindo até agora! hehehe!

Se o Chris Claremont permeou todo essa fase que ele escreveu os roteiros dos X-Men com influências de jPop (jay Pop, ou cultura pop japonesa), fazendo a Tempestade mudar de visual (trocando as longas madeixas pelo estilo moicâno muito antes de Beckhan e do Neimar!) e de personalidade (logo depois do confronto com Drácula - X-Men #1) e assumindo o nome japonês de Ororo, se ele também deixou bem claro o passado no Japão de Wolverine, o treinamento com o Ronin* Ogun Samma (*tipo um Samurai assassino, quase um 人斬り抜刀斎 Battousai - retalhador - como Kenshi Shimura, o Samurai X - るろうに剣心 -明治剣客浪漫譚), o casamento de Logan com Mariko Yoshida, e principalmete quando tudo isso ainda fica mais claro na minissérie em dois volumes Wolverine & Kitty Pride e em X-Men #4, onde a mesticinha Kitty Pride vai pra Tóquio salvar o pai e cai nas mãos do Ronin Ogun se transformando por fim na Lince Negra, e ainda podemos falar que foi a fase que o Fera voltou pros X-Men, mas agora na forma bestial do fera e não mais como um humano de características animais - esse papel ficou com Wolverine que vivia uma eterna briga consigo mesmo entre o humano Logan e o animal Wolverine - enfim, se você pirava com tudo isso, então imagina agora que os próprios japoneses decidiram mostrar as influências nipponicas dos mutantes em um anime que eles mesmo fazem?!?!

Melhor do que eu escrever uma sinópse ou dizer o óbvio como: A animação é absurdamente incrível! A trilha orquestrada é genial! Lembra até as trilhas do Oingo Boingo "Samma": Danny Elfman! Melhor que tudo isso é você mesmo assistir o anime e tirar suas próprias conclusões, por isso, para infectá-lo, segue abaixo o episódio #1 com aúdio em japonês e legêndas PT/BR, os outros nove mais o que vier daqui pra frente, é com vocês!!!


Domu Arigatô X Meno!


domingo, 1 de maio de 2011

O MELHOR TEASER CRIADO PELA MARVEL SOBRE VOSSO PODEROSO THOR

Atente-se aos pequenos detalhes: Em 0.08 (o nome do cãozinho!), 0.14(Action Figure do Thor), 0.21(A caneca) e 0.25(A placa do carro do pai!)

Por Asgard! ou A5G 4RD!!






OK! Eu sei que o videoxou passou esse teaser, mas vamos combinar que a Globo não tem a moral que o Zinismo tem em Asgard. Aqui o baguio é real! Minusquência, procedê e atitudi! Senão cabelo avua!!!

E quando acabar o esquema "só estudo sem diversão, faz de Ideia um bobão" eu devo postar aqui a verdade sobre o Primeiro Vingador, ou o Capitão América. Quero dizer, OS CAPITÃES AMÉRICA. Sim porque, além de Steve Rogers, outros três homens vestiram o uniforme do Capitão, mas isso fica pra depois!!!

Alguém aí topa ir cinema? Já estou nele, em Asgard!!!

sábado, 23 de abril de 2011

REQUIÉM - LOURENÇO MUTARELLI



Da série coisas maravilhoas que os amigos compartilham conosco e que compartilhamos com outros amigos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

PROGRAMA DE FORMAÇÃO EM HQ E ZINE -CENTRO CULTURAL DA JUVENTUDE - RUTH CARDOSO



O professor Gazy Andraus (autor e editor de hqs independentes, pesquisador do observatório de HQs da USP e Doutor em Ciências da comunicação pela ECA - USP) elaborou junto ao Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso uma extensa programação de eventos e oficinas sobre quadrinhos e fanzines, que ocorrerá durante todo o ano de 2011.

A programação é extensa, e o ZINISMO resolveu separar alguns destaques na área de quadrinhos e fanzines para o mês de abril:

Diálogos com Laerte.
Sim, uma conversa sobre quadrinhos com o mestre Laerte, imperdível.
dia 09 de abril - sábado - às 17:00 horas.

Mesa redonda - dos fanzines à fanzinoteca.
Participarei desta mesa ao lado do Douglas Utescher (UGRA PRESS - Anuário de Fanzines) e do Fábio Tatsubô (responsável pela Mostra Nacional de Fanzines de Santos)
dia 17 de abril - domingo - às 14:00 horas.

Exibição do documentário Fanzineiros do Século Passado - Márcio Sno.
e Fanzineiros - Projeto e continuidade - bate papo com Márcio Sno
Nosso colega e guerrilheiro dos fanzines, Márcio Sno, apresentará seu documentário, alémd e participar de uma troca de idéias a respeito dos fanzines.
Data: 21/04 (quinta- feira - feriado), às 14h (exibição do documentário) e às 16h (bate-papo).

Palestra - HQs, um potencial inexplorado.
Palestra com a Mestra em Vivências da Comunicação Alice Caputo sobre as HQs enquanto fonte de conhecimento e estímulo à leitura.
Dia 23 de abril - sábado - às 10:30 horas.

Além, destes eventos, o CCJ oferecerá outras oficinas e atividades, confira na programação abaixo e fique esperto nos modos de inscrição e participação. Detalhe importante - Tudo "de grátis"!



Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – São Paulo/SP
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte.
(ao lado do terminal Cachoeirinha)- Telefone: (11) 3984-2466
CEP: 02720-200

quinta-feira, 31 de março de 2011

FANZINE LA PERMURA # 3



Recebemos do ilustrador Rodrigo Okuyama os fanzines La Permura # 3 e o “Extensas Estrias del Estensiñor”.



O fanzine La Permura, feito por Rodrigo em parceria com o quadrinista Lobo é um dos favoritos da casa. O La Permura # 3 avança ainda mais na proposta que acompanha o fanzine desde o primeiro número: quadrinhos primorosos mesclados com técnicas diferenciadas de impressão e um acabamento artesanal minucioso.



O quadrinista Lobo prossegue com seu traço clássico, bizarro, escatológico e hilário, já Rodrigo se diversifica, abrindo seu leque para diversos temas e técnicas: dos quadrinhos mais clássicos feitos com nanquim, transitando pelos coloridos digitalmente, passando por novas possibilidades como na uma história colorida com tinta acrílica e pasmem! Uma história inteira feita e impressa com Estêncil... Tudo isso vem embalado em uma capa feita com Tetra Pak, impressa com tinta para luz negra (que possibilita diferentes interpretações do desenho conforme a iluminação), que une o fanzine através da encadernação costurada manualmente!



Já o Extensas Estrias del Estensiñor mostra outra inovação do Rodrigo. Também costurado manualmente, o zine (livro, portfólio?) esconde em seu interior uma dissecação humana feita através de um desenho impresso (também em Estêncil) em folhas de papel vegetal. Esta ilustração, foi escolhida a melhor do Ilustrefólio, concurso promovido pela revista digital de artes portuguesa "Magnética Magazine".
Se você não possui um destes zines, corra atrás. Honestamente, em termos gráficos é um dos melhores e mais inovadores zines que já tive em mãos.



E atenção editoras e revistas, vou escrever em letras garrafais: RODRIGO OKUYAMA É UM DOS MELHORES E MAIS CRIATIVOS ILUSTRADORES BRASILEIROS DA ATUALIDADE. Tenho dito!
ZINISMO RECOMENDA!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

REVISTA PREGO # 3 e 4

Já tinha ouvido muitos rumores a respeito da REVISTA PREGO. Amigos me recomendaram, havia lido boas resenhas sobre e alguns conhecidos colaboraram com a revista. Mas, por uma daquelas razões inexplicáveis não tinha lido a PREGO ainda (talvez porque fui meio relapso, ok, admito).

Recebi do editor, o artista Alex Vieira um caprichado pacote com a publicações da PREGO, que pretendo destrinchar com o merecido cuidado.
A revista PREGO está em seu quarto número e ano (última publicação em junho de 2010) e ter uma destas revistas em mão é o mesmo que se reunir para um café (ou cerveja) com alguns dos melhores artistas alternativos (punks?) atuais brasileiros.

Na prego encontram-se artistas de gerações diferentes, com estilos e motivos diversos, mas todos certamente possuidores de duas características que os unem: a autenticidade e a subversão (seja em técnica, estilo ou mesmo postura). O lema da revista – Quadrinhos, arte punk & Psicodelia – resume esse espírito.

PREGO # 3



Neste número colaboram mais de dez artistas. Entre eles, o editor Alex Vieira, Daniel One, Bira Dantas, Kauê Garcia, Jaca entre outros. Neste número a revista traz encartado o fanzine PIB, editado (mas não publicado) pelo artista Júlio Tigre nos anos 90. Destaco a entrevista com veterano ilustrador argentino Luis Trimano e a impecável HQ(?) colagem de Mario de Alencar.

PREGO # 4



Nesta edição são 30 colaboradores em 54 páginas. Et, Rogério Santos, Fábio A.,Douglas Utescher, além de nomes inéditos e outros que já apareceram em edições anteriores. Dois artistas desta edição tiveram revistas solo lançadas pela Prego, é o caso de Guido Imbroisi, que colabora com a metafísica HQ Macéria, e Diego Garlach, que assina o encarte desta edição, com a contundente HQ BOY ROCHEDO.

A Revista Prego dá continuidade com propriedade à tradição das boas revistas de quadrinhos nacionais como a Dundum, Chiclete com Banana etc. ZINISMO RECOMENDA.

Detalhe de Século 22 - Mario de Alencar

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

IV MOSTRA NACIONAL DE FANZINES


Começa sábado agora (dia 4 de dezembro) a IV MOSTRA NACIONAL DE FANZINES, promovida pela Secretaria de Cultura de Santos. A Mostra terá atividades culturais diversificadas e rolará em dois lugares em Santos, na Gibiteca Marcel Rodrigues Paes e Pinacoteca Benedicto Calixto.

Eu participarei de uma mesa no domingo (dia 05) sobre "Desafios dos editores independentes" com fanzineiros e produtores autorais, ao lado de duas figuras que aparecem volta e meia aqui no ZINISMO: Douglas Utescher do UGRA Press (SP)e Rodrigo Okuyama do fanzine La Permura, além de Lico Mota e Leandro Altafin e Rodrigo Gutstein.

Segue o serviço completo:

Prefeitura de Santos por meio da Secretaria da Cultura (Secult) realiza a programação de eventos em comemoração aos 18 anos da Gibiteca Marcel Paes Rodriques, em parceria com a Associação Amigos da Cultura.

Evento acontece no dia 4 de dezembro de 2010, às 18h, na Pinacoteca Benedicto Calixto, com a abertura da IV Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Autorais HQ, lançamento do Catálogo 2010, apresentação de músicas de trilhas sonoras de desenhos animados com o Quarteto Carobandé, e debate com os principais nomes das histórias em quadrinhos no País.

Outro destaque da mostra é a exposição ‘Dossiê Rê Bordosa’ do cartunista Angeli. a programação segue até o dia 12 de dezembro com oficinas, mostras paralelas, debate com editores independentes, cine HQ (filmes com personagens das HQs), Animelan Movie (exibição de desenhos animados e seriados japoneses).

A mostra acontece na Gibiteca Marcel Rodrigues Paes e Pinacoteca Benedicto Calixto. Confira a programação:

4 de dezembro (Sábado)
18h. Pinacoteca Benedicto Calixto
Abertura das exposições ‘Fanzines 2010′ e ‘Dossiê Rê Bordosa’.
Lançamento do catálogo 2010.
18h30. Pinacoteca Benedicto Calixto
Apresentação do Quarteto Carobandé (trilha sonora de desenhos animados).
19h30. Pinacoteca Benedicto Calixto
Debate ‘Futuro das Histórias em Quadrinhos’ com a mediação do jornalista Paulo Ramos (UOL). JAL (criador do HQ MIX), profª drª Sonia Luyten (organizadora do HQ MIX 2010), Celso Menezes (Jambocks), Renato Guedes (Art&Comics), prof. dr. Gazy Andraus, Emílio Baraçal (Zap HQ!), Maurício Muniz (Gal Editora) e Alexandre Barbosa.

5 de dezembro (Domingo)
14h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Oficina ‘Como desenhar Super Heróis’. Quadrinista Eder Messias.
15h30. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Oficina Processos de Roteirização HQ. Emílio Baraçal (Zap!HQ). O editor estará analisando portfólios de desenhistas.
17h. Pinacoteca Benedicto Calixto
Debate ‘Desafios dos editores independentes’ com fanzineiros e produtores autorais. Debatedores: Flávio Grão do blog Zinismo (SP), Douglas Utescher do UGRA Press (SP), Rodrigo Okuyama do fanzine La Permura (SP), Lico Mota, Leandro Altafin e Rodrigo Gutstein, ambos de Santos.

6 de dezembro (segunda-feira)
18h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Cine HQ: ” Persépolis ” – Animação Francesa (2007)

7 de dezembro (terça-feira)
14h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Oficina ‘Como desenhar Super Heróis’. Quadrinista Eder Messias.
18h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Cine HQ: “Renaissance” – Animação Franco-Inglesa (2006)

8 de dezembro (quarta-feira)
18h. Pinacoteca Benedicto Calixto
Exposição ‘A era dos games’ do RC Estúdio, organizado por Cacá Marszolek.
Exposição dos originais do fanzine ‘La Permura’ de Rodrigo Okuyama
19h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Abertura da Exposição 18 anos da Gibiteca
19h30. Cine HQ: Dossie Rê Bordosa

9 de dezembro (quinta-feira)
18h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Cine HQ: “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock´n´ Roll” – Animação Brasileira

10 de dezembro (sexta-feira)
16h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Oficina ‘Como desenhar Super Heróis’. Quadrinista Eder Messias.

11 de dezembro (Sábado)
12 às 19h. Gibiteca e Pinacoteca Benedicto Calixto
Concurso de desenho
Exposição do Animelan
Exposição de gashapon
Área de card game
Campeonato de Jenga
15h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Oficina de Cosplay. Animelan
17h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Animelan Movie (desenho animado japoneses)
18h. Acústico banda Strafe (anime songs)

12 de dezembro (Domingo)
11h. Gibiteca Marcel Rodrigues Paes
Oficina ‘Como desenhar personagens
de Animê’. Quadrinista Eder Messias.
12h. Animelan Movie (seriados japoneses)

O evento é uma realização da Prefeitura de Santos por meio da Secretaria da Cultura (Secult) em parceria com a Associação Amigos da Cultura. Apoio: Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, MISS (Museu da Imagem e do Som de Santos), Universo HQ, ZAP!HQ e Animelan.

A Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes fica no Posto 5, praia do Boqueirão, em Santos. Funciona de segunda a sábado, das 9h às 19h, e domingo, das 9h às 14h. Tel.: 3288-1300.

terça-feira, 13 de julho de 2010

HARVEY PEKAR RIP



Morreu ontem (dia 12/07/2010) o quadrinista Harvey Peaker, aos 70, em Cleveland.
Autor dos quadrinhos American Splendor, foi um dos grandes nomes dos quadrinhos underground da América do Norte.

Reclamão, ranzinza, ácido e irônico, Harvey Pekar vivia uma vida medíocre (como arquivista de um hospital) até que viu sua sorte começar a mudar quando procurava discos antigos em uma “venda de garagem” e conheceu o desenhista Robert Crumb. Através deste encontro surgiu a revista American Splendor, onde foram retratadas por cerca de trinta anos as aventuras banais de Pekar, ilustradas por diversos desenhistas.

Em 1994, Harvey escreveu uma premiada graphic novel intitulada Our cancer year, que contou sua luta vitoriosa contra um câncer linfático.

Apesar de medíocre, a vida de Pekar foi extremamente divertida. Seus quadrinhos viraram peça de teatro e mais recentemente filme: lançado em 2003, American Splendor (Antiherói Americano) é um dos melhores filmes sobre quadrinhos já feitos. Brilhantemente interpretado por Paul Giamatti, a história de Pekar é contada de modo divertido, da infância até seu relativo sucesso. Destaque para os momentos de meta-linguagem onde o próprio autor aparece para dar suas tradicionais resmungadas e para as notórias e constrangedoras aparições nos programas do David Letterman.



No Brasil, algumas histórias de Pekar foram publicadas na extinta revista Piratas do Tietê e mais recentemente foi lançada pela editora Conrad uma compilação das histórias feitas em parceria com Crumb, intitulada Bob & Harv.



Zinismo recomenda Harvey Pekar e lamenta a morte do artista que fazia algo brilhante a partir da mais vulgar matéria prima, o cotidiano do ser humano comum.
RIP Harvey!



sexta-feira, 12 de março de 2010

GLAUCO E OS SUPER HUMANOS



FINAL DOS ANOS 80

Por volta de 1987, Formiga e Sono (os melhores desenhistas da sétima série) começaram a estudar aos sábados na ASBA (Associação São Bernardense de Belas Artes) na missão de doutrinarem seus desenhos adolescentes. Nerds moderados (pois andavam de skate e ouviam rock) conviviam pacificamente com os nerds faixa-preta (aqueles que não tinham vida social, usavam óculos pesados e tinham mais espinhas que o normal).

Virou hábito dos nerds guardar o dinheiro da coxinha para comprar gibis usados nas bancas do centro de São Bernardo no fim das aulas. Ansiosos, seguiam com suas pastas A3 e buscavam compulsivamente gibis raros no meio das caixas empoeiradas. Formiga e Sono aprenderam rápido que os nerds faixa-preta não gostavam de quadrinhos nacionais, só de super-heróis e por isso escondiam suas aquisições desse tipo para não enfrentarem o olhar de desprezo alheio. Na volta para os prédios mostravam orgulhosos o que haviam conseguido garimpar escondido:
-Mano, olha só essa Chiclete com Banana...
-Eu peguei essa dos Piratas do Tietê.

E assim, figuras como Mara Tara, Geraldão e Fagundes tomavam gradativamente o lugar do Capitão América, do Wolverine e do Super-homem. Era o triunfo dos super-humanos sobre os super-heróis.

XXX

Quem cresceu nos anos 80 ou 90 e tinha o costume de ler histórias em quadrinhos nacionais, com certeza conhece três nomes: Angeli, Laerte e Glauco.



Angeli era o mais ácido dos três. Com sua revista Chiclete com Banana fazia uma crônica ácida e extremamente contemporânea de tudo que se passava no mundo noturno e urbano de São Paulo. Com seus punks, carecas, boêmios e modistas new-wave, retratou e nos antecipou um pouco do que era a noite paulistana, algo que veríamos com nossos próprios olhos quando a idade nos permitisse.



Laerte tinha um traço genial. Do alto dos meus treze ou quatorze anos, julgava ser ele o melhor desenhista do trio. Tinha o traço detalhista e fluído, desenhava o que queria com facilidade. Toda vez que passo pela marginal Tietê imagino seus piratas tomando a cidade em um dos quadrinhos mais fodas que já li.



Era um vizinho alcóolatra que me emprestava os gibis do Geraldão, desenhados pelo Glauco. Não entendia seu traço, mas ria espontâneo de seu humor extremamente anárquico e desafiador (que aprendi a entender ser perfeitamente coerente com seu estilo de desenho). Um garotão onanista com uma seringa no nariz e que tinha tara pela própria mãe – uma senhora de meia idade tarada que assediava sexualmente os estagiários do escritório onde trabalhava –, ou um nóia menor abandonado que aborda os motoristas paulistanos com uma faca. Geraldão, Dona Marta e Faquinha são personagens do Glauco que sintetizam o encanto que tinham suas histórias, o rir de si mesmo, do absurdo humano, da miséria que nos resume. E até seu traço debochado e econômico demonstrava exatamente isso, nós - pobres seres bípedes atrás de nossos desejos mais primitivos... E o melhor é que isso era extremamente divertido!

A junção dos três produziu as histórias dos “Los três amigos”, que posso afirmar (sem medo de ser injusto) que é o que há de mais engraçado jamais lançado em histórias em quadrinhos.

E hoje, vem a triste notícia do falecimento do Glauco que soa como a perda de alguém próximo... Não dá para entender, nem dá nem para ficar falando muito. Brutal. Só consigo pensar que se a missão dele era fazer rir, todos nós sabemos que partindo nesse momento ele parte com missão cumprida. Suas tiras, simples, tinham a capacidade de roubar-nos um sorriso mesmo no meio de um dia atribulado e cansativo. E isso, é tão nobre... Vai fazer muita falta. Descanse em paz Glauco!

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