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quinta-feira, 12 de abril de 2012

UMA PERGUNTA PARA MATTHEW CAWS (NADA SURF)


Fiz uma entrevista com o Nada Surf para a nova edição (#170/39) da revista CemporcentoSKATE, especial música. Quem respondeu foi o guitarrista e vocalista Matthew Caws, e o bate-papo abordou a entrada do Doug Gillard (ex-GBV) na banda, o novo álbum (The Stars Are Indifferent To Astronomy), os shows no Brasil e até skate! A revista estará nas bancas muito em breve, mas separei um trecho inédito para o Zinismo. Confira!

Viegas: Você já trabalhou numa loja de discos, já foi jornalista musical e também teve um selo independente. Isso pra não falar de todos esses anos com a banda. Você tem vontade de trabalhar em outras áreas musicais no futuro?
Matthew: Na minha juventude, os meus três empregos dos sonhos eram: ter uma banda, ser o relações artísticas de uma gravadora e ser um produtor musical. O primeiro desses sonhos virou realidade, o segundo é algo que exige muito tempo e foco, e o terceiro (sonho) é algo que já fiz, mas muito pouco, apenas produzindo algumas bandas de amigos anos atrás. Se minha agenda permitir, eu realmente quero encontrar mais coisas para produzir e talvez me desenvolver como produtor. Eu sempre admirei os produtores com os quais trabalhamos: Bryce Goggin (Pavement, Chavez), Ric Ocasek (Bad Brains, Romeo Void, Weezer), Fred Maher (Matthew Sweet, Lloyd Cole, Luna), Chris Walla (Death Cab for Cutie, Thermals, Telekinesis), John Goodmanson (Sleater-Kinney, Wu-Tang Clan, Harvey Danger), Chris Shaw (Public Enemy, Super Furry Animals, Bob Dylan). Quão sortudas são essas pessoas? O objetivo de me tornar um produtor “de verdade” parece inatingível, porque todos esses que citei possuem uma variedade tão inacreditável de habilidades e capacidade de tomada de decisões, para não falar da paciência infinita e da calma sob pressão.

[foto: José del Rio Mons]

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PLAYER2WINS - RIMAS DE 4 "BEATS" (MAKERS)

Round One... Fight!!!

"Player2Wins is now following you..."
Foi assim que eu descobri o Player2Wins. Mas, foi lendo a descrição: "Diogo Comum, Henrique Rezende, Tiago "Rump" Frúgoli e Tiago Gordo, fazendo música (juntos, de preferência)" que eu me convenci que escutar o trabalho do P2W era urgente, afinal, estamos falando do coletivo que envolve uma boa parte do que há de melhor no "underground" do hip hop paulista.

Eu fiquei viciado nas rimas e nos beats classudos de Tiago "Rump" Frúgoli assim que escutei o álbum Progressivo (um dos melhores discos de hip hop de 2009, ao lado de Modus Operandi do Parteum e do Após Algumas Estações do Elo da Corrente). Pouco depois escutei a mixtape Dreams de Henrique Rezende (que eu conhecia pelo trabalho do Manutenção) e também chapei com a produção do cara. Já o Diogo Comum é daqui de perto da minha área, Rio Claro, e eu comecei a prestar atenção nele quando conheci o Questão de Essência.

Saber que esses beatmakers e rimadores estavam se unindo em torno do Player2Wins roubou (e tem roubado) muito da minha atenção. Passei a viver sempre ansioso pra ver o que sairia desse mato. Mas, sabe como é né? Se o mato é do bom, a brisa é melhor ainda!

O P2W não é uma banda ou um grupo de Rap. Na real, se trata de um coletivo mesmo, onde os quatro produtores e amigos se juntaram para lançar seus discos (solos), mas, dividindo a produção entre todos os quatro, e mais um montão de parceiros, é claro! Além de rimar, criar alguns beats e remixar faixas uns dos outros.

Particula(R)mentos Gerais - Henrique Rezende@Player2WinsParticula(R)mentos Gerais - Henrique Rezende@Player2Wins

Como era de se esperar, o primeiro fruto do P2W, Particula(r)mentos Gerais de Henrique Rezende, superou as minhas expectativas! São 20 faixas incluindo remixes e interludios geniais (alguns soam como um tributo aos seus ídolos, entre eles o falecido J. Dilla). Além dos 4 apocalípticos do P2W, Henrique ainda conta com participações de Elo Da Corrente, Faro-Z, Cavalier, Manutenção, Buda e Rodrigues.
Os beats e as melodias das bases levam o hip hop ao mais alto patamar em termos de qualidade de produção. É daqueles discos que viciam! Que você coloca a faixa um e o resto roda suave, sempre deixando um gosto de quero mais no final da faixa vinte, que se resolve logo apertando o botão "repeat".
O remix da faixa "Tudo que Eu Preciso" de Tiágo "Rump" Frúgoli, com participação do próprio, vai ser a primeira a te pegar. Depois "Let Go", que conta com o americano Cavalier comandando as rimas, "Black Power" que também tem gringos no mic, nesse caso, Faro-Z e Trezure e ainda a faixa "Queens" com participações do rapper Buda e do DJ Gusta, deixarão claro as referências de Henrique. Está tudo ali! De La Soul, Gang Star, Mobb Deep, além de, claro, J Dilla, Premier, 9th Wonder, Nas, enfim, daí pra cima! E ainda tem "Caminhos", "Embarque", "Sorria", "Cada Faixa" e a matadora "Teste Pra Cardiáco", uma parceria com o pessoal do Elo da Corrente, digna de um enfarte fulminante, pra judiar do seu pescoço! Bang motherfucker!

Já deu pra sacar que ninguém está de brincadeira no Player2Wins, e foi por isso que o Zinismo trocou alguns emails com o pai da criança, Henrique, e o padrinho, Tiágo Rump, exatamente no mesmo dia que o disco foi lançado.

Então...

Adivinha...

Mais uma da série: ENTREVISTA DE UMA PERGUNTA SÓ!

ZINISMO: Conte-nos um pouco sobre como surgiu a ideia de juntar essa galera em torno do Player2Wins, e como vocês estão sentindo as expectativas da galera em relação ao projeto, já que boa parte da vanguarda do rap paulista está envolvida com P2W. Vocês acham que isso pode ser uma certa pressão para vocês?

Henrique Rezende: Se não me engano, a primeira vez que a idéia do p2w surgiu coletivamente pra nós 4 - Diogo "Comum", Henrique Rezende (eu), Tiago "Gordo" e Tiago 'Rump' Frúgoli - foi no Indie Hip Hop de 2009. Eu tava naquela época com a intenção de fazer um EP com algumas instrumentais minhas, alguns remixes e faixas inéditas do Tiago 'Rump' rimando e/ou produzindo etc. Naquele dia o Tiago "Gordo" e o Diogo comentaram que também tavam com vontade de fazer um disco solo deles e que seria legal se nós - eu e o Rump - produzíssemos em parceria o EP deles. Nos dias seguintes a idéia foi amadurecendo e o Rump sugeriu de nós 4 formarmos um coletivo pra lançarmos os EP's juntos, de preferência mais ou menos na mesma data e conectados por esse mesmo nome, Player 2 Wins - nome dado pelo Rump - pra facilitar na divulgação e criar uma conexão entre os discos. Todos nós ficamos bem animados com a idéia e foi mais ou menos assim que teve início a parada...

Eu particularmente não me sinto pressionado quanto a meu disco recém lançado Particula(r)mentos Gerais, nem em relação aos EP's do Diogo e do Tiago "Gordo" que estão no processo de criação... Acho que estamos todos fazendo música entre amigos, cada um fazendo aquilo que está ao alcance de si nesse momento. Acho que os nomes são secundários e o essencial é a música, a sonoridade que nós estamos tentando criar, ao menos é assim que gostaria que ouvissem os sons. Nos Particula(r)mentos eu fui bastante fiel ao estilo de instrumentais (beats) que foram brotando nesses 10 meses de produção - tempo que levei pra produzir o disco com todos - sem me preocupar com comparações ou padrões de produção. Procurei fazer algo diferente do que já havia ouvido no Brasil e não em reproduzir algo que me desse uma maior garantia de preencher quaisquer expectativas. Pra finalizar queria aproveitar a oportunidade pra agradecer fortemente todo mundo que teve direta ou indiretamente envolvido no projeto e a oportunidade dada pelo ZINISMO!

Tiago Rump: Já faz tempo que, entre os produtores daqui, que faziam beats a partir de samples, o Henrique era quem eu mais gostava de ouvir. E apesar de admirar a maneira despretensiosa dele de produzir tão bem sem ter o projeto de lançar nada, já fazia tempo que eu torcia pra ele compartilhar essa música com mais gente, e é uma honra pra mim participar de alguma maneira disso. E concordo quando o Henrique fala que somos só amigos fazendo o som que a gente gosta. Acho até engraçado quando você pergunta sobre a pressão causada pela expectativa das pessoas, porque isso era a última coisa na nossa cabeça. Mas se essa expectativa existe, fico feliz. E espero que possamos superá-la.#

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É! Superaram Rump! Superaram!!!

Para baixar o disco na integra e em alta qualidade, CLIQUE AQUI.

E no fim, basta concluir que quem ganha mesmo é quem ouve!
O resto é esperar pelos próximos bombardeios do Player2Wins!

player2wins_HenriqueHenrique Rezende

Tiágo RUMP FrúgoliTiágo RUMP Frúgoli


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sábado, 9 de outubro de 2010

TWO TURN TABLES AND ONE PUNK ROCKER - DANCE!

Punkinho, dj mattiello
Anderson "Punkinho" Mattiello, uma vida dedicada a cultura underground. Figura fundamental na história da cena punk/metal do ABC Paulista. Como guitarrista desde o final da década de 80, passou por bandas como Ação Direta, Grinders, ästerdon, além de ter fundado o Slaughter, uma das mais importantes bandas de thrash metal do ABC.

Esse é o curriculum do DJ Mattiello! É isso mesmo! Dee Jay!

dj mattierlloPunkinho começou esse namoro com as pick ups em 2007, em algumas festas nas quais o ästerdon "banda" virava ästerdon DJ Set. A paixão cresceu, a música ficou mais dançante, leia-se eletrônica e, ainda em 2007, o (agora) DJ Mattiello se juntou ao DJ Allan Lito no duo Disco Robot Dj's. Mattiello aproveitou a boa recepção do Disco Robot pelo público e começou a produzir as primeiras faixas com beats ao invés de acordes de suas velhas amigas "guitarras".

Curioso e pesquisador de música incurável, DJ Mattiello se interessou por outras vertentes da música eletrônica, principalmente house e decidiu seguir por essa trilha, agora sozinho.

Primoroso na qualidade de suas composições, sejam roqueiras como dançantes, é claro que ele logo conquistou seu espaço dentro da cena e segue desbravando fronteiras!

Ontem foi disponibilizada a faixa Dance na rede e eu achei que era uma boa hora para trocar uma ideia com o "homi".

Com vocês, mais uma...

ENTREVISTA DE UMA PERGUNTA SÓ!


Zinismo:
Seu background musical é algo bem diferente do som que você produz como DJ, já que você veio do punk/metal. Como a música eletrônica entrou nesse caldo? E para você, pelo fato de você fazer tudo no bom e velho esquema Do It Yourself, punk rock e dance music acabam se tornando a mesma coisa em termos de atitude, ou você acha que a diferença entre os ritmos prevalece e a expressão artística fica em segundo plano?

DJ Mattiello:
A música eletrônica, embora tenha demorado um pouco para aparecer em minhas produções como músico/produtor, sempre esteve presente em minha vida. Desde cedo me interesso por Emerson, Lake & Palmer, Yes, Brian Eno e principalmente Kraftwerk. Achava extremamente interessante a proposta de um som totalmente sintético, e pirava nas melodias que eles criavam com computadores e dispositivos eletrônicos. Eu nunca tinha me interessado pelo deejayin', até que um dia fui apresentado às cdj's, fui muito bem assessorado pelo Sr. Ideia, que me deu várias dicas e me mostrou que mixar músicas é tão excitante quanto fazê-las. Daí em diante, a produção tornou-se um caminho natural, pois chega um momento que você quer algo mais específico, que começa a ficar cada vez mais difícil de encontrar.
Quanto à atitude, encaro as duas vertentes de uma maneira bastante distinta, não misturando as coisas, até para ficar mais fácil para compor, pois na minha visão, se você começa a colocar tudo no mesmo balaio corre-se um sério risco de misturar as estações e começar a perder o foco. E como cada estilo é bastante distinto, não há problema nenhum em manter as duas carreiras paralelas e distintas. O que mudou muito foi a minha visão como músico. A música eletrônica me deixou com o ouvido mais apurado, a métrica mais precisa e melhorou muito a minha visão geral de como se montar e produzir uma música.
Artisticamente falando, não poderia ter acontecido algo melhor em minha vida!

É isso!
Obrigado pela força e pelos elogios!!!


Agora é baixar a faixa Dance, e claro, as outras que estão disponíveis no SoundCloud do DJ Mattiello, ligar a vitrolinha e chamar a galera, que a festa está garantida!

Ah! E aproveita para alugar o Pulp Fiction e sacar o sampler da faixa Dance!


Mais em:
myspace.com/djmattiello
myspace.com/asterdon
myspace.com/discorobotdjs

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

UMA PERGUNTA PARA TRISTEZA

Tristeza. Nome incomum para uma banda californiana. Conheci através do amigo Cebola, na época em que tinha (ou melhor, tínhamos) loja na Galeria do Rock. Enfim, o que importa é que a banda é boa, música instrumental de primeira linha. Post Rock, na minha definição quadrada. Na deles, ou melhor, na do Myspace deles, é Progressive / Psychedelic / Rock.

Ano passado eles lançaram um excelente álbum, intitulado "Fate Unfolds". Curiosamente, a faixa dois chama-se "Floripa". Primeiro eu pensei: "será que existe outro lugar ou coisa nesse mundo chamado Floripa?" Mas aí ouvindo o som, que começa num clima bem bossa nova, deduzi que deveria existir alguma conexão com a ilha de Santa Catarina.

Então, para tirar a dúvida de uma vez por todas, mandei a pergunta para a banda.

ZINISMO: A música "Floripa" foi inspirada na ilha de Florianópolis, no sul do Brasil?
TRISTEZA (James): Sim, essa música recebeu esse nome por causa de Florianópolis. Eu nunca estive lá, mas tinha uma namorada de Floripa na época em que fiz essa música. Eu imaginava que era um lugar lindo, cheio de mulheres lindas, mas que se você mexesse com elas, elas poderiam te matar!

Mais infos aqui.


[ imagem: capa do disco "Fate Unfolds", de 2009 ]

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