domingo, 13 de dezembro de 2009

ALBORGHETTI: CONTRA TUDO E TODOS



Sempre gerou polêmica a citação do nome do jornalista policial Luiz Carlos Alborghetti (que morreu no dia 09 deste mês aos 64 anos no Paraná) e que ficou famoso no Brasil entre 1992 e 1993 quando seu programa foi transmitido em rede nacional ( em São Paulo pela TV Gazeta).

Caracterizado pela sua aparência suada, sua toalhinha sobre os ombros (precursor do estilo), seu porrete que utilizava para destruir as mesas em seus acessos de fúria e principalmente seu discurso ácido e agressivo, contra tudo e todos.
Sua postura era imprevisível: ataques diretos e ofensas a políticos, à rede Globo e personalidades da mídia; agressões verbais (e algumas vezes físicas) à equipe de produção; acessos de conservadorismo e criticas aos direitos humanos de “bandidos”; este era o estilo Alborghetti...

Mas de qualquer forma, há algo que merece ser reconhecido no saudoso “Dalborga”: ele era extremamente autoral e fiel à suas opiniões (muitas vezes confusas e contraditórias, diga-se de passagem), e isso lhe custou um preço alto, pois acabou seus dias com programas na internet, pois que TV transmitiria ou que marca patrocinaria um programa em que o apresentador manda seus telespectadores à merda?

Para os não iniciados, recomendo a Wikipédia com um breve histórico do jornalista e que tem uma bela seleção de suas frases e momentos marcantes.

Selecionei também um vídeo com algumas pérolas, não recomendado para pessoas sensíveis e com início de gastrite.



Selecionei também outro vídeo com uma homenagem da banda paranaense Boi Mamão lançada no disco Ska com Pauleira (de 1995), a clássica Vagabundo .



E ainda, Alboghetti fala sobre jornalismo, sobre tv e sobre Ratinho (inicialmente seu repórter e depois clone) ao Pânico na tv:



Alborghetti: uma perda em tempos de jornalismo bunda-mole, do rabo preso, de trocas de favores, tráficos de influência e tapinhas nas costas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SAMIAM – MINIENTREVISTA




Por Marcelo Viegas


Aproveitando a passagem do Samiam pelo Brasil, fiz uma entrevista com o guitarrista Sergie Loobkoff. Uma parte dessa conversa estará na próxima edição (142) da revista CemporcentoSKATE, e separei alguns trechos exclusivos para o Zinismo.


ZINISMO: Numa entrevista recente, você mencionou a música “Dull” (do álbum Astray). É sua música favorita?

SERGIE: Bom, eu não escuto Samiam. Creio que devo ter mencionado que é uma das minhas músicas favoritas para tocar. Mas, para ser sincero, não é o Samiam que faz a música ser legal: é a plateia, os fãs, que geralmente gostam muito desse som. Para mim, o Samiam só é legal quando a plateia é legal. Muitas vezes, se a plateia é uma merda, nós também somos uma merda. Acho que bandas mais “populares” aprenderam a fingir, e fazem um show animado independente da resposta da plateia.

ZINISMO: A letra de “Dull” fala sobre um amigo de vocês que cometeu suicídio, certo?

SERGIE: Eu acho que “Dull” agrada tanto por conta de sua letra, que é obviamente real e significa muito para o Jason [Beebout, vocalista], que era muito mais amigo do Lucky do que eu. Conhecia o Lucky há muitos anos, e gostava muito dele, mas não tanto quanto o Jason. Ele era baixista de uma banda chamada 15, que inclusive lançou um disco com o nome dele. Ele era uma pessoa muito amada na nossa área. Foi uma situação terrível, sem dúvida.

ZINISMO: Como vocês se sentem tocando essa música em todos os shows?

SERGIE: Pra ser sincero, quando tocamos essa música, acho que abstraímos um pouco o seu significado pessoal. É natural deixar de lado qualquer pensamento negativo quando estamos no palco. Apesar de sermos uma banda com muitas letras tristes, gostamos de nos divertir quando estamos tocando. Creio que muitas pessoas devem ficar confusas quando assistem um show do Samiam pela primeira vez, pois esperam ver um bando de perdedores tristonhos com ar depressivo no palco (risos).

ZINISMO: Vocês são contemporâneos de grandes bandas como Sense Field, Farside, Split Lip/Chamberlain, Texas is the Reason, Promise Ring e Sunny Day Real Estate. E a maioria delas não existe mais. Sente falta dos anos 90? Como é ser uma das últimas bandas dessa geração ainda em atividade?

SERGIE: Eu acho que isso é natural: as coisas na vida vêm e vão. As coisas mudam. Há boa música sendo feita hoje, por isso não vejo necessidade de ficar insistindo tanto no passado. Eu adoraria ver o Texas ou o Promise, mas não morreria se não os visse novamente. Vi o suficiente nos anos 90 (risos). Na nossa recente tour pela Austrália, o Bodyjar abriu pra gente, e foi incrível vê-los. E na Flórida, o Snuff tocou conosco! Eu fiquei alucinado! Foi demais! E não conseguia tirar as mãos do meu celular, porque ficava mandando mensagens para todos meus amigos, alardeando que estava testemunhando essa ou aquela música (risos)!


[Foto Alexandre Vianna – Para ver mais fotos e resenha do show do Samiam no Hangar 110, visite o site da revista OE]

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

REUNIÃO DO JAWBOX

Para celebrar o relançamento do álbum For Your Own Special Sweetheart (94), o Jawbox reuniu-se para tocar três músicas no programa Late Night With Jimmy Fallon. Dos três sons apresentados, apenas "savory" foi ao ar, mas aqui no Zinismo você confere a performance na íntegra. É de chorar, rapeize!







Aproveitem enquanto está no ar.

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

NUMA SEGUNDA FEIRA QUALQUER...

por Edu Zambetti

Gostaria muito de saber o por quê das segundas-feiras serem o marco do meu quase drama contra um insistente estado de amortecimento permanente.
Parece que as pilhas acabam, como se eu fosse um robô ou um andróide qualquer e estivesse sujeito a uma recarga rara de energia numa época em que o fim do mundo estivesse quase concluído. Neste caso, o projeto da minha carcaça e de minha máquina já estaria desbotado em um papel A2 cheio de pontos de bolor...
O primeiro protótipo (que não sou eu) seria uma forma metálica e fria, algo muito próximo do produto final, mas sem as cores, ajustes e outros pequenos detalhes que me fariam parecer real. Talvez fosse uma segunda feira triste lá pelos anos 2045 ou depois, um dia comum e lento onde qualquer um estaria se locomovendo com extrema dificuldade, pés, patas ou rodas estariam praticamente emperradas e eu, pobre criatura, ainda estaria me perguntando sobre a origem do gênio, cientista, engenheiro ou designer que haveria me imaginado, elaborado, criado e, como se não bastasse esta pergunta sem resposta, queria saber sobre quais os pensamentos e sensações dominavam o artista, mecânico ou técnico no momento em que minhas peças eram encaixadas, soldadas e parafusadas conforme aquele velho projeto.
Em meio a tantas perguntas, surgiriam as piores delas:


-Será que, antes de ficar pensando sobre quem seria o criador do criador de mim mesmo, não seria melhor questionar sobre a origem da minha capacidade de elaborar tamanhas perguntas?
-Não seria melhor que minha mente se ocupasse em saber o motivo de todas estas questões?
–Realmente não sei quem ou o que me tornou um ser, mas sei que luto cada dia para permanecer sendo, e isto é realmente importante.

O céu estaria escuro, chuva fina, guarda chuvas cinzas e coloridos funcionando perfeitamente ou precariamente, cada hora pareceria o segundo perdido da eternidade, o sentido das coisas não seria mais nítido do que as minhas questões, e uma visão coletiva e míope tornaria a razão uma dimensão inabitada. Mas o que estaria fazendo um robô como eu, na captura de pilhas novas, portando um guarda chuva quebrado nas mãos e lançando perguntas num momento próximo ao final dos tempos? Ora...Ora...Como já disse:

Estaria tentando saber o motivo que me leva a permanecer amortecido numa segunda-feira como essa...

(texto e ilustração publicado no blog “Anotações da Caixa Craniana” em 2004)

sábado, 5 de dezembro de 2009

SKETCHES FOR SKETCHES


Por Marcelo Viegas

No ano passado, comprei finalmente o “Sketches for My Sweetheart The Drunk”, o disco inacabado de Jeff Buckley. “Finalmente” porque o álbum duplo foi lançado em 1998, um ano após a morte do músico. Com o CD e a arte na mão, vem aquela parte deliciosa da experiência musical (e que representa, ao mesmo tempo, o limite do mp3), de colocar o disco pra tocar, deitar no sofá e degustar o encarte, com todos seus detalhes e revelações.

O encarte do “Sketches...”, além dos detalhes e revelações, traz também muita emoção, seja no excelente texto de Bill Flanagan, na tocante carta da mãe de Jeff Buckley, nas anotações do próprio Jeff ou através das suas letras. Para os fãs, é sem dúvida uma experiência que mistura alegria e tristeza. E, até por isso mesmo, indispensável.

Como já disse, trata-se de um álbum inacabado. Jeff estava trabalhando nele quando morreu. Já haviam se passado mais de quatro anos desde “Grace”, seu aclamado debut, e o mundo aguardava ansioso pelo novo material. Mas, a tragédia impediu que fôssemos agraciados com o verdadeiro “My Sweetheart The Drunk”. Temos os “sketches”, principalmente o disco 1, que traz as músicas mais próximas do que deveriam ser.

Sem overdubbing. Essa foi a regra definida. Com produção de Tom Verlaine (Television), o álbum não traz nenhum lado B de “Grace” ou material ao vivo. Apenas as canções que deveriam ser gravadas por Jeff e banda em junho de 97 (ele morreu em 29 de maio). Um detalhe da tragédia, que só conheci através do texto de Bill Flanagan, é que a banda iria se encontrar com Jeff justamente no dia 29 de maio. O avião que levava a banda de New York para o Tennessee estava na metade do trajeto quando Jeff entrou no rio. Quando aterrissaram, as equipes de busca já estavam trabalhando.

A mãe de Jeff tomou a decisão: nenhum material seria lançado de imediato. Ela queria um trabalho cuidadoso e bem feito, e foi isso que aconteceu. Além das sessões principais, com a banda, havia muito material bruto, gravado de modo caseiro, apenas por Jeff. Se comparado com as demos principais (do disco 1), é de fato um material bem rudimentar, mas que, todavia, representa o embrião de algumas canções que poderiam ser incluídas no álbum. Para o trabalho de ouvir e selecionar quais faixas entrariam no “Sketches...” foi convocado Chris Cornell (Soundgarden).

O disco 1 foi mixado por Andy Wallace (o mesmo de “Grace”), com exceção da faixa “You and I”, que ele achou melhor deixar como Jeff e Tom haviam mixado. Há músicas maravilhosas, como “The Sky is a Landfill”, “Everybody Here Wants You”, “Nightmares by the Sea”, “Witche´s Rave” (com sua guitarrinha à la Smiths, que Jeff adorava), “Morning Theft”, “Vancouver”… Se elas já são maravilhosas assim, com a alcunha de rascunhos, fico imaginando o que seria a gravação definitiva desse material.

O disco 2, como já foi dito, traz algumas mixagens originais (Jeff e Tom), esboços gravados em 4-tracks por Jeff, e o ponto alto é a versão para “Satisfied Mind”, música que encerrou o funeral de Jeff Buckley, e que também encerra “Sketches...”, à pedido da sua mãe. Segue um trecho da letra: “When my life is over and my time has run out / my friend and my love ones, i´ll leave them no doubt / but, one thing´s for certain, when it comes my time / i´ll leave this old world with a satisfied mind”. Pesado, não?


A MENSAGEM DE MARY

O encarte traz um texto escrito pela mãe do músico, que arrepia até o mais insensível dos mortais. Tomo a liberdade de transcrever um trecho, que sempre me emociona, e escrevo isso com os olhos marejados:

“Eu daria tudo para tê-lo aqui comigo... para ajudá-lo a celebrar o lançamento do VERDADEIRO My Sweetheart The Drunk, o álbum que só ele poderia fazer. Se Jeff estivesse vivo e decidisse apagar esses Sketches, essa seria uma perda relativamente menor. Ele poderia ter escrito centenas de músicas e feito uma dúzia de álbuns no lugar desse. Infelizmente, Deus tinha outra coisa em mente para o meu filho, e para mim”.

Para os fãs, recomendo: vale muito a pena ler esse texto na íntegra.


O BILHETE DE JEFF

Uma das coisas que a sua mãe afirma no texto, é que Jeff nunca foi um “elitista”, do tipo que gosta de compartilhar sua música com poucos. Segundo ela, Jeff tinha um imenso prazer em tocar e mostrar sua música para seus fãs (“essas pessoas que agora estão escutando “Grace” sem parar, porque é tudo que eles têm dele para ouvir”, escreve Mary). Um dos bilhetes escritos à mão pelo músico, e que constam no encarte, traz uma anotação que vai de encontro à afirmação de sua mãe.

Aqui está:




PRA TERMINAR

Por último, quero dizer que isso não é uma resenha. São apenas coisas que me agradam/emocionam nesse disco, e que quis dividir com vocês. Tomem como anotações de um fã. Um desses inúmeros fãs que colocam as músicas de Jeff Buckley para tocar no carro, com o volume no talo, e que se emociona toda vez que faz isso. Um desses inúmeros fãs que têm plena certeza que, caso estivesse vivo, J. Buckley seria o grande nome do rock mundial. Um gênio, que não teve tempo de disseminar sua genialidade.


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PEARL JAM DE-EVOLUTION

Não é a primeira vez que uma banda de Seattle toca um cover do DEVO, mas desta vez os caras capricharam!!!



Como disse... não é a primeira vez...



Não mesmo...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

OE NA ÁREA!


Eis a capa da primeira edição da revista OE, cujo lançamento oficial acontece hoje à noite, no Hot Hot, em São Paulo (SP). A festa terá discotecagem dos dj's Zé Gonzales, Kid Vinil, Lu Riot e Fernanda Martini, além de uma performance burlesca da suicide girl Sweetie.

No seu debut, a revista traz entrevista e ensaio fotográfico com Mayra Dias Gomes (escritora, filha do dramaturgo Dias Gomes), entrevista com o dj Zé Gonzales (N.A.S.A.), entrevista com a criadora do SuicideGirls (e ensaio com uma suicide girl brasileira), matéria sobre sneakers, garotas que usam boné, perfis do tatuador XtetéX e do desenhista Von Victor, matéria sobre a retomada do vinil, as listas do Stephan Doitschinoff, e muito mais.

Ah, e como poderia esquecer: uma matéria com Flávio Grão (nosso comparsa zinista) e sua esposa Graciene Volcov, mostrando algumas das preferências do casal!

Informações: outroestilo.com.br