segunda-feira, 2 de agosto de 2010

FANZINOTECA MUTAÇÃO - ENTREVISTA COM LAW TISSOT



O professor de artes visuais e ilustrador Law Tissot conseguiu colocar em prática o sonho de muitos fanzineiros. Em um espaço físico localizado em uma antiga estação de trem (em Rio Grande – RS) funciona a FANZINOTECA MUTAÇÃO.
Neste espaço pode-se consultar um belo acervo de fanzines, xerocá-los por um preço módico e ainda participar de oficinas de graffiti , lambe-lambe e arte postal.
Conheça mais sobre este espaço na entrevista abaixo:



ZINISMO: A primeira pergunta é clássica: como se deu seu envolvimento com a cultura underground e com os fanzines?
LAW TISSOT: É difícil pecisar um "ponto zero", mas com certeza sem o Movimento Punk nada teria acontecido. Viver o espírito das ruas naquela época foi muito rico em todos os sentidos. Tem coisas que só as ruas fazem por nós. E no aspecto da arte, então, em plena abertura política dos anos 1980... Foi um privilégio ter sido adolescente naquele momento da nossa história, e ter encontrado todos aqueles caras.

Como foi o processo de criação e estabelecimento da FANZINOTECA MUTAÇÃO?
Eu sempre tive um grande entusiasmo pelos fanzines desde quando os conheci, provavelmente em 1983, 1984... Essa paixão aumentou quando comecei a fazer os meus próprios zines e entrar naquela rede de trocas e contatos pelos correios. Daí nasceu um desejo de ter um local para manter um acervo público de zines. Mas isso demorou muito, porque levei uma vida de aventuras urbanas entre os anos 1980 até 1999. Em 2001 entrei para o Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande e aos poucos fui me envolvendo com outros aspectos da cultura brasileira. Com isso cheguei aos companheiros do Ponto de Cultura ArtEstação e através de um edital da Funarte (Interações Estéticas 2009) pude legitimar esse sonho, com espaço físico adequado, catalogação, copiadora e todo o resto... A maior dificuldade está em conseguir zines das décadas de 1980 e 1990, temos recebido muitas doações, é verdade, mas bem sabemos que a quantidade de zines e zineiros neste país foi enorme. Muita gente desapareceu na história e muitos zines - lamentavelmente - nunca mais serão lembrados.

Acredito que a Fanzinoteca mutação possibilite o primeiro contato de muitos leitores com os fanzines. Como você observa tal interação?
Existe uma nova geração que tem uma grande distância de tudo isso, do que vivemos e do que significa editar, reproduzir, distribuir um zine, com todos os elementos - do xerox aos correios - então, às vezes, por mais que eu me esforce e me entusiasme com as explicações, o pessoal prefere mesmo é ficar apenas conectados nas suas redes sociais e nos blogs (no caso do blog é muito curioso, pois os vejo como filhos digitais dos zines, em um certo sentido é claro). Mas é importante dizer que aqueles que fizeram - ou ainda fazem - parte do mundo dos zines são os que mais se emocionam (mesmo!) com nosso espaço, acervo e ações.


Você associa o maior acesso à internet e tecnologia como responsável pelo declínio da produção dos fanzines nos anos 00?
Não tenho uma resposta certa a respeito disso. Não creio que foi apenas a internet, na medida em que temos como exemplo o Zinismo, onde existe uma excelente relação entre o uso da internet e a produção / fomento dos zines. São muitos fatores que podem ter esfriado toda a cena underground. Por um lado as transformações são inerentes a cultura humana. Mas existem muitos companheiros fazendo algo para manter os zines vivos, é isso o que importa na verdade.

Como professor de artes visuais, gstaria que falasse um pouco sobre a linguagem e estética própria dos fanzines.
A liberdade criativa dos zines são a sua maior identidade, assim podemos experimentar todos os formatos, linguagens e poéticas que nossos talentos alcançarem.

Qual sua percepção sobre a cena zineira atual no Brasil e no mundo? Qual o lugar dos fanzines nos dias de hoje?
Existem nomes importantes hoje, que mantem os zines num nível de propagação bastante atraente, como é o caso do Fábio Zimbres, através da Mostra Transfer . Tem a cena de Fortaleza, com o Weaver, Lupin, Paulo Amoreira, JJ Marreiro... visitei essa turma em março e fiquei assombrado com tanta energia circulando. O Brasil é mesmo muito vasto, através da fanzinoteca tenho me surpreendido bastante. Mantenho contato com a cena de Portugal desde os anos 90 e através deles chego a outros países da Europa. Lá, me parece, os zines atingiram um outro aspecto. Mais sofisticado até. Acho que os fanzines brasileiros, quando inseridos - e se relacionando - com todas as manifestações da arte urbana contemporanea poderão encontrar uma identidade bem interessante.

Gostaríamos que fizesse uma pequena lista de bons fanzines e blogs para os leitores do zinismo, podem ser vivos ou mortos...hehe
É uma pergunta curiosa, pois eu tenho uma relação passional com qualquer espécie de zine. Não conseguiria eleger os melhores. Prefiro que os leitores do Zinismo acessem o blog da nossa fanzinoteca e descubram os zines do nosso acervo e todos os links que dispomos. Será uma experiência muito interessante, acredito!

Espaço livre para manifestação:
Gostaria que me escrevessem (tissot_law@yahoo.com.br) que prometo responder sempre. Quem puder visitar o sul do RS, venha até a cidade do Rio Grande e conheçam a nossa fanzinoteca. Quem puder doar um zine, melhor. Nossa idéia é ampliar cada vez mais nosso acervo de zines e preservar para as gerações futuras o maior número possível de exemplares, com seus conteúdos incríveis e idéias mirabolantes de seus autores.

ZINISMO RECOMENDA: visite o blog, mande e-mail e envie o seu fanzine! A causa agradece!

Ilustrações por Law Tissot.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

SELO VIGILANTE



Vigilante é o sugestivo nome do selo sob a Deck Disc e já tem vários lançamentos em 7’’ disponíveis em seu catálogo. É claro que em tempos digitais não é possível abandonar os formatos em voga, portanto no site do selo, além dos compactos em vinil, qualquer um pode baixar o Mp3 da faixa escolhida em troca de um “tweet”. É interessante ver o velho e o novo mesclados num mesmo caminho, mas é intrigante também o pensamento que procura prever o futuro disto tudo.

Dos trabalhos disponíveis neste formato vinílico ou no binário compactado os destaques vão para as bandas “The Name” e “Vivendo do Ócio”.


SPELL WORK ZINE # 7


O que chama atenção logo de cara no fanzine SPELL WORK # 7 é o número de páginas (48!).O melhor é que são 48 páginas bem aproveitadas com os mais variados temas : literatura, quadrinhos, dicas de turismo e passeios, sem nunca tirar o pé do nosso querido “underground” e com um certo direcionamento para o gótico e música eletrônica.

Feito pela arte-educadora Thina Curtis um dos pontos fortes do SPELL WORK é justamente esta variedade de temas, aliada a uma bem articulada equipe de colaboradores, alguns inclusive do exterior.

Destaco a matéria com o artista Mark Khaisman, a cobertura do Black Field Festival (Alemanha), entrevista com a banda Anorkia, os desenhos/quadrinhos de Edgard Franco e a já histórica entrevista que Thina fez com o poeta (lenda-viva?) Glauco Mattoso.

Importante lembrar que Thina desenvolve além do zine, um trabalho de oficina de fanzines com jovens internos da Fundação casa, que merece uma matéria à parte.

Para conseguir um zine entre em contato por e-mail (tinacurtis11@yahoo.com.br), zinismo recomenda!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O FUTURO JÁ É PASSADO


06 de julho de 2010, 22 dias atrás, foi a data em que Marty McFly chegou ao "futuro" no seu Delorean. Pois é, o futuro já é passado.


...

terça-feira, 27 de julho de 2010

VELHO RABUGENTO ZINE



O fanzine VELHO RABUGENTO é prova que tamanho não é documento. A pergunta é como podem caber tantas informações em um formato A6?

Feito em São José do Egito (PE), o velho faz um belo serviço pela causa alternativa, abrangendo as cenas de todas regiões do Brasil através de entrevistas, resenhas, editorias, colunas etc. Além disso, o velho já é um dos zines brasileiros com maior número de edições (o de junho é o número 56!). Conversamos o editor José Edilson, o próprio Velho Rabugento:


ZINISMO: Como se deu seu envolvimento com o underground, punk rock e com os fanzines?

Rapaz, meu início neste meio underground se deu quando eu saí daqui de Pernambuco para morar no RJ. Na época, eu tinha 18 anos e já escutava rock aqui, mas não tinha nenhum envolvimento com o alternativo, só escutava as bandas mainstreans mesmo.
Então cheguei no RJ na metade da década de 90 e conheci toda a cena que existia na época... As casas de shows, as bandas foda da época... E isso me pegou de jeito. Vivi a década de 90 intensamente, e até hoje não consigo me livrar deste vírus que tanto me enriquece e traz coisas positivas a minha existência.

A inevitável pergunta: por que Velho Rabugento?
Como falei no início da entrevista, quando vim morar aqui novamente existia um pequeno grupo de pessoas que escutava sons e estava começando a formar bandas, e eu me envolvi diretamente nesta nossa pequena cena... O zine surgiu da necessidade que tínhamos de escrever nossas idéias, divulgar bandas que gostávamos e tal, e como eu era o mais velho desta turma e como nunca fui conhecido por ser uma pessoa sociável, o nome veio de forma natural... Nunca imaginei que ele ficaria tão impregnado na minha vida, tanto que já faz mais de 6 anos que eu e o velho rabugento andamos lado a lado.

Quando conheci o "Velho Rabugento" uma das coisas que me chamou a atenção foi a longevidade do fanzine. Qual a receita para esta sobrevivência? Desde quando ele existe e como se sustenta economicamente?
Rapaz, o Velho existe, com idas e vindas, desde 2004, quando pensei em publica-lo para circular dentro da minha cidade mesmo, entre um pequeno grupo que existia na época e que achávamos que era um ‘cena’. E num tem uma receita para manter o zine, o que existe é vontade de divulgar bandas e a cena alternativa de uma forma em geral.
Agora como ele se mantém economicamente o que posso dizer é que sempre sai dinheiro do próprio bolso mesmo, num tenho patrocínio nem propaganda (o máximo que rola é divulgar lançamentos de bandas de amigos), então é tudo com o velho mesmo, e sinceramente acho isso muito bom... Pois tenho uma liberdade total para publicar somente o que tiver vontade.



A maioria dos fanzines que tenho recebido atualmente vem do Nordeste. Você concorda que a produção atualmente é mais expressiva nesta região do que no restante do Brasil? Se for, consegue identificar um motivo para tal fenômeno?
Realmente tem aparecido muitos zines aqui do Norte e Nordeste, mas também tenho recebido muita coisa de cidades do interior de SP e do Sul do país. O que enxergo disto é que aparentemente as pessoas que estão mais longe dos grandes centros tem buscado um retorno dos zines de papel como forma importante de divulgação.
A febre dos blogs e sites passou e as pessoas estão voltando para a fazer a coisas da forma antiga e mais romântica... tenho visto, além dos zines, muitas bandas apostando no lançamento de demos físicas, e isso é muito bom.


Espaço livre para divagações, dicas de fanzines, bandas, blogs e etc:
Só tenho que agradecer o espaço que você abriu para o Velho Rabugento, valeu mesmo pela força e parabéns pelo trampo que você realiza divulgando todas as formas de manifestações culturais underground.
Agora dicas de zines ou bandas fica difícil citar alguma e deixar várias de lado, o que posso deixar de dica é que ninguém pode perder o tesão em ser curioso, nunca pode deixar de buscar algo novo e espontâneo! Então freqüente os shows que rolam na sua cidade, se num tiver shows comece a organizar. Busque contatos com pessoas que estão nesta pelo mesmo motivo que você, garanto que surgirão amizades para o resto da vida.
Queria aproveitar para dizer que além do zine mantenho um selo/distro, com alguns lançamentos de coletâneas e splits no currículo e que está sempre aberta para bandas novas que estejam a fim de mostrar o trabalho, se alguém se interessou é só entrar em contato pelo fotolog ou e-mail velhorabugento@gmail.com, pode ser bandas, pessoas interessadas em trocar/adquirir o Velho e pode ser também só para conversar e trocar experiências.
Valeu parceiro e mais uma vez parabéns pelo seu trampo...

Aproveite e visite o polêmico blog do colunista Juca Sassafrás, um dos colaboradores do Velho.

...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

E ELES TOCARAM SERVITUDE

Não era pedir demais. Só queriam um pouco de metal. Um pouquinho. Por isso muitos saíram bufando do show do Fishbone de quinta-feira. Faltou metal.

Daí ontem, o metal também faltou em boa parte do show. Mas no final, para compensar tantos pedidos e súplicas, eis que o Fishbone enfim deu uma amostra da fase metal.

E eles tocaram "Servitude".

Pronto, metaleiros felizes voltando pra casa.



...

sábado, 24 de julho de 2010

VENUS VOLTS IS DEAD?



O Venus Volts teve a música “In Gold We Trust” como tema (e mais outras tantas músicas como trilha) da série “Descolados” produzida pela MTV, mas isto é o que menos importa. O relevante é ver que no Brasil existem bandas que ainda trabalham em uma sonoridade além do já digerido pela massa e pela previsível cena alternativa atual. Influências do post punk, riffs interessantes, guitarras excelentemente bem timbradas, tudo somado e conduzido pela contagiante voz da vocalista Trinity fazem do VV algo muito mais importante do que ser tema de uma seriado x ou y.


Como sempre acontece algo imprevisível aos bons, muito provavelmente neste sábado, no show de lançamento do álbum “Venus Volts is Dead?”, será a última oportunidade de todos verem a banda com esta formação e até com este nome, pois, como já foi divulgado anteriormente em vários pontos virtuais desta rede veloz, a vocalista Trinity não fará mais parte da trupe... mas isto é pauta para outro momento.


Agora resta esperar e ver se a música bifurca em novas e elogiáveis estradas.


Abaixo segue o Link do Rock'n'Beats para baixar o álbum completo e informações sobre o show de lançamento.


Baixar: Venus Volts is Dead?

Venus Volts – Lançamento do álbum

Data:24/07

Local: Bar Do Zé - Rua Albina JB de Oliveira, 1325 - Campinas

Ingressos:R$10


...