domingo, 25 de abril de 2010

ENTREVISTA COM JOB FERNANDO - KARTA BOMBA ZINO


Katz, ou Fernando, ou ainda Job Fernando, publica atualmente os fanzines punks KARTA BOMBA ZINO e mais recentemente o KOLETIVA UMBELA BOMBA ZINO. A temática geral de seus Fanzines é o movimento punk e o seu universo, entrevista com bandas, resenhas de discos e de outros fanzines, análises da sociedade e do próprio movimento.

Os zines feitos por Katz merecem destaque e consideração especial por diversos fatores, todos eles resultantes do cuidado com que são feitos. A editoração segue uma linha clássica dos fanzines (sem ser poluída), complementada com os desenhos (geométricos) “desanimados” de Katz e inserções de outros elementos como colagens e toques de serigrafia.

Um destaque especial deve ser dado para a linguagem ou meta-linguagem dos fanzines. São vários os personagens que escrevem como o próprio Katz, ou ainda Zé da bota, ou Mamma Marmota ou Maria Botina, não é possível saber se realmente eles existem ou são heterônimos, mas o que importa é que ajudam o fanzine a ter um tom leve, irônico e poético, mesmo quando os assuntos tratados são sérios, e esse é o ponto mais forte destes fanzines. O KOLETIVA UMBELA BOMBA ZINO, por exemplo, é resultado de uma greve dos produtores do KARTA BOMBA ZINO que estavam de certo modo decepcionados com a falta de interesse do meio “underground” com os fanzines.

O ZINISMO recomenda estes trabalhos e mais, entrevistou Katz, ou Job Fernando, ou enfim, o homem (ou os homens) por trás destes fanzines, confira!

ZINISMO: Fernando, como se deu seu envolvimento com o Fanzine e a cultura punk?
FERNANDO: Conheci o Punk em algum dia de março de 1997. Depois de ouvir alguns comentários, com apenas quatorze anos eu me aventurei até o Centro de São Paulo em busca de algo nesse sentido e logo coloquei às mãos na coletânea ''Grito Suburbano''. Foi amor ao ódio a primeira vista e audição! Daí eu conheci também os zines e passei a escrever para tudo quanto era endereço em busca de mais... Não mais parei.

Eu sempre tive vontade de editar meu próprio zine e finalmente consegui quando lancei a Força Mecânica (informativo sobre Streetpunk, Ska e futebol), em março de 2004. Já em abril de 2007, tive uma nova experiência com o Turbo Zino (zine com uma entrevista e algumas matérias sobre Punk e Faça Você Mesmo que estavam arquivadas há algum tempo). E, mesmo ambos não tendo passado da primeira e única edição, isso foi muito importante para o meu aprendizado.

Em setembro de 2008 eu passei a editar a Karta Bomba Zino (zine musical, político e um tanto pessoal) e estou feliz por ter alcançado à quinta edição (até o momento) de forma mais madura. Já com o início da Greve da Bomba, no final do ano passado eu passei a me dedicar também à produção da Koletiva Umbela Bomba Zino (zine pessoal, político, musical, crítico, fictício, documental, ou algo assim - risos) e daqui alguns dias esta receberá sua segunda edição. Aguardem as novidades!


Nos seus fanzines têm várias reflexões pertinentes sobre o movimento punk. Gostaria que falasse um pouco de como vê esta cena nos dias de hoje e como visualiza o futuro do punk no Brasil.
Vejo as cenas punks de atualmente com desconfiança e um certo pesar. Embora existam inúmeras pessoas procurando construir cenas interessantes, na minha opinião hoje falta a chama de outras épocas e persiste a ignorância. Alguém já disse que hoje temos a geração do visual e do digital e eu acrescento que ainda temos os intolerantes de sempre. Diante desta realidade, sou pessimista em relação ao futuro.

Seus fanzines tem um cuidado especial na produção, linguagem, capas, editoração etc. Gostaria que falasse um pouco disso e também do lugar dos fanzines em meio aos diversos meios de comunicação existentes.
Eu fico feliz em saber que você reparou nestes detalhes. Procuro levar estes pontos ao limite nas coisas que faço (essa obsessão talvez se deva ao meu signo: virgem – risos) e na Karta Bomba Zino e na Koletiva Umbela Bomba Zino isso também ocorre de forma acentuada. Devagar, felizmente tenho conseguido evoluir um pouco nesse sentido. Enquanto busco um estilo na escrita, algumas características imagéticas se tornaram o destaque destas publicações e então eu passei a dar ainda mais atenção a estas possibilidades: cores das capas, envelopes, utilização de serigrafia, Desenhos Desanimados (geométricos), etc...

Penso que hoje os zines ocupam uma posição de resistência cultural diante de outros meios de comunicação. Como você diz, com a facilidade de se publicar coisas na internet, a publicação de um fanzine é um ato político. E digo ainda que a possibilidade de reinvenção é uma das principais armas que os zines dispõem para continuarem existindo.



Em um dos seus últimos zines (Koletiva Umbela Bomba Zino), há um desafabo com relação à falta de consideração de algumas partes do underground pelos fanzines. Fale um pouco à respeito.
Pois é... Apesar de todo o esforço na divulgação, posso contar nos dedos duma só mão quantas pessoas realmente tem demonstrado interesse pelos materiais que venho produzindo. Para se ter idéia, desde o lançamento do primeiro número da Karta Bomba Zino, eu venho obtendo retorno apenas de pessoas que possuem relações estreitas com o meio zineiro (editores e veteranos de épocas em que as publicações impressas ocupavam lugar relevante no underground). Uma pena!

Por conta disso, a própria Karta Bomba pediu pelo início duma greve. Paramos às prensas! Agora, vamos decidir como será daqui para frente...

Converso com outros zineiros e digo que esta é a realidade dos tempos atuais, mas não acredito que esta desvalorização das publicações impressas tem como causa direta a acessibilidade dos meios digitais, pois vejo que grande parte das pessoas envolvidas com o underground vem tratando também a internet de forma superficial. Parece-me que a circulação de informações, a comunicação e a própria relação entre pessoas estão banalizadas e a forma como às conhecíamos não mais ocorre por meio algum. Vamos ver no que esse processo vai dar...


Pra terminar, gostaria que o Karta Bomba fizesse algumas sugestões (musicais, zinísticas etc etc) para os leitores do Zinismo...

Bandas que estão em atividade: Invasores de Cérebros, Excomungados, DZK, Restos de Nada, Ação Direta, Armagedom, Cólera, Besthöven, Repúdio CxGx, DxDxOx, Agrotóxico, Sarjeta, Discarga Violenta, etc...

Publicações que estão em circulação: Aviso Final (avisofinal@gmail.com), Baskulho (histeria_zine@yahoo.com.br), Nuvem Negra (nuvem.negra.zine@gmail.com), FanzinEx (excomungados@ig.com.br), Histérica (histerrrica@hotmail.com), Alogia (tamaracosta@rocketmail.com), Revolta Vermelha (newrmmcf@gmail.com), Manufatura (contatos com o entrevistador), Subsolo – Ruas do ABC (melimdaniel@yahoo.com.br), Spell Work (tinacurtis11@yahoo.com.br), Misantrópico (expozinesba@yahoo.com.br), e Fuzz Zine (brunasizilio@gmail.com).

Blogs que estão no ar: Provos Brasil, Velha Escola x Nova Escola , Alternar , Cabeça Tédio , Zinismo (!), Fanzinoteca Mutação , Crop nº1 (http://cropn1.blogspot.com/), Haverá Som de Fita , e Hardcore 90.

Espaço aberto para o Karta Bomba:
Muitíssimo obrigado por sua amizade! E muitíssimo obrigado pelo espaço que você está nos oferecendo! Para encerrar, faço minha às palavras do Zinismo: Andarilhos do Underground: ZINAI-VOS!

5 comentários:

  1. Que style, Grão! The Katz é uma lenda do punk brasileiro. Cabra gente fina.

    Seu único defeito: é palmeirense. hehehe

    Cheers!

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  2. Salve!

    Ótima entrevista!

    The Katz é uma jóia rara do underground - talento, simplicidade e uma criatividade impar!

    Provos Brasil

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  3. entrevista ficou loca!!!
    uma visão foda sobre a questão do zine.

    isso ai Grão.


    Salve Job!


    abrço.


    melim

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  4. Salve Job!
    Parabéns pelas reflexões e obrigado pela citação ao Aviso Final. Vc é foda!
    Renato Donisete

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  5. escrevi nunca me respondeu! snif!

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Andarilhos do Underground: ZINAI-VOS!!!