domingo, 18 de agosto de 2013

ZINES OU FANZINES?


 Zines ou Fanzines? Esse é o nome da roda de conversa que acontecerá no dia 24/08, às 11h, na Biblioteca Walter Wey (Estação Pinacoteca), em São Paulo/SP. O evento tem sobrenome - Um panorama da produção contemporânea de publicações independentes - e o bate-papo será conduzido por Bia Bittencourt (Feira Plana) e Douglas Utescher (Ugra Press). Inscrições antecipadas pelo telefone: 11 3335-5196.

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sábado, 10 de agosto de 2013

ESCUTANDO CHOSEN ONE...



Atenção: isto não é uma resenha.

São apenas divagacões numa ensolarada tarde de sábado, antes da sessão de skate, tomando um café e esperando o almoço ficar pronto (sem machismo: a esposa saiu, eu mesmo estou improvisando meu rango).

Vagando meio sem direção pelo apartamento, vou procurar algum vinil pra escutar, e então vejo o sete polegadas do Grindhouse Hotel ali na pilha, meio dando sopa e meio dizendo "e aí vagabundo, não vai me ouvir nunca?"

Decido ouvir, finalmente.

Ganhei esse disquinho dos amigos da Monstro (valeu Leonardos: Bigode e Razuk), bem na fase em que tinha saído da CemporcentoSKATE e, portanto, não tinha mais um canal, digamos, oficial/impresso para publicar uma resenha. Meio que por isso, meio que por preguiça, demorei pra caralho pra postar algo sobre o disco.

Tem outro motivo também: a banda é de stoner rock. Como alguns (poucos, mas bons) sabem, já tive uma banda de stoner, chamada ästerdon, tem até um cdzinho lançado e tal. Assim, me considero sempre um pouco suspeito (no pior sentido) pra falar de bandas de stoner. Se eu não falar bem, vai paracer sempre inveja. Mas não é inveja não: sou chato com som mesmo. Até com minhas próprias paradas sou crítico em demasia. Todavia, o que importa o que digo? O que importa mesmo é o que as pessoas pensam que você pensa, mesmo que isso não corresponda a verdade.

Enfim...

Chosen One. Sete polegadas vermelho lindão (tem como vinil colorido não ser "lindão"?), faixa-título no lado A, e no lado B "Monkey Rule". As duas são legais, bem gravadas, guitarras bem fortes e marcantes, batera e baixo funcionando perfeitamente e o vocal típico do estilo (mais típico em "Chosen One", na verdade, pois "Monkey Rule" tem partes mais roucas e agressivas). Porém, nada de novo. Sem ofensas, é apenas minha opinião: aquela coisa tradicional do stoner, "quadrada", seguindo a risca a cartilha do deserto, é uma fórmula ultrapassada. O que de melhor poderia ser produzido nesse âmbito, já foi.

Corte para o caso brasileiro: em especial o lance da voz é uma parada que me incomoda muito. A começar pelo meu próprio desempenho punk horroroso, tenho uma opinião que o Brasil não forma bons vocalistas de rock. Simplesmente não forma. No underground então, a coisa é ainda mais triste. E, conhecendo há muitos anos essa carência na posição atrás do microfone, tenho sempre problemas em apreciar bandas novas. Talvez não seja o limite das bandas, mas o meu próprio limite/preconceito em ação. No caso do Grindhouse a voz nem me incomodou, nem tampouco agradou: fiquei meio indiferente, mas talvez porque tenha essa pré-disposição a não gostar.

Blog é pra ser sincero, não é?

Escute os sons e tire suas próprias conclusões:





[foto surrupiada do site tenhomaisdiscosqueamigos.com.br]

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DOCUMENTÁRIO SOBRE O HR (BAD BRAINS)

Finding Joseph I é o nome do documentário sobre o lendário vocalista do Bad Brains, o HR. O trailer está logo abaixo.



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domingo, 4 de agosto de 2013

SESPER NA LOGO

Veja o teaser da próxima expo do Sesper, na Galeria Logo, São Paulo/SP. O nome da expo é "Reprovado". Abertura no dia 13 de agosto, e vai até o dia 21 de setembro.

Sesper "reprovado" 13/08/2013 Logo Galeria from Sesper on Vimeo.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

AGROTÓXICO NO VINIL


Para celebrar os 20 anos da banda, o Agrotóxico anuncia o lançamento de um álbum de inéditas (11 sons), chamado XX. Com lançamento simultâneo em 4 países (Brasil, França, Alemanha e Inglaterra), o disco sai inicialmente apenas no velho e bom formato preto, redondo e com um buraco no meio. LP de alta qualidade, com acabamento feito em Berlin, faz jus a longevidade, importância e batalha da banda no cenário punk rock/hc brasileiro.

Lançado e distribuído no Brasil pela Red Star Recordings.

E, aproveitando o ensejo, aqui vai um vídeo bem recente do Agrotóxico em ação na Alemanha, representando o punk brasileiro no bairro mais punk de Berlin, Kreuzberg:



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quarta-feira, 24 de julho de 2013

DK + WINSTON SMITH

E vamos puxar um viva para a MOCATV, que vem produzindo a excelente série The Art of Punk. Já postamos aqui no Zinismo o primeiro episódio, sobre Black Flag + Raymond Pettibon, e agora fica a dica desse episódio mostrando a arte de Winston Smith e sua relação com o Dead Kennedys. Do tipo imperdível! As colagens de Winston Smith são um verdadeiro patrimônio estético do punk rock e, se você se interessa pelo assunto, não deixe de dar play no vídeo logo abaixo.

Winston tem clareza sobre o poder da arte. "Com uma navalha e cola você pode mudar o mundo", diz no mini-documentário, que traz também depoimentos de Jello Biafra, seu "parceiro no crime".

Para se aprofundar ainda mais nesse tema, recomendo a leitura da entrevista de Winston Smith no livro Não Devemos Nada a Você, uma coletânea de entrevistas da Punk Planet, lançada no Brasil pela Edições Ideal.

Vai um trechinho de brinde:

"Houve algumas vezes em que eu disse que precisava ser feito do meu jeito porque era minha arte, e ele [Biafra] argumentava que tinha que ser feito do jeito dele porque era a música dele. Eu tive que me comprometer algumas vezes, e ele também, mas o resultado foi visualmente muito apropriado. Acabou dando certo para o que precisava ser."

Senhoras e senhores, a arte (punk) de Winston Smith:



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domingo, 30 de junho de 2013

O REINO SANGRENTO DO SLAYER


Eles começaram como a maioria dos jovens envolvidos com o rock: de saco cheio da mesmice e com vontade de colocar toda sua rebeldia nos instrumentos e sair por aí tocando fazendo cara de mau. Mas isso era muito básico para o Slayer que queria algo a mais: ser mais brutal e rápido sem abrir mão da qualidade e originalidade.

Levaram isso tão a sério que se tornaram gigantes no que fazem e rapidamente se tornaram referência para algumas gerações de headbangers. Suas letras que tratam do obscuro e assuntos ligados ao inferno (principalmente nos primeiros discos) foram uma das maiores influências para o som que se conceituou-se a chamar de death metal (embora neguem que o estilo da banda seja esse). Aliás, esses temas que levavam a "palavra do demo" nem era unanimidade na banda: o vocalista Tom Araya, por exemplo, é católico praticante. A maioria das letras é composta pelos guitarristas Jeff Hanneman e Kerry King que inclusive tatuou no braço a frase "God hates us all" (título do oitavo disco da banda) e o vocalista cristão teve sempre que passar por cima do que acreditava para entoar palavras como essas. É mais ou menos assim: entrou no Slayer é pra se sangrar!

Esses fatos curiosos e mais um bocado de histórias que percorrem até hoje as mais de três décadas da banda estão em O reino sangrento do Slayer, lançado pela Edições Ideal em 2012. Recentemente a mesma editora fez a segunda edição revista e ampliada, com capa dura e material de primeira, além de páginas com fotos históricas. A revisão e edição dessa edição ficou por conta do zinista Marcelo Viegas.

O autor do texto original, Joel McIver, é um grande fã da banda e, com a propriedade de quem entrevistou os integrantes (e pessoas próximas) diversas vezes, conta muitas das passagens e desossa todos os discos, fazendo um raio-x completo de cada título e o contexto da época dos respectivos lançamentos. Mesmo com a admiração pelo Slayer, McIver não poupa a palavras quando questiona momentos de vacilos (segundo ele) que a banda cometeu, como as diversas covers ruins que fizeram, o lançamento equivocado de discos (embora eu não concorde com a opinião dele sobre Undisputed Attitude*) e faixas que nunca deveriam ser gravadas.

Para cada disco, o autor passa por todas as faixas, analisando as letras (que demonstram a evolução da banda nesse aspecto, deixando os temas mais satanistas de lado) e passeia pelos detalhes das capas e encartes. Talvez aí seja a mancada dessa edição: mesmo que na versão original não contenha, faltou a publicação de fotos das capas, pois o autor aponta detalhes bem interessantes que, se não tiver a capa por perto, perde um pouco o encanto. Dica: imprima as capas dos discos e deixe no meio do livro pra acompanhar a descrição minuciosa de McIver.

Uma outra dica importantíssima: tenha em mãos todos os discos da banda. Na pior (ou melhor) das hipóteses, baixe e coloque tudo no seu iPod ou celular, pois serão bastante úteis, primeiro por ser a trilha sonora ideal para esse livro e também porque o autor ainda analisa os arranjos dos sons, os riffs e, para quem é músico, ainda aponta várias observações técnicas de tons etc.

Araya, Chris Poland, Dave Mustaine, Gar Samuelson,
Hannerman, Dave Ellefson e King.
São muito interessantes as histórias de bastidores, os preparativos para cada álbum a ser lançado, a criação musical, as negociações com produtores, gravadoras, as estratégias para seguir em tour com determinada banda, as brigas internas, o desgaste das viagens e ainda as amizades e inimizades com membros de outras bandas.

Embora o livro tenha grandes revelações, o autor pouco se apega a falar da vida particular dos membros (na verdade, ele mesmo cita que esse nunca foi o objetivo da biografia), mas é possível perceber que todos têm vida normal fora da banda, como qualquer cidadão comum que trabalha e paga as suas contas. Vez ou outra McIver relata como a rotina puxada do Slayer afeta a vida e relacionamentos dos músicos. Nessa análise é possível chegar ao perfil básico de cada integrante: Hannerman, o mais calado, é um viciado em criar riffs e colecionador de itens nazistas; Araya, um pai de família que foi o primeiro a sentir (e demonstrar) a idade em seu vocal que já não apresenta os mesmos agudos e as dores no corpo resultantes das demandas de palco; o baterista Dave Lombardo sempre discreto, mas hiperativo para compor viradas absurdas e King, um perfeccionista que não perde a oportunidade de falar o quanto ele sua banda são ótimos, além de ser um administrados compulsivo.

O lançamento dessa edição coincidiu com a morte por insuficiência hepática do guitarrista Jeff Hanneman, em maio. Na apresentação dessa segunda edição o próprio McIver dedicou o livro ao músico. Na edição brasileira algumas pessoas foram convidadas para fazer um depoimento sobre um os guitarristas mais expressivos do metal. Eu fui um deles. Porém, se fosse escrever depois de ler esse livro, com certeza que  eu relato teria sido mais completo, uma vez que Hannerman foi responsável em trazer a veia punk-hardcore para banda, assim como é autor das letras mais reflexivas do Slayer ("Angel of Death"e "Unit 731", por exemplo) e ainda formou uma dupla com King que duvido muito que haverá alguma outra parecida que saiba aliar técnica com velocidade e ainda uma sintonia incrível ao encaixar um solo com o outro.

O balanço é que esse livro é muito bom para quem é fã da banda e também para quem quer conhecer mais sobre a produção do metal (que também tem sua raíz do it yourself), a sua evolução, briga e aliança com o mercado fonográfico e, claro, para sentir o calor que o Slayer produziu nesse meio tempo e ainda para entender o porquê "existem muitas bandas de metal, mas apenas um Slayer".

A banda após o show em que durante a música "Raining Blood" recebia um banho de sangue para delírio do público.
* Undisputed Attitude é um disco lançando em 1996 no qual a banda faz covers de bandas de punk rock e hardcore, como Verbal Abuse, Minor Threat, DRI, Stooges, entre outros. Creio que McIver não tenha gostado muito do disco pelo fato de o estilo hardcore não conter muitos solos de guitarras, que é uma da marcas registradas do Slayer. O disco é muito rápido e agressivo. E maravilhoso!